DESAFIO
Ao lidar com uma carteira de mais de 7 mil processos judiciais patrocinando o Banco BMG, o Lucchesi & Dolabela Sociedade de Advogados identificou a atuação reiterada de determinados advogados com volume desproporcional de ações e estratégias processuais padronizadas, muitas vezes abusivas. O desafio consistia em diagnosticar, com precisão e tempestividade, quais profissionais concentravam grande número de demandas contra o banco e o escritório, bem como analisar o padrão argumentativo e o comportamento processual desses litigantes, a fim de estruturar respostas jurídicas específicas e eficazes. Tal mapeamento permitiria não só a mitigação de riscos, como também a redução do tempo de tramitação e do passivo judicial.
SOLUÇÃO
A solução envolveu o uso sistemático de ferramentas de jurimetria e business intelligence, que permitiram rastrear os advogados com maior volume de ações contra o cliente, segmentando por localidade, tipo de demanda, taxa de êxito e padrão argumentativo. A partir dessas informações, o escritório passou em 2024 a elaborar petições personalizadas, alinhadas ao perfil de atuação de cada advogado recorrente, com estratégias jurídicas moldadas de acordo com suas condutas típicas e reações esperadas.
IMPLEMENTAÇÃO
Um dos exemplos mais emblemáticos identificou um advogado que inicialmente sustentava vício de consentimento na contratação de cartão de crédito consignado, mas que, diante da improcedência da tese e da robustez do contrato apresentado, alterava a causa de pedir para alegação de fraude, negando a própria contratação. Esse redirecionamento estratégico visava prolongar a demanda e forçar a produção de provas periciais. A equipe do escritório passou, então, a peticionar pontualmente nesses processos, alertando os magistrados sobre essa mudança argumentativa deliberada e contraditória. Também foram utilizadas teses como decadência, irregularidade de representação e ausência de indícios mínimos de verossimilhança, com argumentos estruturados de forma individualizada.
RESULTADO
A atuação resultou em significativo aumento nas decisões de improcedência em ações promovidas por esses advogados, com efeito positivo sobre o passivo judicial do cliente. Além disso, houve maior controle e previsibilidade na tramitação desses casos, além de dissuasão de estratégias protelatórias semelhantes por outros profissionais. A estratégia evidenciou a capacidade do escritório de monitorar comportamentos processuais em escala, adaptar respostas jurídicas sob medida e atuar preventivamente na defesa dos interesses institucionais do cliente.

