Região Sul alcança o 2º lugar em número de escritórios no ranking dos Mais Admirados do Brasil | Análise
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Região Sul alcança o 2º lugar em número de escritórios no ranking dos Mais Admirados do Brasil

Com a advocacia mais pulverizada em relação a outras regiões e escritórios reconhecidos em 29 cidades, a região supera o estado do Rio de Janeiro e vira a 2ª praça jurídica com maior número de bancas Mais Admiradas

2 de July 11h30

A região Sul do Brasil consolidou, na edição 2026 do ANÁLISE ADVOCACIA REGIONAL, uma posição que confirma um movimento observado nos últimos anos: o reconhecimento dos serviços prestados pela advocacia migrando das capitais para o interior dos estados. Com escritórios Mais Admirados presentes em 29 cidades diferentes do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o Sul é hoje a região mais pulverizada geograficamente do levantamento — um indicativo de que a advocacia empresarial de alto nível já não depende exclusivamente de Curitiba, Porto Alegre ou Florianópolis para ser reconhecida nacionalmente.

O dado mais expressivo da edição, porém, é o salto de posição no ranking geral: a região superou o estado do Rio de Janeiro e assumiu o 2º lugar entre as regiões com mais escritórios Mais Admirados, ficando atrás apenas da Grande São Paulo. São 211 os escritórios sulistas reconhecidos na edição atual e 185 bancas do Rio de Janeiro.

O reflexo dessa consolidação está no número de advogados reconhecidos, que cresceu de forma expressiva: de 526 profissionais Mais Admirados em 2025 para 601 em 2026, alta de cerca de 14%. O cenário sugere um mercado em processo de maturação, no qual as bancas concentram equipes maiores e mais qualificadas — um reflexo, segundo advogados ouvidos pela reportagem, do avanço tecnológico, da virtualização do Judiciário e da especialização em nichos econômicos regionais, fatores que reduziram a dependência histórica dos grandes centros do país.

Abrangentes lideram, mas especializados seguem fortes

Na distribuição por tipo de atuação, os escritórios abrangentes são a maior fatia do mercado sulista, com 100 bancas — quase metade (47%) do total da região —, presentes em 22 cidades e reunindo 287 advogados Mais Admirados. Os especializados aparecem em segundo lugar, com 97 escritórios espalhados por 16 cidades e 197 advogados reconhecidos. Já o atendimento do tipo full service permanece como o mais restrito, com 14 escritórios concentrados em 7 cidades, reunindo, no entanto, 117 advogados — uma média de profissionais por banca bem mais alta do que nos outros dois tipos de atendimento. Repete-se no Sul o padrão observado nos grandes polos do país, em que poucas estruturas full service concentram parcela relevante do mercado.

Andréia Dota Vieira, advogada Mais Admirada no ANÁLISE ADVOCACIA REGIONAL 2026, sócia do Andréia Dota Vieira & Advogados Associados, escritório abrangente fundado em Criciúma (SC), avalia que a capilaridade desse modelo é o que sustenta o equilíbrio entre grandes polos e o interior da região.

"Nosso escritório nasceu no interior. Essa origem nos ensinou a fazer uma advocacia muito próxima do cliente, personalizada e, em certa medida, artesanal, porque cada realidade empresarial exige uma leitura própria", afirma. A sócia destaca ainda que a estrutura capilarizada típica dos escritórios abrangentes tem aberto espaço para mais mulheres em posições de comando fora das capitais.

Rodrigo Papaléo Fermann, advogado Mais Admirado no ANÁLISE ADVOCACIA REGIONAL 2026 e sócio do Ramos e Kruel Advogados, escritório abrangente de Porto Alegre (RS), afirma que a tecnologia tem sido a principal aliada na conciliação entre a excelência exigida pelos grandes polos e a capilaridade necessária para atender o interior da região, facilitando a interação remota sem que isso represente a perda da pessoalidade.

Já entre os escritórios full service, o argumento de venda passa pela integração de demandas cada vez mais multidisciplinares enfrentadas pelas empresas. Elvio Flávio de Freitas, profissional Mais Admirado no ANÁLISE ADVOCACIA REGIONAL 2026 e sócio do Freitas Leonardi Advogados Associados, escritório full service do Paraná, observa que questões tributárias, trabalhistas, societárias e regulatórias têm se interconectado com mais frequência, o que exige uma visão integrada de riscos.

"O verdadeiro diferencial do atendimento do tipo full service não é oferecer mais áreas de atuação, mas conectar essas áreas em torno dos objetivos empresariais do cliente. Na prática, a empresa deixa de administrar diversos fornecedores jurídicos e passa a contar com uma única estratégia jurídica integrada ao seu modelo de negócio", diz.

Cível, Societário e Tributário seguem na frente — com Energia em ascensão

Entre os escritórios especializados, as áreas tradicionais continuam dominando o mapa de atuação da região: Cível lidera com 12 bancas dedicadas, seguida por Societário (11), Trabalhista e Tributário (10 cada). Compliance, Contratos Empresariais e Energia aparecem em seguida, com 8 escritórios especializados cada uma. Um dado que chama atenção é a presença do ramo de energia entre os destaques, refletindo o peso crescente do setor na economia sulista. Ambiental e as vertentes penais empresariais somam 6 escritórios cada, enquanto nichos mais recentes, como Direito Digital e Privacidade e Proteção de Dados, ainda aparecem em volume reduzido (3 e 2 escritórios, respectivamente) — um indício de que esse continua sendo um espaço de crescimento futuro para a região, especialmente em polos tecnológicos como Joinville e Blumenau.

Sobre a aplicação de tecnologia no dia a dia das bancas especializadas, Cássio Chechi de Assis, sócio do Fayet Advocacia Criminal, escritório especializado do Rio Grande do Sul, defende que a jurimetria deixou de ser um diferencial e se tornou ferramenta essencial de trabalho.

"Diante da massificação dos julgamentos perante os tribunais superiores, a análise de dados das decisões torna-se camada estruturante de uma atuação estratégica em casos penais de alta complexidade. Sem ela, o peticionamento se reduz a mero atrito de teses", afirma Chechi de Assis.

Para o advogado, o uso responsável de inteligência artificial no tratamento de grandes volumes de informação "não substitui o trabalho dogmático, mas o potencializa: indica o terreno em que a tese encontrará solo fértil".

Rodrigo Fermann compartilha leitura semelhante quando o assunto é o crescimento do contencioso de massa e a moderação algorítmica no Judiciário. Para ele, a automatização não é uma opção, mas uma transformação irreversível, que deve ser incorporada sem comprometer a qualidade artesanal das peças.

Tecnologia como motor da descentralização

Se há um fio condutor entre os relatos dos advogados ouvidos pela reportagem, é o papel da tecnologia — e, mais especificamente, da virtualização do Judiciário — como motor da desconcentração geográfica do mercado jurídico sulista. Chechi de Assis é direto ao apontar essa transformação como o principal fator que reduziu a dependência regional dos grandes centros econômicos do país. Para ele, a digitalização do Judiciário e da esfera policial, somada à disseminação de cursos on-line especializados, "possibilita que o profissional atue com qualidade, segurança e previsibilidade onde quer que seja."

Esse mesmo movimento tecnológico aparece nas operações internas dos escritórios. Freitas observa que a inteligência artificial generativa tem ajudado a unificar o conhecimento produzido por diferentes equipes em áreas de alto volume, como Cível e Trabalhista. Já Dota Vieira pondera que, mesmo com o avanço da automação no contencioso de massa, a essência do trabalho jurídico continua sendo humana.

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