Saiba quais foram as notícias mais lidas do 4º bimestre de 2025 | Análise
Análise

Saiba quais foram as notícias mais lidas do 4º bimestre de 2025

IA e diversidade marcaram os meses de julho e agosto na Análise Editorial

23 de December de 2025 8h25

O quarto bimestre de 2025 foi marcado pelo avanço da inteligência artificial no meio jurídico e corporativo, com destaque para a adoção de novas tecnologias, debates sobre uso responsável e a consolidação da IA como ferramenta estratégica para empresas e organizações.

Confira as notícias mais acessadas do bimestre na Análise Editorial:

Reino Unido autoriza 1º escritório de advocacia movido por IA

O principal destaque do bimestre foi a autorização, no Reino Unido, do primeiro escritório de advocacia operado integralmente por inteligência artificial. O modelo foi aprovado pela Solicitors Regulation Authority (SRA), órgão regulador da advocacia na Inglaterra e no País de Gales, e será gerenciado pela empresa Garfield.Law.

O escritório atuará em serviços jurídicos de baixo risco, como cobranças e notificações extrajudiciais, com a proposta de reduzir custos e ampliar o acesso a serviços legais. A operação não contará com advogados na execução direta das atividades, que serão realizadas de forma automatizada, sob supervisão de profissionais técnicos responsáveis pelo monitoramento do sistema.

Consultoria aponta crescimento no uso de IA sem consentimento das empresas

Levantamento realizado pela consultoria CX Trends revelou o aumento do uso de ferramentas de inteligência artificial por funcionários, muitas vezes sem autorização formal das empresas. A pesquisa ouviu 5 mil usuários e 5,5 mil executivos em 22 países e indicou que mais da metade dos colaboradores utiliza IA durante o expediente.

O estudo acende um alerta para riscos relacionados à segurança da informação e à proteção de dados corporativos e de clientes, já que diferentes plataformas podem ser utilizadas sem critérios unificados. A falta de governança no uso dessas tecnologias também pode impactar a produtividade e a qualidade dos resultados entregues.

Nova lei exige 30% de mulheres em conselhos de administração

A promulgação da Lei nº 15.177/2025, que determina a reserva mínima de 30% das cadeiras dos conselhos de administração de sociedades empresárias de grande porte para mulheres, foi outro destaque do período.

Embora a exigência não se aplique diretamente aos escritórios de advocacia, a expectativa é de que a norma sirva como referência para todo o mercado. Para Juliana Kakimoto, regional legal & compliance director Latam da Knight Therapeutics Brasil e líder do grupo Jurídico de Saias, a lei representa um impulso para que o setor jurídico avance na adoção de políticas mais consistentes de diversidade.

L’Oréal Lança Código de Defesa e Inclusão do Consumidor Negro

O Grupo L’Oréal lançou o Código de Defesa e Inclusão do Consumidor Negro, iniciativa desenvolvida em parceria com o Movimento Pela Equidade Racial e a organização BlackSisters in Law. O projeto busca ampliar o debate sobre práticas discriminatórias nas relações de consumo.

Pesquisa que embasou a iniciativa identificou 21 práticas consideradas racistas no ato de compra no mercado de luxo, como discriminação, exclusão e inferiorização de consumidores negros.
Para Dione Assis, fundadora do BlackSisters in Law, investir em inclusão é uma decisão estratégica para empresas que desejam crescer de forma sustentável no Brasil. Segundo ela, não basta adotar uma postura neutra: é necessário atuar de forma ativa e antirracista para combater desigualdades estruturais no mercado.

IA generativa: Brasil deixa EUA para trás no uso da tecnologia

O Brasil ultrapassou os Estados Unidos no uso de ferramentas de inteligência artificial generativa, segundo pesquisa da consultoria Bain & Company divulgada pelo Valor Econômico. De acordo com o levantamento, 58% dos brasileiros já utilizam a tecnologia, frente a 35% dos norte-americanos, sendo que 57% dos usuários no Brasil fazem uso diário. A adoção é impulsionada principalmente por pessoas entre 26 e 35 anos (66%), com maior concentração na região Sudeste (44%), e pelas mulheres, que representam 63% dos usuários. O uso ocorre majoritariamente para fins pessoais (82%), seguido por estudos (64%) e atividades profissionais (58%).

No meio jurídico, a incorporação da IA generativa avança de forma mais cautelosa, em razão de preocupações com ética, sigilo e regulação. Especialistas apontam que escritórios e tribunais já utilizam a tecnologia para apoiar tarefas repetitivas, como organização de processos, transcrição de reuniões e pesquisas, sempre com supervisão humana. Embora a curiosidade e os testes sejam crescentes, o consenso é de que a IA deve complementar — e não substituir — o trabalho do advogado e do magistrado, exigindo governança, políticas de uso claras e atenção aos riscos de erros e "alucinações", especialmente em uma atividade baseada em responsabilidade, reputação e confidencialidade.

NotíciasRetrospectiva 2025