O teste do tempo: A evolução do total de advogados nas maiores bancas do país em duas décadas | Análise
Análise
Buscar escritórios e advogados

O teste do tempo: A evolução do total de advogados nas maiores bancas do país em duas décadas

Das 38 maiores bancas de 2006, treze desapareceram do ranking em vinte anos e apenas três estão hoje melhor posicionadas do que estavam

15 de Setembro 12h28

O que você fica sabendo aqui

  • Acompanhamos os 38 escritórios que tinham 50 ou mais advogados em 2006, e comparamos com as edições de 2006, 2016 e 2026 do ANÁLISE ADVOCACIA.
  • Dos 38 escritórios do grupo original, 13 deixaram de aparecer no ranking em duas décadas, e nenhum dos que subiram de posição numa década sustentou essa alta na seguinte.

A volatilidade e a dificuldade de se manter no ranking

Sustentar posições de destaque ou até mesmo a permanência entre as maiores bancas ao longo de duas décadas provou ser um desafio. Dos 38 escritórios que compunham o grupo original em 2006 com 50 ou mais advogados, apenas 3 terminaram 2026 em uma posição melhor do que na primeira edição (Lefosse, Mattos Filho e SiqueiraCastro).

Inchaço dos quadros e crescimento médio das bancas

A média de advogados por escritório no grupo original mais do que dobrou em vinte anos, saltando de 128 profissionais em 2006 (total de 4.870 advogados) para 293 em 2026 (total de 7.313 advogados considerando os 25 remanescentes), o que representa um crescimento de 128%.

Concentração e mortalidade no ranking

Dos 38 escritórios originais, 13 deixaram de aparecer no ranking ao longo dessas duas décadas (6 saíram até 2016 e outros 7 sumiram até 2026). Isso demonstra que fusões, encerramentos, mudanças de estratégia ou a perda de relevância numérica frente à concorrência alteraram o mapa das grandes bancas.

Aumento da litigiosidade (Processos por advogado)

A carga de trabalho individual acompanhou a expansão das bancas ao longo das duas décadas. Enquanto a média de profissionais por escritório mais do que dobrou entre os remanescentes, crescendo 128% no período, a proporção média de processos por advogado avançou 98%: de 164 em 2006 para 208 em 2016, chegando a 325 em 2026. Em cada ano, a média considera apenas os escritórios que declararam o dado.

Estratégias divergentes de gestão

Enquanto algumas bancas optaram por um crescimento orgânico/inorgânico (como o Lefosse, que saltou de 66 advogados em 2006 para 345 em 2026), outras seguiram o caminho oposto, optando por readequações de porte em suas estruturas para focar em modelos de maior valor agregado ou boutiques especializadas (a exemplo de movimentos como o do Wald, Antunes, Vita e Blattner Advogados).

Tamanho não é garantia absoluta de prestígio

O levantamento mostra que, embora a escala importe, o volume de profissionais por si só não dita o sucesso. Bancas que optaram por redimensionar suas operações ainda conseguiram preservar sua reputação e liderança de admirações no mercado.

Os maiores em 2006

Em 2006, a régua de corte do levantamento foi simples: 50 advogados ou mais. Passaram por ela 38 escritórios que responderam à pesquisa do ANÁLISE ADVOCACIA daquele ano, de onde foram tirados os dados deste levantamento.

Juntos esses escritórios reuniam 4.870 advogados, uma média de 128 profissionais por escritório. Para dar a régua certa: essa média equivale a um terço da soma de profissionais do Demarest, que sozinho já reunia 392 advogados naquele ano e liderava a lista de soma de advogados isoladamente.

A oscilação de uma década

Entre as edições de 2006 e 2016, apenas quatro escritórios conseguiram subir de posição. Destes, o Trigueiro Fontes Advogados foi a oscilação mais ousada: saiu do 34º lugar para o 29º, um salto de 5 posições, a maior alta do período. Logo atrás vem o SiqueiraCastro, do 5º para o 2º, avançando 3 lugares. Dannemann Siemsen e Azevedo Sette Advogados fecham a lista, cada um subindo apenas uma posição, o suficiente para entrar no grupo, mas pouco diante do tamanho da queda do resto da tabela.

Em 2016, sete em cada dez escritórios do grupo original perderam posições no ranking por total de advogados. A maior foi a opção de Wald, Antunes, Vita e Blattner Advogados de encolher seu quadro de funcionários, saindo de 27º direto para o 185º lugar.

Além disso, seis bancas deixaram de aparecer na pesquisa nesse período: Noronha Advogados, Gouvêa Vieira Advogados, Bastos-Tigre, Lopes e Freitas Advogados e De Rosa, Siqueira, Almeida, Barros Barreto e Advogados Associados, além de Momsen, Leonardos & Cia e Xavier Bragança Advogados (essas duas últimas devido a cisões). Nenhum desses seis escritórios retornou na edição de 2026.

As médias de 2016

Com essas seis saídas, a edição de 2016 fecha com 32 escritórios do grupo original. Juntos, eles reúnem um total de 6.784 advogados, uma média de 212 profissionais por escritório, 65% acima da média de 128 registrada em 2006.

Quando falamos de processos, o salto é ainda maior. Dos 32 escritórios, 23 declararam o volume, somando 1.017.463 processos, mais do que o dobro do total de 2006. Dividida entre os que declararam, a média chega a 208 processos por advogado, ante 164 na edição anterior.

Os escritórios após vinte edições

Na segunda década, dez escritórios do grupo avançaram de posição. O Lefosse foi quem mais subiu: saiu do 59º lugar para o 17º, um ganho de 42 posições. O Brasil Salomão e Matthes Advocacia vem em seguida, da 52ª para a 32ª colocação, avanço de 20 lugares.

O Bermudes Advogados sobe 11 posições, e um pelotão de cinco bancas, sendo elas: Machado Meyer, Mattos Filho, BMA Advogados, Villemor Amaral e Demarest subiu entre 2 e 4 posições cada. E por fim, a lista é fechada por Veirano e Martinelli, que ganham um lugar cada dentro do ranking.

Em contrapartida, 14 escritórios se moveram para baixo na tabela, alguns porque encolheram o quadro de profissionais, outros porque cresceram em um ritmo mais lento do que o resto do mercado. O Emerenciano, Baggio & Associados foi quem mais recuou na década: caiu do 129º para o 253º lugar, uma oscilação de 124 posições.

Outras quedas expressivas ficaram por conta do Leite, Tosto e Barros e do Ulhôa Canto, que recuaram 67 e 47 posições no ranking, terminando em 106º e 108º lugares, respectivamente.

Além disso, sete escritórios que ainda apareciam em 2016 saíram do ranking em 2026: Levy & Salomão; José Oswaldo Corrêa; Wald, Antunes, Vita e Blattner; Castro Barros Advogados; Velloza Advogados Associados; Duarte Garcia, Serra Netto e Terra; e Trigueiro Fontes Advogados, sendo que essa era uma das bancas que haviam subido na edição de 2016.

As médias de 2026

Somando aos sete que saíram do ranking entre 2016 e 2026, e aos seis que já estavam fora desde 2016, restaram apenas 25 escritórios do grupo original dentro da 20ª edição do anuário ANÁLISE ADVOCACIA. Juntos, reúnem 7.313 advogados, uma média de 293 por escritório, 38% acima da média de 212 registrada na década anterior.

Em processos, 20 dos 25 escritórios declararam a quantidade, somando 1.744.488 processos, mais de 70% acima da soma de 2016. Dividida entre os que declararam, a média chega a 325 processos por advogado, ante 208 na edição anterior.

O histórico de duas décadas

De todo o grupo original de 2006, apenas três escritórios terminaram 2026 em uma posição melhor do que estavam na primeira edição do anuário. O Lefosse lidera essa lista isoladamente. Embora tenha recuado para a 59ª posição em 2016, recuperou-se na década seguinte, fechou em 17º lugar em 2026, um saldo positivo de 9 posições na comparação direta com o 26º lugar de 2006.

O Mattos Filho vem logo em seguida, subindo da 7ª para a 4ª colocação, com um avanço de 3 lugares. Em terceiro vem o SiqueiraCastro, que saiu do 5º para o 3º posto, com 2 posições de diferença a seu favor.

Na outra ponta, 22 escritórios que seguem na tabela se moveram para posições mais baixas ao longo de duas décadas, parte porque cresceram em um ritmo mais lento do que o resto do mercado, parte porque optaram por um quadro de colaboradores mais enxuto.

O Emerenciano, Baggio & Associados é quem mais se deslocou: começou em 11º em 2006 e terminou em 253º, uma distância de 242 posições, o maior deslocamento de toda a tabela. O Machado Associados vem logo atrás, com 154 posições de diferença entre o início e o fim da análise, caindo do 31º para o 185º lugar.

A média de duas décadas

Enquanto em 2006, os 38 escritórios do grupo somavam uma média de 128 advogados, em 2026, os 25 que restaram têm em média 293 profissionais por banca, mais do que o dobro em duas décadas, e um crescimento de 128%.

Em processos, a média por advogado saltou de 164 em 2006 para 325 em 2026, uma alta de 98%. Embora seja um aumento expressivo na carga individual de trabalho, ele ficou ligeiramente abaixo do ritmo de expansão do tamanho médio das bancas, que cresceu 128% no mesmo período.

Por fim, duas décadas depois, o grupo original apresenta um retrato bem diferente do inicial. Dos 38 escritórios que compunham a régua de 2006, apenas 25 permanecem na edição de 2026. O ganho de escala foi a tendência geral da maioria dos remanescentes, mas a variação de posições até mesmo entre os líderes mostra que a manutenção do porte e do ritmo de crescimento é essencial para manter a relevância no mercado jurídico.

Portanto, se este comparativo prova alguma coisa, é que chegar ao topo é mais fácil do que ficar nele.

Como chegamos a esses números?

Este levantamento foi construído a partir de dados declarados pelos próprios escritórios aos anuários ANÁLISE ADVOCACIA 2006, 2016 e 2026, publicados pela Análise Editorial.

O grupo de 38 escritórios é fixo. O corte de 50 advogados ou mais, somando sócios e não sócios, foi aplicado uma única vez, sobre a edição de 2006. As mesmas 38 bancas foram acompanhadas nas edições seguintes, independentemente de terem se mantido acima dessa marca, como foi o caso do Emerenciano, Baggio & Associados, que chega a 2026 com 39 advogados e segue na tabela.

As tabelas de movimentação comparam a posição de cada escritório no ranking de total de advogados de um ano para o outro. O ranking usado é o de todos os escritórios pesquisados naquela edição, não apenas os 38 do grupo fixo. A seta indica o sentido do movimento, não o número: nas colunas de posição, subir significa ir para um número menor.

Três marcadores aparecem no lugar dos números. O "=" identifica quem terminou o período na mesma posição em que começou. O "X" identifica quem saiu do ranking no período, e, por consequência, não tem total de advogados naquele ano, já que o dado vem da própria pesquisa. Na tabela de 2016 a 2026, "Fora" distingue as seis bancas que já haviam deixado o levantamento antes de 2016, para não contá-las duas vezes como saída.

As médias de advogados por escritório são calculadas ano a ano, sobre quem estava no ranking daquela edição: 38 escritórios em 2006 (4.870 advogados), 32 em 2016 (6.784) e 25 em 2026 (7.313). Pelo mesmo critério, o total de advogados adicionados em cada período é a diferença entre esses totais, por isso as duas décadas somam exatamente os vinte anos. Já as contagens de quem ganhou ou perdeu advogados exigem comparar o escritório consigo mesmo e cobrem apenas quem declarou o dado nos dois anos do período.

A proporção de processos por advogado, em cada linha, é o total de processos declarado pelo escritório dividido pelo seu próprio total de advogados naquele ano. Já a média citada ao longo do texto é ponderada: soma de todos os processos declarados, dividida pela soma de advogados apenas dos escritórios que declararam o dado, não a média simples das razões individuais. Quem não declarou processos fica fora desse cálculo, mas continua somado ao total de advogados do grupo.

ANÁLISE ADVOCACIA 2006ANÁLISE ADVOCACIA 2016ANÁLISE ADVOCACIA 2026Azevedo Sette AdvogadosBastos-Tigre, Lopes e Freitas AdvogadosBermudes AdvogadosBMA AdvogadosBrasil Salomão e Matthes AdvocaciaCastro Barros AdvogadosDannemann SiemsenData AnáliseDe Rosa, Siqueira, Almeida, Barros Barreto e Advogados AssociadosDemarestDuarte Garcia, Serra Netto e TerraEmerenciano, Baggio & AssociadosGouvêa Vieira AdvogadosLefosseLevy & SalomãoMachado AssociadosMachado MeyerMattos FilhoNoronha AdvogadosSiqueiraCastroTrigueiro Fontes AdvogadosUlhôa CantoVelloza Advogados AssociadosVillemor AmaralWald, Antunes, Vita e Blattner Advogados