A Pesquisa FIA — Lugares Incríveis para Trabalhar 2025, que anualmente avalia o clima organizacional e as práticas de gestão de centenas de empresas do Brasil, lança um olhar detalhado sobre os escritórios de advocacia, revelando uma cultura interna sólida nos pilares de relacionamento, porém com desafios significativos em aspectos de remuneração, reconhecimento e bem-estar.
O levantamento aponta que, no ambiente jurídico, a confiança e a qualidade das relações interpessoais são os grandes diferenciais. Os dados da pesquisa destacam ainda uma percepção altamente positiva dos colaboradores em relação ao trabalho em equipe e à liderança. A confiança entre colegas é alta, há forte disposição para a ajuda mútua e o compartilhamento de conhecimento.
Além disso, as equipes estão alinhadas para "entregar o melhor para o cliente final" e os líderes são percebidos como profissionais que "conhecem profundamente sua área de atuação", inspirando confiança e apoiando ativamente o desenvolvimento profissional. A infraestrutura e integração entre as diversas áreas da empresa também são bem avaliadas.
Entretanto, em contraste com os pontos fortes de cultura, o estudo indica que a satisfação é significativamente impactada por fatores ligados a recompensas, reconhecimento e bem-estar. A remuneração total (salário, benefícios e remuneração variável), assim como a quantia recebida como participação nos resultados, é considerada menos justa pelos colaboradores.
O volume de trabalho surge como um fator de desequilíbrio, com muitos profissionais indicando que não conseguem finalizar suas tarefas no horário normal, comprometendo o "tempo dedicado ao trabalho com a vida pessoal". Além disso, há um sentimento de que os colaboradores "não se sintam tão protagonistas" na empresa, e a sensação mais frequente ao final do dia não é de realização profissional. Os treinamentos oferecidos não atendem de maneira satisfatória às necessidades do trabalho e ainda existe uma lacuna em mecanismos de compliance e transparência.
A advocacia como negócio: um caminho em construção
A transformação dos escritórios de advocacia em empresas modernas e competitivas passa necessariamente pela valorização do capital humano. Enquanto a cultura organizacional e as relações interpessoais têm sido cultivadas com êxito em muitas bancas, uma lacuna crítica se revela quando o assunto é a satisfação e retenção de profissionais: a falta de equilíbrio entre demandas do trabalho e qualidade de vida, somada a políticas de recompensa que nem sempre acompanham o ritmo do mercado.
"Os escritórios de advocacia mostram ter construído uma base cultural robusta, onde a confiança, o trabalho em equipe e a qualidade da liderança são inegáveis. No entanto, os dados revelam um ponto de inflexão: essa base relacional não está sendo suficiente para manter e motivar talentos quando os fatores de recompensa, como a remuneração justa e os benefícios, e, principalmente, o equilíbrio entre a vida pessoal e o volume de trabalho, não acompanham", aponta Lina Nakata, uma das responsáveis pela Pesquisa e professora da FIA Business School.
Mas a adesão das bancas a esse tipo de levantamento ainda é incipiente. Isso também denota que, enquanto alguns escritórios já se organizam para adotar práticas de gestão sacramentadas em outros setores, na advocacia de modo geral, investir no desenvolvimento de pessoas é um caminho em construção.
Para estimular mais escritórios de advocacia a conhecer a pesquisa, a FIA, uma das escolas de negócios mais respeitadas do Brasil, se juntou à Análise Editorial, a principal referência de rankings e produção de dados do setor jurídico no país. "Enxergar a prática da advocacia como um negócio está evoluindo, mas é um movimento relativamente recente no Brasil. Os insights que a pesquisa da FIA é capaz de produzir são ferramentas valiosas para quem busca diferenciação e qualidade na prestação de serviços", afirma Silvana Quaglio, diretora-presidente e publisher da Análise Editorial. "Por isso, vemos muito valor nessa parceria entre a FIA e a Análise", complementa.
Para Lina Nakata, a mudança não pode esperar. "Diante do que já percebemos, para um crescimento sustentável, o setor precisa urgentemente transformar esse ciclo de desequilíbrio e investir em políticas concretas que traduzam o bem-estar e o reconhecimento em práticas diárias e tangíveis, mostrando ao colaborador que ele, de fato, faz a diferença", conclui.
Sobre a Pesquisa
A metodologia FEEX foi criada na década de 1980, na FEA-USP, pelos professores doutores André Fischer e Joel Dutra, ambos coordenadores do Programa de Estudos em Gestão de Pessoas (Progep) da FIA Business School. A metodologia é a única baseada em referenciais teóricos seguros e validados academicamente e, anualmente, as informações levantadas promovem melhorias no processo da pesquisa para garantir a produção de dados de qualidade.
O histórico da FIA conta com mais de 2,5 mil organizações que já foram reconhecidas como Lugares Mais Incríveis para Trabalhar, permitindo tomadas de decisões estratégicas e comparação nos diferentes níveis de qualidade de atuação do CEO, liderança, clima organizacional e práticas de gestão. Os Lugares Incríveis para Trabalhar desenvolvem ainda outras soluções para o mercado de RH. Consultoria, palestrantes e workshops também estão no portfólio.

