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Descubra quem são as advogadas Mais Admiradas nos estados e DF

Com 54% da lista, a capital paulista ainda concentra o reconhecimento; Paraná, Santa Catarina e Pernambuco crescem, enquanto Norte e Centro-Oeste ganham espaço com especialização

5 de March 11h30

O Brasil, com sua extensão continental, abriga talentos jurídicos em todas as suas regiões, e as advogadas têm protagonismo fundamental nesse contexto. Para valorizar essa contribuição, a Análise Editorial publica há seis anos o ANÁLISE ADVOCACIA MULHER. Tratam-se de rankings que já deram visibilidade a quase 8 mil advogadas em todo o território nacional.

Na edição atual, os rankings das advogadas Mais Admiradas nas unidades federeativas onde trabalham apresentam 1.062 profissionais. São provenientes de 16 estados e do Distrito Federal.

A lista, acessível aqui, apresenta as advogadas Mais Admiradas do Brasil, organizadas conforme a localização da matriz dos escritórios, onde exercem suas atividades. O mapeamento utiliza a mesma metodologia de pesquisa que embasou a edição do anuário ANÁLISE ADVOCACIA 2026. Considerando a pontuação obtida pela profissional, é preciso atingir uma nota mínima para participar do ranking.

As advogadas são classificadas segundo o perfil de atendimento do escritório em que atuam — full service, abrangente ou especializado — e divididas em até seis categorias (da 1ª à 6ª). A seleção das profissionais Mais Admiradas é realizada por gestores de departamentos jurídicos, financeiros e lideranças setoriais das principais corporações do país.

A força do Sul

Na edição de 2026, o ranking ANÁLISE ADVOCACIA MULHER traz um retrato de um mercado jurídico que, embora ainda concentrado, dá sinais claros de descentralização. Se, por um lado São Paulo continua sendo o principal astro do sistema solar do direito empresarial — concentrando 581 das advogadas Mais Admiradas (54,7% do total) —, a novidade deste ano vem das margens.

Pela primeira vez em anos recentes, a Região Sul (somando Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) adicionou, em números absolutos, mais novos nomes à lista do que o próprio estado de São Paulo. Enquanto a advocacia paulista cresceu 30 posições (de 551 para 581), o Sul somou 32 novas admirações, impulsionado principalmente pelo Paraná (16) e pelo crescimento proporcionalmente explosivo de Santa Catarina (43%).

Para Adriana Coli, sócia da Coli Advocacia, de Curitiba, esse movimento reflete uma mudança de mentalidade dos departamentos jurídicos, que buscam fugir da "padronização" das grandes bancas do eixo central.

"Acredito que os departamentos jurídicos perceberam a desnecessidade de concentrar atendimento apenas no eixo Rio-SP. Minha percepção é que as grandes bancas não inovam o discurso; repetem as mesmas teses. Os profissionais que se destacam estão cansados desse padrão e buscam bancas inovadoras e contemporâneas", afirma Adriana.

Ela ressalta que o crescimento no Sul é puxado, majoritariamente, por boutiques especializadas que oferecem preços mais competitivos e atendimento próximo, aproveitando o trabalho remoto para atender nacionalmente.

"A ‘Dança das Cadeiras’ no Nordeste"

Outro destaque dos dados é a reconfiguração de forças no Nordeste. Enquanto praças tradicionais como Bahia e Ceará viram uma retração no número de Mais Admiradas, Pernambuco cresceu cerca de 30%, assumindo a liderança numérica na região.

Segundo Luciana Browne, sócia fundadora da Browne Advocacia, esse fenômeno não é um acaso, mas reflexo de um ecossistema. Ela cita a presença de mulheres em posições de poder — como a Governadora Raquel Lyra e a Presidente da OAB-PE, Ingrid Zanella — e a força do Porto Digital como motores dessa visibilidade.

"O Porto Digital impulsiona demandas sofisticadas em Direito Digital, proteção de dados e IA. A advocacia pernambucana acompanhou essa transformação. Quando se entrega segurança jurídica, visão de negócio e capacidade de antecipar riscos, a geografia deixa de ser um limitador. O reconhecimento passa a ser consequência natural da qualidade do trabalho", analisa Browne.

Sudeste: a hegemonia paulista e o desafio carioca

No Sudeste, o cenário é de contrastes. O Rio de Janeiro, segundo maior mercado do país, mostrou uma estagnação, crescendo de 150 para 151 advogadas Mais Admiradas. A distância numérica para São Paulo, que já era grande, aumentou.

Para Antonella Marques Consentino, sócia do Bermudes Advogados, a estagnação reflete a volatilidade de setores que são o "coração" do Rio, como Óleo & Gás e Infraestrutura, que muitas vezes exigem estruturas mais enxutas. No entanto, ela defende que o Rio mantém um trunfo na retenção de talentos:

"Não se pode negar que há uma força gravitacional em São Paulo, mas o Rio de Janeiro oferece uma cultura mais leve e relações profissionais mais pessoais. O desafio do Rio é mais a diversificação de áreas do que o esvaziamento de lideranças femininas em si."

Já em São Paulo, a "fábrica" de novas admiradas não para. Roberta Danelon, sócia do Machado Meyer, explica que a capital paulista continua sendo o berçário das novas teses jurídicas, gerando admiração em novos nichos antes do resto do país.

"As novas áreas acabam despontando em mercados como SP. Foi assim com a prática ambiental no passado e ocorre hoje com outras frentes. Mas acredito que cada vez menos estar na Faria Lima seja determinante. Trabalho bem-feito conta mais do que onde está a sua mesa", diz Danelon, ressaltando a resiliência necessária para se manter no topo em um mercado tão saturado.

Centro-Oeste e Norte: Riqueza, Complexidade e Barreiras

Uma análise atenta dos números revela um paradoxo no Centro-Oeste: a região é o motor do PIB brasileiro com o Agronegócio, mas o número de advogadas Mais Admiradas cresceu timidamente (2 novas Mais Admiradas na região toda).

Priscila Ziada Camargo Fernandes, sócia do Ernesto Borges Advogados (MS), rebate a ideia de que a complexidade jurídica do Agro é resolvida apenas em São Paulo. Para ela, há uma mudança de conceito em curso.

"Não se trata de escritórios locais ficarem com o contencioso simples. Recuperações judiciais no agro, estruturação de Fiagros e litígios fundiários exigem conhecimento regional profundo. Os escritórios locais não são coadjuvantes técnicos, são protagonistas setoriais", defende Fernandes.

Mais ao Norte, a barreira da ‘lembrança espontânea’ e a dificuldade de integrar redes de relacionamento consolidadas nacionalmente ainda são desafios. Estados como Pará e Tocantins viram sua representatividade cair, e o Amazonas luta para furar a bolha.

Victória Cardoso, sócia do Pedro Câmara Advogados (AM), relata que a estratégia passa por romper fronteiras físicas. Seu escritório chegou a assessorar uma operação societária inteiramente focada no eixo Sul-Sudeste. Segundo ela, essa foi a primeira vez que pode testemunhar uma quebra concreta de paradigmas: um escritório do Norte sendo contratado para uma demanda localizada exclusivamente em outra região do país, sem qualquer conexão territorial com a Amazônia. A escolha se deu por capacidade técnica, especialização e confiança, não por geografia.

"Não apenas é possível ganhar relevância nacional atuando fora dos grandes centros, como também é plenamente viável alcançar projeção internacional. A tecnologia reduziu drasticamente as barreiras. O que define relevância hoje é consistência na entrega, independentemente do CEP", conclui Cardoso.

A geografia da admiração: entre a concentração e a descoberta

Os números do ANÁLISE ADVOCACIA MULHER 2026 revelam um mercado jurídico em transição. Se a fotografia estática ainda mostra uma hegemonia incontestável de São Paulo — que sozinha concentra mais da metade das advogadas listadas —, o filme do crescimento conta uma história diferente. Pela primeira vez, a soma dos novos talentos reconhecidos na Região Sul superou o volume de novas entradas na capital paulista. O feito indica que a descentralização econômica começa, finalmente, a irrigar o mercado de serviços jurídicos de alta complexidade.

O Nordeste vê uma "troca de guarda" com a ascensão de Pernambuco. No entanto, Centro-Oeste e Norte ainda vivem o desafio de traduzir pujança econômica em prestígio nacional. O recado dos dados (e das entrevistadas) é claro: a barreira geográfica caiu tecnologicamente, mas a construção de reputação fora do eixo ainda exige uma estratégia redobrada de visibilidade e posicionamento.

Outros dados

Além do ranking por unidades federativas, no site, é possível consultar os rankings por especialidades e setores econômicos. É possível consultar também a lista de advogadas de acordo com a soma de admirações de cada profissional e o ranking dos escritórios de acordo com o número de advogadas Mais Admiradas.

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