Entre os levantamentos realizados durante a produção do anuário Análise Executivos Jurídicos e Financeiros, é apresentado como se comporta o atendimento das áreas do Direito dentro dos departamentos jurídicos das maiores empresas do Brasil. O estudo mostra se estas companhias estão terceirizando as demandas totalmente, parcialmente ou resolvendo-as internamente, e analisando as edições da publicação de 2017 a 2020, é possível perceber que a área de Seguros está sendo menos terceirizada de maneira total.
Há três anos, o percentual de empresas que delegavam completamente os assuntos do setor para escritórios de advocacia e o das que os atendiam internamente era o mesmo: 38%. Na edição de 2020 da revista, os números caíram para 34% e 32%, respectivamente. Por outro lado, a terceirização parcial das demandas de Seguros cresceu de 21 para 34 pontos percentuais no mesmo período, mostrando que as organizações estão preferindo, cada vez mais, resolvê-las em conjunto com as bancas advocatícias. Mas o que está influenciando este movimento?
Fabio Ramos, sócio-conselheiro da área Empresarial do escritório Bichara Advogados, explica que o mercado de seguros vem passando por uma constante evolução e sofisticação em termos de produtos, juntamente com um aumento no volume total de contratações. Isso leva ao surgimento de dificuldades enfrentadas pelos segurados no momento da contratação dos seguros, bem como destes e das próprias seguradoras no momento da ocorrência de sinistros complexos, do aviso de sinistro a ser realizado junto às seguradoras e durante a sua regulação. O advogado também ressalta outro ponto: a falta de profissionais corporativos com conhecimento securitário específico e um mercado de seguros com uma regulação cada vez mais atualizada. Juntos, representam um terreno fértil para que a assessoria jurídica externa seja mais requisitada pelos segurados.
Embora o amadurecimento da sociedade em relação à importância dos seguros como mecanismo de mitigação de danos pareça um caminho sem volta, assim como a sofisticação e volume do mercado de seguros e seus produtos, Fabio comenta que não imagina que companhias e colaboradores invistam, na mesma proporção do movimento, em competências que os permitam acompanhá-lo.
Olhando pelo lado das empresas seguradoras, podemos entender melhor como a terceirização parcial das demandas de seguros é eficaz, em diversos aspectos, para resolvê-las. Marcos Krause, diretor jurídico da Chubb Seguros, relata que a área jurídica das seguradoras conta com profissionais generalistas, com habilidades e conhecimentos comerciais e operacionais, capazes de dialogar com outros setores da companhia e terem uma visão maior do negócio como um todo. Para ele, assuntos específicos devem, em geral, ser delegados para escritórios de advocacia especializados no tema.
Na 13ª edição do Análise Executivos Jurídicos e Financeiros, a área de Arbitragem foi identificada como a mais terceirizada, com 67% das empresas recorrendo aos escritórios, enquanto apenas uma em cada dez companhias resolvia as questões da área internamente.
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