Pinheiro Neto cai para o segundo lugar quando o critério muda
O Pinheiro Neto Advogados soma 89 advogados eleitos entre os mais admirados do país, o maior número em termos absolutos. Um cruzamento inédito do Data Análise divide esse total pelo tamanho do quadro de cada escritório, e o resultado muda: no critério proporcional, o Pinheiro Neto cai para o segundo lugar. Na frente aparece apenas o Trench Rossi Watanabe, com 20,60% dos advogados do quadro entre os eleitos. Quem mais sobe na nova conta é o KLA Advogados, que salta do 18º para o 7º lugar, o maior avanço do levantamento. O critério absoluto e o proporcional contam duas histórias diferentes sobre o mesmo prêmio, e a segunda favorece bancas menores com times mais concentrados de talento reconhecido.
A advocacia ainda pergunta ao cliente o que ele acha, e chama isso de pesquisa
No artigo desta semana, Alexandre Secco, consultor em comunicação estratégica, editor e sócio da Análise Editorial, questiona o hábito de sócios ouvirem o cliente pessoalmente e chamarem aquilo de pesquisa. Secco reconstrói um século de história, de Charles Coolidge Parlin em 1911 ao Net Promoter Score em 2003, para mostrar como o interesse contamina a escuta. Ele lista nove tipos de pesquisa capazes de separar satisfação de fidelidade e aponta sete usos práticos para descobrir a verdade antes da fatura perdida. A conclusão do autor: descobrir que o cliente satisfeito manda o trabalho para o vizinho já cobra caro, mas não descobrir cobra mais.
Marketing é para criar uma percepção de valor maior que a etiqueta de preço
Formado em Direito pela USP mas sem nunca ter exercido a advocacia, Luiz Lara, fundador da Lew'Lara\TBWA e chairman do Grupo TBWA no Brasil, usa um chinelo de 40 euros para explicar como o marketing cria uma percepção de valor que a etiqueta de preço sozinha não sustenta. Os casos Cofap e Bombril, segundo ele, mostram como tirar um serviço da briga por preço. Lara defende que todo escritório já comunica algo, quer queira quer não, e que deixar esse recado por conta do acaso é o verdadeiro risco. Com a inteligência artificial empurrando o serviço jurídico para a prateleira das commodities, ele argumenta que uma marca forte passa a funcionar como proteção. A marca, completa, também precisa sobreviver ao sócio que a criou.
Uma mina de ouro dentro dos cartórios
André Gomes Netto, presidente do Instituto de Estudos de Protestos de Títulos do Brasil e colaborador na redação do PL 6.204/2019, mostra números concretos: mesmo em Santa Catarina, o melhor estado do país nesse quesito, uma execução civil simples ainda leva quase quatro anos para reaver uma dívida. O projeto que ele ajudou a redigir permite transferir essa execução, de forma facultativa, aos cartórios de protesto, sem excluir o advogado do processo. A diferença de eficiência é grande: segundo levantamento do STF e do CNJ, a execução fiscal judicial recupera cerca de 2% do valor devido, contra até 20% pelo protesto extrajudicial. Desde 2024, na esteira do Tema 1.184, os cartórios já devolveram R$ 120 bilhões em créditos públicos. Para o advogado que está começando, Netto sugere o tabelionato como extensão do próprio escritório, não como concorrente.
Do outro lado da fronteira, os escritórios comemoram
Enquanto o Brasil segue sem publicar hora trabalhada, reajuste ou margem, o Law Firm Financial Index do Thomson Reuters Institute, que acompanha 195 escritórios grandes e médios dos Estados Unidos, mostra a advocacia americana no melhor momento desde 2021. No segundo trimestre, a demanda medida em horas trabalhadas cresceu 3% e os valores cobrados subiram 7,1%. Imobiliário, corporativo e trabalhista puxaram a alta. O relatório também aponta o outro lado da conta: despesas diretas subiram 8,3%, o overhead 7,7% e a fatura de tecnologia, 11,6%, a linha que mais cresce entre todas.
Um agente de IA errou uma conta, um cliente pagou por outro
A Red Hat catalogou uma falha recente em um agente autônomo de inteligência artificial: mesmo com o identificador correto escrito no prompt, o modelo lançou uma cobrança na conta errada e US$ 4 mil saíram do bolso do cliente que não deveria pagar. Na mesma madrugada, o mesmo agente abriu 43 tickets duplicados e inventou uma política de reembolso que não existia, o que obrigou a empresa a honrar mais US$ 280 em generosidade fictícia. A consultoria não revelou os nomes envolvidos, mas afirma que o padrão se repete em qualquer escala: credencial ampla, nenhuma aprovação humana no caminho e velocidade de máquina para executar a decisão errada.
Quem movimentou o mercado
O Ruzene Sociedade de Advogados celebrou 10 anos e ampliou o portfólio para Direito Imobiliário, Proteção Patrimonial e Sucessão. Duas bancas independentes nasceram: o Boechat Advocacia, de Sylvie Boechat, ex-Santos & Santana, e o Brunna Scalamandré Advogados, especializado em trabalhista e cível. Sperling, FreitasLeite, MJAB, Bichara, RPAC e Madrona anunciaram novas sócias e sócios, com destaque para a chegada de Fábio Rosas, ex-Lefosse, Cescon Barrieu e TozziniFreire, ao Madrona. Maria Bofill, do TozziniFreire, foi renomeada co-chair de comitê internacional da American Bar Association. Do lado das empresas, a Suzano promoveu Walner Júnior a vice-presidente executivo de assuntos legais e a Nidec Global Appliance anunciou Ricardo Bristotti como novo presidente.
A edição ainda traz o segundo episódio do ANÁLISE TALKS, com Ellen Gonçalves, sócia-fundadora e CEO do PG Advogados, sobre gestão, metas comerciais e o papel da IA no dia a dia dos escritórios, e as datas da Fenalaw 2026, que acontece nos dias 27, 28 e 29 de outubro no Transamerica Expo Center.
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