Na manhã desta quinta-feira, 14, a TV Análise, canal do YouTube da Análise Editorial, promoveu uma live para discutir as práticas de Diversidade e Inclusão adotadas pelas empresas. A transmissão aproveitou o lançamento da terceira edição do e-book ANÁLISE ADVOCACIA DIVERSIDADE E INCLUSÃO e contou com a apresentação dos sócios da Análise, Silvana Quaglio e Alexandre Secco.
Os convidados do bate-papo foram Felipe Faria, gerente sênior de Compliance & Ética Latam da Goodyear e presidente do Goodyear Pride Network no Brasil, Nina Mattos, diretora Jurídica e mentora do Grupo de Afinidade Eficientes - Grupo de Diversidade da Natura&Co, e Ricardo Augusto Martins, vice-presidente administrativo da Hyundai Motors Central & South America e da Hyundai Motors Brasil, representando o grupo SOMOS.
Felipe não esconde sua veia empreendedora, que, para ele, abrange o tema da diversidade. O gerente definiu que o setor de diversidade é um negócio dentro de outro negócio já estabelecido, e que muitas vezes é visto como um gerador de custos, paradigma que se mostra equivocado quando os resultados são positivos.
Sempre integrado às áreas de Compliance, Felipe escolheu essa área e vice-versa, pois sendo LGBTQIA+, ele tinha a bagagem intelectual para se especializar no tema. O advogado se alegra com as conquistas que o grupo alcança e acompanha as lutas da causa. "Quando vim para a Goodyear, eu trouxe minha identidade junto comigo", revelou.
Visando maior sensibilidade no ambiente corporativo, os diversos grupos de afinidade da gigante americana contam com a iniciativa de funcionários engajados para trabalhar na governança do tema. As estruturas administrativas dos grupos regionais respondem a chefes de setores internacionais, que fornecem à empresa políticas relacionadas a LGBTQIA+, mulheres e outros grupos.
"Os próprios associados me pressionaram - de maneira positiva - para liderar a área de diversidade. Sabemos que é uma exposição até pessoal, e há pessoas que não querem se expor. A luta é muito significativa", revela Felipe. "Foi no início do ano que decidi assumir essa responsabilidade pela empresa e trazer essa iniciativa para o Brasil. Estamos passando por um processo de transformação, e tudo isso foi lançado no mês do orgulho, que é junho, é algo recente."
Conectada com a temática das PCDs (Pessoas com Deficiência) devido à sua irmã, que é surda, Nildamar Mattos, conhecida como Nina, testemunhou as dificuldades enfrentadas por essas pessoas em sua educação e no mercado de trabalho. Nina trabalhou na AVON há oito anos e lembra que a empresa foi pioneira em criar oportunidades para as mulheres.
A advogada expressou sua sorte por fazer parte de um ambiente verdadeiramente diversificado e compartilhou a mesma preocupação e foco em inclusão que a empresa de cosméticos possui. Para ilustrar a diversidade, Nina propôs o "teste do pescoço", onde é possível perceber a diversidade ao virar a cabeça e olhar para o colega ao lado.
"Nós estruturamos isso no próprio processo de onboarding. Sempre vai uma pessoa falar que isso está muito conectado aos valores da companhia, de não discriminação, aceitação, e que você possa ser quem é dentro da empresa sem nenhuma espécie de restrição na aplicação de uma vaga", declara Nina.
Ainda sobre as ações da companhia em D&I, Nina compartilha que a Natura &Co tem uma gerência de diversidade, com orçamento e autoridade para abordar temas necessários em cada pilar, que são constituídos por pessoas e seus líderes.
Já o único não advogado da mesa, o engenheiro Ricardo Martins, admite que o setor é muito machista. Com três décadas de atuação no setor automotivo e depois de rodar o mundo em experiências profissionais, a Hyundai o convidou para retornar ao Brasil em uma nova empreitada. A maturidade e vivência no exterior trouxeram para Ricardo a visão de que a eficiência tinha dois pilares: pessoas e ambiente de trabalho.
Com uma visão renovada, o engenheiro, agora em um cargo administrativo, passou a buscar pessoas que fossem além do conhecimento técnico e criou um ambiente de trabalho propício à criatividade e ao desenvolvimento pessoal. Ele explica: "Procurei pessoas com características curiosas no ambiente de trabalho, fornecendo recursos que permitem a criatividade. Portanto, um ambiente de trabalho com pessoas curiosas e criativas gera inovação".
"A possibilidade de ter Diversidade e Inclusão dentro desse ambiente, fazendo parte dos recursos que tínhamos, fez com que colocássemos em prática a empresa em funcionamento", disse Ricardo.
Mensurando os impactos das políticas de D&I e ESG da Hyundai, o engenheiro passou pente fino nas metodologias da empresa. Citando publicações nacionais e internacionais, o vice-presidente administrativo comentou que alinha as expectativas com a realidade, seguindo os moldes das pesquisas mais relevantes, como impactos esperados e impactos observados, e a percepção dos resultados.
"Todas as empresas passam pela questão da Diversidade e Inclusão. É importante saber que ter a participação de todos faz com que a imagem da empresa e o produto estejam dentro de um mercado de consumo que passa a ter consciência e apoio à sobrevivência dos negócios", completa Ricardo.
A última edição do ANÁLISE ADVOCACIA DIVERSIDADE E INCLUSÃO contou com 437 escritórios que afirmaram ter práticas de D&I, além de 333 bancas que colaboraram com a pesquisa de mapeamento das práticas mais recorrentes no universo jurídico.

