A formalidade na vestimenta dos profissionais do mundo jurídico é um dogma que a cada dia tem caído por terra. Isso não significa, contudo, que seja um processo fácil: há uma realidade em transição, que é acompanhada de contradições e conflitos.
Um pouco mais da metade dos escritórios que participaram da pesquisa para o e-book ANÁLISE ADVOCACIA DIVERSIDADE E INCLUSÃO 2023 da Análise Editorial respondeu que ainda tem um dress code instituído no escritório - no entanto, 17% não têm essas regras formalizadas.
Letícia Rodrigues, sócia da Tree Diversidade, empresa especializada em consultoria de D&I, explica que o dress code ainda pode ser necessário dentro de alguns ambientes para o business funcionar.
Ela destaca, contudo, que para a regra ser justa e clara, é necessário que ela seja colocada de forma objetiva e acessível para todos. "Um dos maiores problemas é achar que todo mundo é obrigado a seguir uma regra que não existe em lugar nenhum. Nessas situações, acabam valendo os vieses dos gestores e das lideranças na hora de corrigir."
O dress code tangencia questões ligadas à identidade das pessoas - como o cabelo afro, que contempla desde o black power até tranças e dreadlocks. Dentre as 333 bancas que participaram da pesquisa este ano, 12% responderam que não permitem o cabelo afro no ambiente de trabalho.
Outros pontos já encontram mais abertura: 91% dos escritórios permitem maquiagens ou unhas coloridas, 81% toleram tatuagens e piercings aparentes e a maioria já liberou o uso de tênis e calça jeans. Adornos religiosos (como crucifixos, escapulários, medalhas e guias afro-brasileiras) são permitidos em 84% das bancas que responderam à pesquisa.
"O posicionamento da banca faz parte da sua estratégia. Com o dress code é a mesma coisa", afirma Leticia. Na sua experiência com consultorias em D&I, ela afirma que a cultura de vestimenta está passando por uma transformação em toda a sociedade. "Cultura não se muda da noite para o dia e, se ainda for necessário manter alguma regra mais rígida para o business funcionar, vamos escrevê-la. Vamos trazer exemplos e montar uma cartilha sem discriminação", diz a sócia.

