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Brasil é o país que mais usa IA nas empresas, aponta pesquisa da PwC

O relatório Global Hopes and Fears 2025 mostra que 71% dos profissionais brasileiros usam inteligência artificial diariamente, índice acima da média global, que é de 54%

28 de January 20h36
(Imagem: Análise Editorial/Divulgação)

No mundo todo, o Brasil é conhecido pelo seu "jeitinho brasileiro". Esse ditado ficou famoso por ser a forma encontrada pelos brasileiros para resolver problemas por meio do "jogo de cintura" e da criatividade. Por isso, em todo o território nacional, os profissionais são mais receptivos à adoção de novas tecnologias a fim de tornar seu trabalho mais eficiente, incluindo a inteligência artificial (IA).

Ao menos é o que indica a pesquisa Global Hopes and Fears 2025, realizada pela PwC, com mais de 49 mil colaboradores em 48 países e regiões, abrangendo 28 setores econômicos. O estudo mostrou que 71% dos profissionais brasileiros usaram IA em suas respectivas funções dentro das empresas em 2025. Mesmo representando uma queda de cinco pontos percentuais em relação a 2024, quando foi apontado que 76% dos profissionais utilizaram a ferramenta, a taxa de uso ainda é maior que a média global, que foi de 54% em 2025.

Cultura de experimentação

Apesar do alto número de colaboradores utilizando inteligência artificial em suas rotinas corporativas, a pesquisa também detalhou a frequência de uso da ferramenta. Enquanto em 2024 o uso diário da IA era de 17%, esse índice subiu para 26% em 2025. Por outro lado, a parcela de pessoas que nunca utilizaram a tecnologia permaneceu estagnada em 23% entre os dois relatórios.

Deise Steinheuser, superintendente executiva jurídica e responsável pelo projeto NoLIT dentro da Tokio Marine Seguradora S/A, iniciativa reconhecida no Prêmio Análise DNA+Fenalaw 2025, afirma que o aumento no uso da ferramenta pelos brasileiros deriva de uma cultura de experimentação latente no país.

Já para Renan Sancho, DPO & Legal Counsel da VTEX, e um dos responsáveis pelo case que conquistou o terceiro lugar na categoria de IA nos departamentos jurídicos no Prêmio Análise DNA+Fenalaw 2025, o uso da tecnologia vai além do perfil individual dos colaboradores, alcançando até mesmo a postura das organizações. Dessa forma, elas acabam sendo mais tolerantes com novas ferramentas e tecnologias que podem trazer mais eficiência aos processos internos.

A desigualdade hierárquica promovida pela IA

Mesmo com o alto uso da IA pelos brasileiros, a pesquisa da PwC apontou que existe uma certa dificuldade na democratização da ferramenta nas empresas. O relatório indica que 72% dos executivos brasileiros contam com os recursos necessários para aprendizado e desenvolvimento. Enquanto isso, entre os profissionais sem cargos de gestão, 58% dizem sentir o mesmo.

Essa disparidade pode gerar um cenário de desigualdade dentro das organizações, com colaboradores em altos cargos tendo acesso mais facilitado a informações e ferramentas para o uso adequado do que outros profissionais. Na visão de Renan Sancho, isso pode ser evitado através da disponibilização de ferramentas contratadas em modelos enterprise, ou seja, adquiridas para a empresa como um todo. Além disso, ele também destaca a motivação interna como algo fundamental.

"É preciso incentivar a exploração e manter internamente colaboradores que sejam curiosos em inovação e tecnologia", afirma Renan. Ele complementa: "É necessário investir na educação dos profissionais. O ideal é buscar cursos que os capacitem não apenas a utilizar a IA, mas também a aprender como atuar dentro das ferramentas já existentes."

Para o head de integridade, auditoria interna e P&PD da Eldorado Brasil Celulose, André Tourinho, eleito Mais Admirado no anuário ANÁLISE EXECUTIVOS 2025, o treinamento é o passo mais importante para que haja uma democratização da tecnologia.

Segundo o executivo, a Eldorado Brasil Celulose realiza treinamentos constantes de capacitação de funcionários, em todos os níveis, para o uso adequado da IA internamente. "Não dá para fechar os olhos para uma tecnologia que pode ser inegavelmente relevante para a empresa, que dá ao empregado a possibilidade de usar e trazer retorno para a organização de forma responsável", conclui.

O futuro é para quem se prepara

O relatório ainda indica que 61% dos profissionais brasileiros acreditam que a inteligência artificial afetará seus empregos de maneira significativa nos próximos três anos, índice também superior à média global, que é de 54%. Para André Tourinho, essas alterações no mercado fazem parte da lógica corporativa há muito tempo.

Por isso, o executivo reforça que a melhor forma de se preparar para o futuro é estar atualizado e pronto para as revoluções, buscando uma evolução constante em sua carreira e aprendizado. Além disso, é importante manter o comprometimento com a empresa e com o seu trabalho, tornando-se, assim, um profissional preparado para o futuro.

Deise Steinheuser, por sua vez, enxerga que o maior risco em relação à IA não é a substituição de postos de trabalho, mas sim dos profissionais não se atualizarem e perderem espaço no mercado. "Eu acredito que não haverá uma tendência de substituição em massa de profissionais, mas uma reconfiguração do trabalho", afirma a executiva.

Na visão de Steinheuser, as organizações e gestores também possuem o papel de incentivar o desejo de atualização dos colaboradores e fazer parte desse processo. Por esse motivo, ela mantém uma expectativa positiva para a ferramenta nos próximos anos.

"A IA não substitui o julgamento jurídico. Ela potencializa o advogado, libera tempo para uma atuação estratégica e permite que o jurídico seja mais preventivo, ágil e relevante para o negócio. Eu acredito que o uso da IA é um caminho sem volta. Ela trará benefícios para todos os tipos de segmentos dentro do nosso país e alavancará a nossa estrutura econômica", conclui a executiva.

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