DESAFIO
Um dos maiores dilemas que o departamento jurídico da Unimed Porto Alegre enfrentava era trazer assertividade ao provisionamento de riscos dos processos judiciais e previsibilidade às projeções orçamentárias. As reversões de decisões além de afetar o valor provisionado mensal, geravam desalinhamento significativo entre o orçamento previsto e o realizado, o que os colocava frequentemente sob escrutínio em reuniões de diretoria e conselho para justificarem o desalinhamento ao orçado.
Além disso, o potencial de condução estratégica de acordos judiciais nas fases iniciais, uma vez que praticavam o modelo tradicional de provisionamento e categorizando a carteira em remoto, possível e provável, assim, limitado. Sem provisionamentos adequados ou com valores desalinhados da contraproposta, perdiam oportunidades de fechar acordos vantajosos, atrasando soluções e expondo o negócio a riscos evitáveis.
A insegurança aumentava conforme percebiam que as métricas deles exigiam justificativas mais técnicas e financeiras, e acabavam sendo prejudicadas pela análise exclusivamente jurídica e fragmentada de cada processo, os colocando em discussões rasas e pouco estratégicas, limitadas pela imprevisibilidade do Judiciário.
SOLUÇÃO
Para transformar a forma como lidavam com provisionamentos no departamento jurídico, adotaram uma abordagem inovadora e sistêmica: passaram a analisar a carteira de processos judiciais como um todo, agrupando os casos por clusters de comportamento processual em vez de tratá-los isoladamente. Essa mudança metodológica permitiu o mapeamento de padrões desde o ingresso das ações, revelando tendências decisórias, tempos médios de tramitação e probabilidades de êxito por perfil de demanda.
Ao substituir a lógica tradicional baseada em status como "remoto", "possível" e "provável" e cálculos individuais, por uma modelagem mais robusta, eles conseguiram garantir uma carteira integralmente provisionada, conectada ao histórico concreto de comportamento das ações. Isso não só conferiu maior segurança e transparência ao orçamento, como também fortaleceu o posicionamento estratégico do departamento diante da diretoria e do conselho, mostrando que é possível unir técnica jurídica, inteligência analítica e governança financeira para transformar riscos em oportunidades.
IMPLEMENTAÇÃO
Eles iniciaram uma jornada de mapeamento do comportamento das carteiras de processos trabalhistas e cíveis da empresa. O levantamento foi abrangente, englobando não apenas as projeções orçamentárias dos últimos anos e sua aderência à realidade, mas também os padrões de encerramento — seja por condenação, acordo ou êxito — e os objetos jurídicos envolvidos em cada ação.
Fatores externos, como variações entre comarcas e tribunais, também foram considerados como influenciadores relevantes. A partir desse diagnóstico, conseguiram construir com o uso de metodologia estatística um modelo de provisionamento baseado no comportamento processual, o que possibilitou a atribuição de valores com base em cenários históricos similares, promovendo maior precisão e confiabilidade às estimativas.
Com a aplicação desse novo modelo, foi viabilizado o provisionamento integral das carteiras cível e trabalhista, com todos os processos sendo classificados como "prováveis" já desde o seu ingresso, utilizando como referência o valor mediano projetado.
Previamente a implementação, monitoraram durante 12 meses a adesão do comportamento proposto ao realizado, e assim, confirmaram a estabilidade e confiança do novo modelo proposto.
Essa nova abordagem permitiu um reposicionamento na construção orçamentária, que passou a ser guiada por critérios técnicos sólidos. As estimativas agora consideram projeções de atualização, movimentações relevantes, encerramentos, novos processos e até mesmo decisões institucionais com potencial de impacto, resultando em um orçamento estruturado, claro e amplamente defensável, tanto internamente quanto perante os órgãos de governança.
RESULTADO
A implementação do novo modelo de provisionamento estatístico trouxe resultados expressivos e sustentáveis ao departamento jurídico. Com uma acurácia de 98% entre os valores orçados e realizados, consolidaram uma governança orçamentária robusta que viabilizou iniciativas de acordo em fases estratégicas, sem comprometer o equilíbrio financeiro da instituição. A previsibilidade conquistada permitiu decisões mais ágeis e fundamentadas, fortalecendo o papel consultivo do jurídico e a capacidade de antecipar impactos relevantes.
Além disso, a profundidade técnica na construção e acompanhamento do orçamento tornou-se um dos principais diferenciais do projeto. Com base no comportamento histórico das carteiras, foi possível estabelecer projeções confiáveis e facilmente defendidas perante fóruns internos de gestão e auditorias externas. Essa nova lógica tornou o provisionamento não apenas um instrumento de controle, mas uma ferramenta estratégica de atuação, alinhada à visão institucional.

