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Descubra quais áreas do direito mais terão demanda nos próximos anos, segundo executivos

No ANÁLISE ADVOCACIA 2026, executivos apontam quais áreas vão exigir mais atuação dos escritórios de advocacia nos próximos anos

17 de December de 2025 18h08
(Imagem: Análise Editorial)

Além de eleger os escritórios e advogados mais admirados do Brasil, os executivos jurídicos das maiores empresas do país entrevistados pela Análise Editorial apontaram quais áreas do Direito devem concentrar maior demanda nos próximos anos.

Tecnologia, dados e IA dominam as prioridades

Entre os temas apontados com maior urgência, as áreas relacionadas à tecnologia assumem protagonismo. Proteção e privacidade de dados, tecnologia e inovação foram citadas por 42% dos executivos, tornando-se o principal foco de demanda futura. O avanço tecnológico e a intensificação das relações comerciais e financeiras ajudam a explicar esse movimento. De acordo com Renato Opice Blum, professor da ESPM e sócio fundador do Opice Blum Advogados e Mais Admirado no ANÁLISE ADVOCACIA, o avanço tecnológico e a maior interconexão e intensidade das relações comerciais, financeiras e humanas são fatores que explicam esse aumento de demandas.

"Algumas empresas começam a se antecipar e adotar processos de governança de inteligência artificial, algumas um pouco mais focadas em cibersegurança. Mas, infelizmente, são exceções. A minoria das empresas faz isso. Claro que, quando nós temos uma legislação que obriga a governança e outras práticas, isso fica mais fácil. Mas o momento que nós vivemos é de que nem sempre a legislação vai acompanhando o momento da evolução." diz Opice Blum, sobre as soluções preventivas que podem ser aplicadas nas empresas, que já englobam uma boa parte das questões relacionadas ao uso da inteligência artificial, pois acredita-se que terá um aumento muito grande das questões jurídicas relacionadas.

Avanço do Direito Digital

Em seguida, Direito Digital aparece com 38% das citações. O avanço de temas como novos modelos regulatórios, o ECA Digital, o Marco de IA, legislações específicas sobre cibersegurança, LGPD, a reinterpretação do artigo 19 do Marco Civil pelo Supremo e segurança cibernética vem exigindo soluções jurídicas mais sofisticadas. 

Para os executivos, escritórios que atuam de forma integrada entre tecnologia, regulação e mercado terão vantagem competitiva.

Novamente, Renato Opice Blum, também admirado em primeiro lugar na área digital, aponta que a falta de práticas preventivas pode dificultar a ação de empresas frente a percalços digitais. "Essa questão de não contratar especialistas acaba trazendo consequências no litígio, no planejamento e na própria operação de questões digitais importantes. Existem questões do direito muito relevantes da adoção da tecnologia por departamentos jurídicos — do letramento, que está muito na moda, e isso também é importante."

Tributário permanece como destaque

A área Tributária, indicada por 22% dos entrevistados, se mantém entre as três áreas mais citadas, especialmente diante de um cenário marcado pela reforma tributária, por alterações relevantes na tributação da renda e por um contencioso dinâmico, no qual a jurisprudência sofre mudanças frequentes. "O STF e o STJ têm julgado diversos temas tributários e existe alguma instabilidade nas decisões. Aquilo que vinha sendo entendido de uma forma nas instâncias inferiores às vezes acaba sendo modificado nas superiores. Isso exige que empresas e contribuintes se adaptem às novas decisões." de acordo com o advogado mais admirado em primeiro lugar na área tributária, Bruno Fajersztajn, sócio do Mariz de Oliveira e Siqueira Campos Advogados.

Mesmo com o avanço das pautas digitais, o tributário segue sendo um componente essencial da estratégia corporativa, o que reforça a necessidade de escritórios atualizados com as mudanças legislativas e jurisprudenciais. "A reforma tem alterado muito a agenda das empresas porque elas precisam se adaptar em duas fronteiras: compliance e estratégia", disse Bruno.

O advogado adiciona as dificuldades que as empresas enfrentarão para equilibrar a expectativa da regulamentação da lei e o impacto financeiro: "Ou seja: primeiro as empresas se adaptam ao texto legal, e depois precisam verificar, na regulamentação, se o entendimento delas coincide com o entendimento do fisco. [...] Outro aspecto importante é o impacto financeiro. Alguns setores podem enfrentar aumento de carga tributária. As empresas terão de decidir se repassam isso para o preço, se absorvem parte do custo, e também renegociar contratos de longo prazo com fornecedores e clientes", conclui.

O que os dados revelam sobre o futuro da advocacia

Os dados mostram que o futuro da advocacia no Brasil será marcado por uma combinação de especialização técnica profunda e capacidade de adaptação ao ritmo acelerado da inovação. As áreas mais demandadas revelam que as empresas buscam escritórios capazes de oferecer não apenas respostas jurídicas, mas uma atuação estratégica, preventiva e integrada aos seus desafios de negócio.

Para Renato Opice Blum, o profissional do Direito precisará estar constantemente atualizado. "Será essencial dominar ferramentas tecnológicas, reinterpretar a legislação, compreender novas relações comerciais e traduzir tudo isso em estratégias jurídicas eficazes, inclusive em disputas judiciais e arbitragens", avalia.

Já sobre o futuro da área tributária, Bruno comenta: "Considerando a área tributária, ela continuará tendo protagonismo até 2033, por conta do período de transição da reforma. Mas isso não chega a ser exatamente uma mudança — o tributário já tem protagonizado o setor jurídico nos últimos 10 anos. As mudanças que vejo estão relacionadas à tecnologia e à inteligência artificial. Há também uma competição muito grande: existem muitos players excelentes em tributário no Brasil, o que estimula os advogados a buscarem diferenciação."

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