O Itaú Unibanco divulgou nesta semana que atingiu um lucro recorde de R$ 46,8 bilhões em 2025, um crescimento de 13,1% em relação a 2024, quando fechou com R$ 41,4 bilhões. Somente no quarto trimestre, o banco lucrou R$ 12,3 bilhões e obteve um Retorno Sobre Patrimônio Líquido (ROE) de 24,4%, o melhor desde 2015. Além disso, foi registrado um crescimento de 6% em sua carteira de crédito, enquanto a inadimplência seguiu estável em 1,9%.
Crescimento no crédito imobiliário
Segundo o Itaú Unibanco, um dos maiores pilares que contribuíram para esse lucro recorde foi o crescimento no crédito imobiliário. O banco registrou um aumento de 12,8% em relação ao ano anterior, o que contribuiu diretamente para o montante apontado pela instituição.
Um dos fatores que impulsionaram esse aumento, na visão de Arthur Longo Ferreira, sócio de Direito dos Mercados Financeiro e de Capitais do Henneberg Ferreira Marques Advogados, foi a Lei nº 14.711, conhecida como Marco Legal das Garantias. A legislação reforçou a execução extrajudicial, aplicando o uso de garantias reais (inclusive sobre bens móveis) e permitindo a reutilização de garantias. Com isso, houve o fortalecimento da segurança jurídica do credor e a redução de custos e do tempo de recuperação do crédito, impactando a eficiência do sistema financeiro.
De acordo com Arthur, essa alienação fiduciária alterou o comportamento dos devedores, que agora estão cientes de que há muito mais em risco com a nova legislação. Consequentemente, essa percepção de rigor jurídico refletiu na forma como os clientes gerem suas dívidas imobiliárias.
"Com a nova lei, o banco consolida a propriedade do imóvel de uma forma muito mais rápida, levando-o a leilão. Em comparação ao que ocorria antigamente pelo Judiciário, o processo está bem mais eficiente. Dessa forma, os devedores se comportam de uma maneira mais temerosa, já que o banco pode tomar o imóvel rapidamente", afirma Arthur.
Roberto Tebar Neto, sócio do Tebar Advogados, segue a mesma linha de pensamento. Para ele, a alienação fiduciária dá mais celeridade e maior segurança à recuperação de crédito. Isso gera impactos positivos para todo o cenário imobiliário, o que ajudou a impulsionar esse resultado histórico. "Essas são características importantes para a população, pois possibilitam o oferecimento de créditos mais baratos ao mercado", afirma Tebar.
Instituição saudável
Entre os indicadores cruciais para fundamentar o lucro do Itaú Unibanco está o Índice de Basileia. No fechamento de 2025, o banco registrou um índice consolidado de 15,2%, um recuo em relação a 2024, quando foi de 16,2%. No Brasil, essa porcentagem serve para medir o quanto uma instituição possui de capital próprio para absorção de riscos, evitando crises sistêmicas.
Apesar de o Banco Central (BC) impor um mínimo regulatório de 11%, no caso de grandes instituições financeiras essa porcentagem costuma ficar entre 13% e 15%, patamares que ficam acima do piso por conta de colchões de segurança adicionais. Caso os bancos fiquem abaixo dessa porcentagem, isso pode indicar que entraram em risco regulatório; se estiverem muito acima, por outro lado, pode sinalizar uma alocação de capital ineficiente.
Arthur Longo Ferreira destaca que, pelo índice, o Itaú Unibanco possui uma postura conservadora de acúmulo de capital, o que se reflete positivamente na saúde da instituição. "Quando o banco fala também de provisões para devedores duvidosos, é basicamente isso: reservar uma poupança de quase 39 bilhões para fazer frente a essas inadimplências que ele imagina sofrer. Isso tudo ajuda na governança e nos números do banco", afirma.
Quanto mais tecnologia, mais eficiência
Dentro dos índices, o Itaú Unibanco também revelou que investiu R$ 66,8 bilhões em tecnologia e pessoal. Isso elevou o índice de eficiência para 38,9%, um patamar histórico que, segundo a instituição, serviu para otimizar custos e contribuiu diretamente para a margem de lucro da empresa.
Roberto Tebar Neto afirma que o setor bancário tem sido influenciado pelo desenvolvimento dessas novas tecnologias. Segundo ele, existe uma preocupação com a qualidade e a segurança do serviço prestado dentro das plataformas, e é por isso que os investimentos não param de aumentar. "Não há espaço para um crescimento no setor bancário sem que haja um aparato tecnológico que cative o consumidor e que, principalmente, garanta segurança e conformidade regulatória."
Para Arthur Longo, apesar de essa ser uma questão mais operacional, o investimento em tecnologia ajuda na prevenção de fraudes e na criação de sistemas de controle mais robustos. Para o sócio, esse aporte simplifica e automatiza o controle, gerando menos custo operacional para a adequação às normas do Banco Central.
"Isso tudo, com certeza, é um investimento que vai dar retorno ao banco à medida que ele ganha economia no dia a dia com esses procedimentos automatizados e, provavelmente, com o uso de inteligência artificial e sistemas robustos", conclui o sócio.

