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Marketing jurídico: cada vez mais escritórios investem em equipes especializadas no tema

Especialistas apontam que as novas regras de publicidade estabelecidas pela OAB contribuíram para a expansão de serviços na área

17 de January de 2022 8h

Para se posicionar no mercado e conquistar clientes através da oferta de serviços segmentados, escritórios de advocacia estão investindo cada vez mais em marketing jurídico. Conforme dados da última edição do anuário ANÁLISE ADVOCACIA, cerca de 44% das bancas participantes afirmaram ter uma equipe de marketing com profissionais especializados. Dentre estas firmas, duas em cada dez contratam diretamente os profissionais, enquanto a maior parte (77%) terceiriza a atividade para uma agência de comunicação.

Com as novas regras sobre publicidade na advocacia estabelecidas pela OAB no provimento 205/2021, foi autorizado o uso de ferramentas tecnológicas, patrocínio e impulsionamento através de redes sociais, desde que não se trate de publicidade contendo a oferta de serviços jurídicos. De acordo com Clarice Chiquetto, jornalista especializada em corporate affairs pela Fundação Getulio Vargas (FGV), tal modernização contribuiu para o crescimento e valorização da área; ela é fundadora da Chiquetto Comunica, consultoria que realiza produção de conteúdo, atendimento à assessorias de imprensa, projetos de comunicação interna e outros serviços para escritórios de advocacia.

Clarice percebeu que havia uma necessidade no mercado de consultores especializados, principalmente em bancas de pequeno e médio porte, nas quais há uma demanda considerável de marketing mas não uma estrutura que justifique a criação de um departamento; existem, ainda, casos onde há poucos profissionais internos para tratar de um grande volume de tarefas. Nestas situações, segundo a jornalista, o formato de consultoria é o ideal, já que permite que os advogados foquem na prestação de serviços jurídicos. Ela explica, ainda, que contratar uma agência também traz bons resultados, pois assegura que o trabalho será realizado por experts no assunto, que estão sempre se atualizando e buscando novas ideias.

Para o analista de marketing do ASBZ Advogados, Vinícius Araújo, a escolha entre ter uma equipe interna de marketing ou terceirizar os serviços depende dos objetivos estratégicos de cada escritório. Ele reconhece que o custo de contratar uma agência pode compensar em um primeiro momento, mas um departamento interno é capaz de entregar mais assertividade na produção, bem como ter uma melhor vivência da cultura organizacional. O profissional avalia, por fim, que investir em uma estrutura própria acaba trazendo mais retornos.

A fim de fortalecer o employer branding, Vinícius relata que o ASBZ Advogados estabeleceu um comitê de marketing multidisciplinar, com a participação de advogados, sócios e funcionários administrativos. Entre as atividades do comitê, estão:

  • rebranding da identidade visual de materiais enviados aos clientes;
  • criação de cartões de visita eletrônicos;
  • desenvolvimento do site e de uma nova plataforma de data intelligence a ser lançada.

Para a produção de conteúdo em redes sociais, Clarice explica que a Chiquetto Comunica trabalha em conjunto com as bancas jurídicas, alinhando os interesses; ela diz que a consultoria é responsável por redigir publicações e programar postagens, mas que há casos nos quais a banca envia o conteúdo para ser revisado e sua equipe aplica uma linguagem menos técnico-jurídica e mais agradável e descomplicada para as redes. Já no ASBZ, Vinicius conta que os conteúdos são divididos entre a programação estratégica — que inclui datas importantes, lives e participação dos profissionais em eventos — e as demandas mais imediatas, relacionadas a artigos e entrevistas.

Sobre as plataformas mais utilizadas, tanto Clarice quanto Vinicius afirmam que o LinkedIn permanece como a rede preferida pelos advogados, mas o Instagram também se destaca, principalmente após as novas regras sobre publicidade definidas pela OAB. De acordo com o ANÁLISE ADVOCACIA 2021, nove em cada dez escritórios mantém perfis ativos no LinkedIn, enquanto 62% o fazem no Instagram; a pesquisa também contabiliza dados de plataformas como Spotify e Deezer, tendo em vista a popularização dos podcasts jurídicos, uma das principais tendências para a advocacia em 2022. Leia mais sobre esta projeção clicando aqui.

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