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Saiba como o Trench Rossi contribui para os direitos humanos

Neste Dia Internacional dos Direitos Humanos, conheça mais sobre a iniciativa do escritório focada em promover a igualdade de acesso à advocacia

10 de December de 2025 16h39
(Imagem: Análise Editorial/Divulgação)

"Todo ser humano tem direito à instrução. A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito." Essas palavras foram retiradas da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), adotada e proclamada pela Organização das Nações Unidas (ONU) no dia 10 de dezembro de 1948. Contudo, mesmo após 77 anos, a realidade tende a ser bem diferente deste cenário utópico.

Segundo o Censo Escolar 2024, entre 2023 e 2024, o número de estudantes do ensino médio que estão matriculados em programas vocacionais da Educação Profissional e Tecnológica (EPT) subiu de 15% para 17,2%. Mesmo que soe como um avanço significativo, a média dos estudantes que fazem o mesmo processo em países que pertencem à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), também conhecida como "clube dos países ricos", é de 40%.

Dentro da advocacia, o cenário não é muito diferente, principalmente para jovens negros, indígenas e de baixa renda. Por conta disso, o escritório Trench Rossi Watanabe decidiu, em 2024, criar o Instituto Trench Rossi Watanabe (ITRW), para dar uma chance a esses jovens de ingressarem na carreira de advogados, de maneira mais igualitária.

Foco na igualdade

Segundo dados do ANÁLISE ADVOCACIA DIVERSIDADE E INCLUSÃO 2025, entre os 501 escritórios consultados, apenas 39% disseram ter pelo menos um sócio negro, enquanto 34% afirmam não ter nenhum. Esse é um dado que corrobora um cenário de disparidade social, muito enviesado por um estudo jurídico elitizado, que dificulta o acesso de estratos minoritários da população à capacitação adequada para ingresso no mundo jurídico.

Gustavo Biagioli, diretor jurídico, ESG e compliance do Trench Rossi Watanabe, eleito Mais Admirado no anuário ANÁLISE EXECUTIVOS, afirma que o ITRW nasceu a partir da ideia de deixar um legado que fosse além das iniciativas de responsabilidade social que o escritório já realiza.

Dessa forma, é possível formar melhores profissionais para compor o cenário jurídico no futuro. "Não é uma questão de fazer assistência social, é uma questão de qualificar essas pessoas para que elas tenham realmente uma viabilidade real de desenvolver uma carreira dentro dos escritórios de advocacia", afirma o diretor jurídico, ESG e compliance do Trench Rossi.

Para alcançar esse propósito, o Instituto possui parcerias com entidades educacionais como a Associação Amigos da UERJ, Cidadão Pró-Mundo, Endowment GV e a Black Sisters in Law. Como resultado, é possível fazer um acompanhamento maior desses estudantes, com foco nas suas necessidades e dificuldades. Assim, é possível promover programas integrados de capacitação, incluindo inglês jurídico, mentorias, oficinas profissionais e bolsas de permanência acadêmica.

Até o momento da redação desta matéria, Biagioli diz que 116 pessoas foram beneficiadas com a iniciativa. Apesar do número baixo, comparado com a quantidade de advogados em todo o território brasileiro, o executivo diz que os números são apenas um mero detalhe.

Reverberações no mercado

Quando o escritório lança uma iniciativa como essa no mercado, muitos podem pensar que se trata de uma estratégia para capacitar profissionais para atuação interna. No entanto, Biagioli afirma que esse não é o propósito por trás do ITRW, mas sim promover a sobrevivência e competitividade dos escritórios em um mercado cada vez mais exigente.

"A gente consegue garantir que o futuro da advocacia brasileira seja composto por todo tipo de diversidade. Sem isso, teremos um loop eterno dos mesmos pensamentos, e assim é mais difícil inovar, principalmente com o mercado jurídico se transformando rapidamente", destaca Biagioli.

O executivo enxerga que o propósito real é dar a essas pessoas a oportunidade de escolher o seu futuro dentro da advocacia.

Os benefícios para o Trench Rossi

Apesar do foco social do ITRW, o desejo de ajudar também reverberou em iniciativas internas. De acordo com Biagioli, cerca de 400 pessoas de todas as áreas da banca trabalham como voluntárias para as iniciativas do Instituto.

Esse engajamento chegou até mesmo aos sócios, que se engajaram financeiramente e, alguns, até mesmo atuam como mentores. Isso não somente ajudou na criação de um ambiente colaborativo, como também trouxe outros benefícios que, apesar de serem invisíveis, fizeram a diferença no dia a dia.

"Temos sócios que têm tradição com ensino e que estão acostumados a lidar com alunos. São pessoas que se sentem incentivadas nessa questão de compartilhar o conhecimento. Eu acho que isso, de alguma forma, recicla um pouco a nossa expertise, trazendo essa dinâmica de mentoria e aprendizado", complementa o executivo.

Essas iniciativas focadas no bem-estar social também podem auxiliar na imagem do escritório. Ao menos é o que indica um estudo conduzido pela consultoria de negócios GlobeScan e a organização de apoio ao empreendedorismo social Ashoka. De acordo com o levantamento, 91% dos brasileiros dizem ser mais comprometidos e motivados quando a empresa para a qual trabalham melhora seu desempenho em temas como responsabilidade social e ambiental.

Isso pôde ser sentido também dentro do Trench Rossi Watanabe. Biagioli destaca que, com a adoção deste tipo de política colaborativa, foi possível criar um ambiente interno mais colaborativo, saudável e inclusivo. Como resultado, novos talentos se interessam em ingressar no escritório.

"O Instituto reforçou essa característica da responsabilidade social, que já era um diferencial nosso e que faz com que as pessoas nos procurem. Percebemos isso, por exemplo, nas feiras de estágio que a gente promove junto com outros escritórios nas universidades, onde o Trench é sempre muito buscado pelo seu ambiente de trabalho", aponta o executivo.

Por que investir em iniciativas sociais?

Nos dias de hoje, a sociedade vem cobrando cada vez mais para que as empresas demonstrem preocupação com o bem-estar social. Com as companhias cada vez mais expostas, devido ao advento das redes sociais, elas têm procurado parceiros que estejam alinhados com suas políticas sociais. Os escritórios de advocacia que conseguirem demonstrar esse alinhamento acabam saindo na frente. "O cliente não está mais interessado em saber se você tem um código de conduta ou de diversidade. Ele quer ver números, e o que o escritório faz por isso", afirma Biagioli.

Na visão do executivo, como os escritórios servem como os porta-vozes das empresas, eles precisam estar alinhados com essas políticas de responsabilidade social. Portanto, é preciso que as bancas não fiquem para trás neste aspecto, mas que elas liderem essa transformação de mentalidade.

Como implementar?

Apesar do tamanho do Trench Rossi Watanabe, em consideração com outros escritórios, Biagioli aponta os caminhos para quem deseja implementar essas iniciativas internamente:

  • Começar Pequeno: O ideal é ter uma estrutura pequena para entender como funciona todo esse processo e, com isso, escalonar gradualmente.
  • Busca de Investimentos: Na visão de Biagioli, existem dois caminhos: manutenção pelos próprios sócios ou recursos de terceiros. Entretanto, em ambos os casos é preciso tomar as devidas precauções legais para conseguir realizar todos os processos adequadamente.
  • Foco na Qualidade: A quantidade não deve ser relevante, mas sim a qualidade da iniciativa e como ela vai impactar a vida das pessoas envolvidas.

Portanto, apesar da disparidade social brasileira ainda ser latente, principalmente dentro da advocacia existem iniciativas como o ITRW que buscam igualar as chances para setores mais excluídos da sociedade. Através de atitudes como essa, o texto promulgado em 1948, pode se manter atual, e ainda ser um norte para um futuro melhor e mais igualitário.

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