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Interiorização e especialização marcam o movimento da advocacia mineira

Com a maior participação de cidades mineiras desde 2023, o estado apresenta 122 escritórios e 311 profissionais Mais Admirados no Análise Advocacia Regional 2026

2 de July 11h30

Minas Gerais registrou, em 2026, o maior número de cidades representadas no ANÁLISE ADVOCACIA REGIONAL desde 2023. Ao todo, 11 municípios tiveram escritórios ou profissionais Mais Admirados, contra nove nas duas últimas edições. O movimento indica uma tendência à interiorização da advocacia, em linha com São Paulo, associada à força de setores como agronegócio, mineração, siderurgia, energia e infraestrutura.

Nesta edição, Minas reúne 122 escritórios Mais Admirados, pouco mais de 8% do total nacional de bancas (1.471). Ante 2025, a participação mineira cresceu cerca de um ponto percentual. Entre as bancas eleitas, a maioria é especializada, com 59 escritórios, seguida de perto pelas abrangentes, com 55. Outras oito bancas full service entram no ranking.

Entre os profissionais, o cenário muda. Minas Gerais soma 311 advogados Mais Admirados, pouco mais de 6% do total nacional. A maior parte atua em bancas abrangentes, com 136 nomes. As boutiques aparecem em seguida, com 118 advogados, enquanto os full service reúnem 57 profissionais.

A economia do interior amplia o mapa dos Mais Admirados

Neste ano, três municípios estrearam no ranking estadual: Capelinha, Santa Maria do Suaçuí e Uberaba. Poços de Caldas voltou à lista, depois de não aparecer desde 2022. O movimento de interiorização da advocacia mineira é impulsionado por demandas econômicas mais específicas.

Esse avanço está associado à força do agronegócio e da mineração, avalia Loyanna Menezes, CEO do Abi-Ackel Advogados. Produtores do Triângulo Mineiro buscam escritórios que dominem instrumentos jurídicos e financeiros do setor, como a Cédula de Produto Rural (CPR), o Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA), operações de barter, regularização fundiária e sucessão em empresas familiares rurais sem estruturas organizadas.

A mesma lógica se aplica à mineração, com desafios regulatórios, ambientais e operacionais, incluindo licenciamentos e passivos que ganharam centralidade após os desastres de Mariana e Brumadinho. Com demandas fora da capital, empresas desses segmentos passaram a buscar bancas que compreendam a lógica dos setores e ofereçam atendimento técnico sem depender de Belo Horizonte.

"Ambos os setores possuem universos densos e quem os conhece a fundo não depende de um endereço em Belo Horizonte. Com a virtualização, o sucesso depende de estar dentro da lógica do setor. É por isso que vejo escritórios interioranos conseguindo entregar ao cliente local algo similar ao que uma banca generalista da capital entrega, aumentando assim a capilaridade da advocacia mineira", destaca Menezes.

Boutiques crescem pela confiança do cliente

Além da expansão para fora da capital, o ANÁLISE ADVOCACIA REGIONAL 2026 revela uma disputa mais equilibrada entre bancas especializadas e abrangentes. Desde 2023, os dois modelos oscilam, indicando um mercado em reorganização e mais atento à profundidade técnica.

Nesta edição, as bancas especializadas passaram à frente, com 59 escritórios, o equivalente a 48% do total. Entre os profissionais, porém, advogados de bancas especializadas aparecem atrás dos abrangentes, com 118 nomes, apenas 18 a menos.

Para Paula Andrade R. Chaves, sócia-fundadora do Coimbra, Chaves & Batista Advogados, a procura por boutiques tende a crescer diante do avanço da inteligência artificial. A tecnologia pode automatizar parte do trabalho jurídico, mas não substitui a compreensão do negócio do cliente nem a relação direta com o profissional.

"Com o avanço da IA, o cliente busca um advogado que vá além do que a ferramenta entrega; ele procura um profissional capaz de entender seu negócio. As boutiques geram isso: pessoalidade e proximidade entre advogado e cliente", destaca Chaves.

Já Rodrigo Bebiano Pimenta, sócio do Bebiano Pimenta Advogados, vê espaço para o avanço das boutiques em Minas Gerais. "A tendência é que as boutiques continuem em alta no estado, mas com atuação menos restritiva fora da capital. Teremos profissionais especializados em múltiplos campos", declara Pimenta.

A força dos abrangentes em um mercado fragmentado

Entre os escritórios, os abrangentes aparecem logo atrás das boutiques. Em 2026, foram 55 bancas reconhecidas, apenas quatro a menos que os escritórios especializados. Para André Campos Gregorio, sócio da Campos & Gregorio Sociedade de Advogados, esse cenário reflete a fragmentação e a especialização crescente da demanda em Minas Gerais.

Empresas mineiras passaram a lidar com temas mais técnicos, especialmente em áreas como Mineração, Reforma Tributária e Agronegócio. A mudança favorece bancas com profundidade em nichos específicos, mas também abre espaço para abrangentes capazes de reunir especialistas na mesma estrutura.

"Os escritórios abrangentes possuem uma vantagem estrutural, pois reúnem diversos especialistas sob a mesma marca. Embora o mercado busque especialistas, muitos profissionais continuam vinculados aos escritórios abrangentes", destaca Gregorio.

Entre os profissionais, essa força é mais evidente. Nesta edição, advogados de bancas abrangentes somam 136 nomes, o equivalente a 44% dos Mais Admirados de Minas Gerais. O resultado indica que, mesmo com o avanço das boutiques entre os escritórios, os profissionais dos abrangentes mantêm destaque no ranking estadual.

Para Leonardo de Almeida Sandes, professor em direito corporativo no Ibmec e sócio do Moura Tavares Advogados, esse movimento também aponta para uma descentralização do reconhecimento jurídico, tradicionalmente mais concentrado no eixo paulista.

"Acredito que há potencial de crescimento tanto para os escritórios abrangentes quanto para os profissionais. Também vejo uma tendência de descentralização de São Paulo — passaremos a ter cada vez mais profissionais de outras regiões reconhecidos como admirados, em uma linha de crescimento constante de advogados fora do eixo paulista", prevê Sandes.

Full service passa pelo teste da integração

Dos 122 escritórios Mais Admirados em Minas Gerais, apenas oito são full service, o equivalente a 7% do total. Entre os profissionais, porém, o cenário é mais equilibrado: 57 advogados vinculados a full service foram reconhecidos.

Para Loyanna Menezes, CEO do Abi-Ackel Advogados, esse dado não indica que o mercado ignore essas bancas. Os clientes adotaram uma dinâmica de contratação por especialidade. Nesse arranjo, perde espaço a banca que atua em várias frentes sem se consolidar como referência em nenhuma delas.

Para Menezes, o movimento não deve ser lido como avanço ou retração, mas como reorganização. "Quem ler esse movimento pela chave do melhor ou do pior tomará a decisão errada. O trabalho mais complexo se concentra em poucas estruturas e praças. O trabalho especializado se espalha, ganha capilaridade no interior e se distribui por setor. Quem ficar no meio desse movimento, sem profundidade real e sem integração de verdade, é quem será espremido e jogado fora", finaliza Menezes.

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