Descubra quais foram as três especialidades com o maior número de Mais Admirados | Análise
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Descubra quais foram as três especialidades com o maior número de Mais Admirados

O ANÁLISE ADVOCACIA 2026 apresenta Cível, Trabalhista e Tributário como as áreas Mais Admiradas da pesquisa e o destaque vai para as bancas especializadas

9 de December de 2025 16h48

As indicações do ranking dos "Mais Admirados" revelam, ano após ano, um retrato das áreas que mais se destacam no mercado jurídico. Na edição de 2026, as especialidades Cível, Trabalhista e Tributário concentram o maior número de escritórios e advogados reconhecidos, sinalizando tendências claras sobre em que áreas estão as demandas e a admiração dentro da advocacia brasileira.

Além disso, o ranking evidencia um processo de profissionalização do mercado: escritórios e advogados que investem em nichos específicos tendem a ser mais reconhecidos, uma vez que a profundidade técnica e de conhecimento se torna um diferencial competitivo.

Reinvenção a partir do tradicionalismo

Há 20 anos, o Direito Civil lidera o ranking como a especialidade mais votada pelos eleitores que participam do ANÁLISE ADVOCACIA. Para Fabíola Meira Breseghello, sócia-fundadora do Meira Breseghello Advogados — escritório Mais Admirado desde sua fundação em 2021 — a especialidade, apesar de seu tradicionalismo, é uma das bases que mantém a sociedade e, inevitavelmente, será uma das que mais gera demandas no mercado.

No setor Trabalhista, Arnaldo Pipek, sócio-fundador do escritório Pipek Advogados, ambos Mais Admirados há 20 anos, acredita que os escritórios precisam estar preparados para acompanhar as grandes mudanças que estão surgindo no Direito do Trabalho, pois o corpo social vive em constante metamorfose.

Já para Douglas Guidini Odorizzi, sócio na área tributária do escritório Dias de Souza Advogados — banca Mais Admirada também há 20 anos — a reforma tributária, prevista para 2026, será um marco de grande transformação e reinvenção para a especialidade.

O caminho para a especialização

Dados da pesquisa ANÁLISE ADVOCACIA 2026 revelam que o número de escritórios Mais Admirados nessas três áreas representam cerca de 30% do total, sendo 10% pertencentes à categoria especializado.

Segundo Breseghello, a especialização ocorre em razão das mudanças nas demandas das empresas, que passaram a buscar, cada vez mais, profissionais ou escritórios com experiência concentrada em um único ramo da advocacia.

"As demandas das empresas por cível têm ficado muito mais especializadas do que abertas. A empresa sabe que esses processos mais complexos, esses litígios empresariais mais complicados, não adianta ir para a fala comum. Então, eu acredito que a tendência é buscar escritórios menores e especializados", comenta Fabíola.

Já em advogados, um terço dos Mais Admirados são representados por Cível, Trabalhista e Tributário — sendo 8% destas bancas especializadas.

Arnaldo acredita que o futuro da advocacia está na especialização e prevê que, na próxima década, os escritórios serão cada vez mais voltados a áreas específicas, sobretudo nos ramos mais tradicionais do direito. "Essa relação a gente chama intuitu personae, do cliente com o advogado. Então, o cliente quer falar com  aquele advogado porque ele traz confiança, está disponível e conhece a rotina das empresas."

A inteligência artificial como uma ferramenta

Foi apresentado também no ANÁLISE ADVOCACIA 2026, que dos 723 escritórios que responderam a pesquisa, 47% informaram a incorporação do uso de IA em seus serviços.

Desse percentual, 63% são voltados essencialmente para pesquisa e análise automatizada de jurisprudência e doutrina e 50% para monitoramento e gestão automatizada de processos e fluxos internos.

Pipek comenta que embarcar na era da IA é imprescindível para atender demandas futuras, pois ela é uma ferramenta que chegou no mercado para agregar em produtividade, assertividade, resultado e preço, "Hoje em dia, não é mais possível imaginar contratar um escritório que tenha os livros colocados na parede e os advogados escrevendo todas as peças. Algumas questões, as empresas esperam que o escritório saia na frente mais rapidamente."

Douglas amplia a discussão dizendo que a Inteligência Artificial deve ser usada apenas como uma ferramenta, mas que jamais irá substituir a capacidade e singularidade humana "O profissional é como a ponta final do processo de prestação do serviço. No campo do direito tributário ele é insubstituível, o que vai ser, sem dúvida, algo que vai dar um salto de eficiência, é o insumo que ele vai usar para prestar o serviço, essa é a forma de utilizar a inteligência artificial."

O futuro das especialidades

O setor judiciário é um dos pilares da sociedade e da democracia, pois assegura que todos, inclusive o governo, estejam sujeitos à lei. O debate sobre para onde caminha a advocacia brasileira é sempre muito ambíguo e mutável, mas em áreas mais tradicionais do direito é possível acompanhá-lo pela evolução do Brasil como país.

"Eu enxergo o direito tributário lá na frente como uma questão de migração. Ele vai migrar para uma forma de discussão visando uma solução, e não para ter um árbitro juiz para definir isso", afirmou Douglas Guidini Odorizzi, sócio do escritório Dias de Souza Advogados

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