DESAFIO
O MDR Advocacia se via diante de um triplo desafio. Primeiro, a subutilização de talentos: advogados altamente capacitados gastavam grande parte do tempo em tarefas repetitivas de cadastro, protocolização e controle de prazos, em vez de atuar em análises estratégicas de casos e desenho de teses. Segundo, a sobrecarga operacional decorrente do crescimento exponencial da carteira de processos, que elevava a pressão por produtividade sem ampliar proporcionalmente os recursos humanos. Terceiro, o risco sistêmico de falhas, a dependência de digitação e atualização manual de dados críticos abria margem para erros que podiam comprometer prazos legais, gerar retrabalho, afetar a conformidade regulatória e expor o escritório a contingências financeiras e reputacionais.
Diante desse cenário, a melhoria desejada era urgente e ambiciosa: orquestrar uma transformação digital robusta que automatizasse rotinas de baixo valor agregado, reduzisse custos operacionais e implantasse um modelo de governança de dados capaz de oferecer visibilidade em tempo real sobre indicadores-chave. O propósito final era liberar o potencial criativo do time, acelerar a tomada de decisões baseadas em insights confiáveis e posicionar o escritório como referência nacional em excelência jurídica impulsionada por tecnologia.
SOLUÇÃO
A solução encontrada foi estabelecer o HIT.lab - Hub de Inovações Tecnológicas, um ecossistema permanente de pesquisa, desenvolvimento e difusão de tecnologia que abandonou a lógica de projetos isolados para abraçar a inovação contínua. Mais do que um departamento de TI ampliado, o hub tornou-se o motor central da transformação digital do escritório, institucionalizando uma cultura de experimentação ágil, melhoria constante e colaboração multidisciplinar entre advogados, desenvolvedores, cientistas de dados, etc.
A atuação do HIT.lab é holística. Na camada de automação robótica de processos (RPA), robôs proprietários como o OneRequest e o OneImport estão em desenvolvimento para substituir tarefas repetitivas de coleta, extração e importação de dados, encurtando prazos que antes consumiam dias para poucas horas. Paralelamente, a inteligência artificial aplicada ao Direito ganha corpo com modelos treinados em jurisprudência interna para classificar demandas, prever desfechos processuais e, mais recentemente, gerar textos técnicos por meio do GPT Advocacia, liberando o time para análises de maior complexidade. Esses fluxos geram dados que abastecem dashboards analíticos em tempo real, oferecendo visibilidade granular de KPIs como ciclo de vida processual, índice de acordos e custo unitário, o que fundamenta decisões estratégicas e renegociações com clientes.
Uma equipe multidisciplinar foi formada, combinando expertise jurídica com conhecimento técnico avançado em desenvolvimento de sistemas, e essa sinergia entre profissionais do direito e tecnologia, majoritariamente jovens, garante soluções inovadoras e adequadas às necessidades do mercado. Metodologias ágeis como SCRUM e Kanban foram adotadas para maximizar a eficiência e transparência dos processos, com reuniões quinzenais ou semanais focadas em entregas incrementais e aprendizado coletivo.
A transformação não se limita à tecnologia: um programa estruturado de capacitação em RPA, analytics, low-code e IA coloca todos, dos estagiários aos sócios, na mesma página digital. A capacitação e adoção são fases contínuas, com treinamentos estruturados (sessões presenciais e virtuais, manuais, guias e vídeos tutoriais) e uma gestão da mudança que inclui um plano de comunicação estruturado, grupos de trabalho e curadoria de conteúdo. A implantação dos sistemas é gradual, com suporte direto à equipe até a substituição completa dos processos manuais.
IMPLEMENTAÇÃO
A implantação do HIT.lab foi planejada como um programa contínuo, e não uma ação pontual, seguindo um modelo ágil, colaborativo e incremental. A primeira etapa, consistiu em definir missão, visão e princípios de governança: transformar problemas jurídicos complexos em soluções digitais escaláveis, com ciclos curtos de experimentação e feedback. Criou-se então um comitê de governança formado por sócios, coordenadores jurídicos e líderes de tecnologia, responsável por validar backlog, alocar recursos e monitorar indicadores de valor entregue.
Em paralelo, o escritório reuniu uma equipe multidisciplinar que mistura advogados, desenvolvedores full-stack, e designers. O entrosamento entre direito e tecnologia tornou-se a base para respostas rápidas e alinhadas às necessidades do mercado. Para orquestrar o trabalho, adotaram SCRUM para projetos com horizonte mais longo (sprints quinzenais) e Kanban para demandas contínuas, garantindo transparência de prioridades e fluxo constante de entregas. Todas as tarefas, roadmaps e OKRs são rastreados no ClickUp, que serve de repositório único de documentação, métricas e lições aprendidas.
O processo de desenvolvimento segue a lógica "problema-protótipo-MVP-escala". Primeiro, o escritório identificou gargalos junto às equipes operacionais; depois criou protótipos de baixa fidelidade, validaram com usuários-chave e só então evoluiram para um MVP funcional. Essa abordagem guiou, por exemplo, o OneRequest: um robô em Python + Playwright que extrai DMIs, aliado a um front-end Flask para distribuição automática das pendências. O mesmo ciclo se aplicou ao OneImport, que automatiza a extração e importação de processos onde não há API disponível, e ao OneSync, um híbrido de RPA e interface web que atualiza o Legal One mesmo com campos dinâmicos e validações complexas.
A cada incremento, o escritório realizou testes unitários, avaliações de segurança e validações de UX antes de liberar em produção. Métricas de sucesso, tempo poupado, erros evitados, adoção pelo usuário, são monitoradas em dashboards internos, usados nas retrospectivas para refinar requisitos ou ajustar rotinas. Paralelamente, mantiveram um programa permanente de capacitação: workshops práticos, trilhas de microlearning on-demand e plantões de dúvida que acompanham qualquer nova solução até sua adoção plena.
Esse ciclo iterativo, governança clara, times híbridos, métricas de valor e aprendizado contínuo, tornou o HIT.lab um ecossistema resiliente e adaptável, capaz de lançar, ajustar e escalar automações e modelos de IA sem interromper a operação jurídica do escritório.
RESULTADO
O HIT.lab já opera em fase avançada de implementação, com vários projetos convivendo em diferentes estágios, alguns em produção, outros em testes ou ainda em desenho, e metodologias ágeis plenamente incorporadas à rotina do escritório. Paralelamente, o programa interno de capacitação mantém cronogramas ativos para nivelar habilidades em automação, analytics e inteligência artificial, garantindo que a adoção tecnológica seja homogênea em toda a equipe.
Nos primeiros meses, as primeiras automações entregues reduziram entre 30 % e 40 % o tempo despendido em tarefas operacionais — exatamente o intervalo previsto no cronograma de curto prazo. Em fluxos já totalmente cobertos por robôs, a participação humana caiu em até 70 %, liberando horas preciosas para análises estratégicas e diminuindo retrabalho associado a falhas de digitação ou de conferência manual.
No médio prazo, o escritório projeta, e já observa sinais concretos, de economia operacional na faixa de 25 % a 35 %, à medida que a automação se expande e o dashboard executivo consolida dados de produtividade, custos e riscos em um único painel de consulta. Essa visibilidade passa a sustentar decisões táticas e estratégicas baseadas em fatos, não em suposições, além de fortalecer o compliance por meio de auditorias rápidas e rastreáveis.
Os ganhos não são apenas numéricos. A cultura de inovação foi assimilada: equipes multifuncionais trabalham em sprints curtos, experimentam soluções-piloto e interagem a partir de feedback contínuo. Esse ambiente colaborativo já atraiu profissionais interessados em tecnologia e impulsionou o engajamento interno, reforçando o propósito de que cada advogado dedique seu tempo ao que realmente agrega valor jurídico.
Para o longo prazo, o HIT.lab mantém o plano de transformar o modelo em referência replicável, tanto para outras unidades do escritório quanto para potenciais parcerias externas, e consolidar o escritório como protagonista nacional em transformação digital aplicada ao Direito. Ao converter desafios operacionais em vantagem competitiva, o hub demonstra na prática que eficiência e excelência podem caminhar juntas quando dados, automação e pessoas trabalham em perfeita sintonia.

