DESAFIO
Com quase 50 anos de história, o Biolchi fortaleceu-se como referência nacional em renegociação de dívidas e gestão estratégica de crises empresariais, com atuação em processos de recuperação extrajudicial, judicial e falência. Nos últimos anos, consolidou uma atuação cada vez mais orientada por dados, integrando tecnologia, pesquisa empírica e monitoramento de indicadores aplicados à reestruturação empresarial.
Um dos principais marcos dessa trajetória foi a criação do Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (OBRE®), uma base pioneira e sistematizada que organiza, acompanha e interpreta informações de processos de recuperação extrajudicial em todo país.
A partir do OBRE, o escritório passou a monitorar 378 variáveis jurídicas e econômicas em tempo real. A base cobre todo o ciclo do processo, da formação inicial aos desfechos, e passou a ser referência para clientes, credores e mantenedoras que buscam decisões mais fundamentadas e previsíveis.
O sucesso do OBRE evidenciou o potencial transformador de uma abordagem orientada por dados na advocacia de crise. No entanto, também revelou uma oportunidade de expansão, já que a base contemplava exclusivamente a recuperação extrajudicial e abrangia apenas uma parte do ecossistema de crise empresarial no Brasil. Recuperação judicial, falência e tutelas cautelares permaneciam com dados dispersos, sem tratamento analítico integrado.
Com o crescimento acelerado do ecossistema da crise empresarial no Brasil, essa oportunidade tornou-se um desafio estratégico: Como expandir essa lógica analítica para além da recuperação extrajudicial, integrando dados dispersos, de diferentes naturezas, em uma estrutura viva, confiável e escalável?
A complexidade do desafio exigia mais que uma simples expansão. Era necessário desenvolver uma infraestrutura capaz de processar volumes massivos de dados heterogêneos, mantendo a qualidade analítica e a agilidade que caracterizavam o OBRE. Para enfrentar esse desafio, o escritório criou o Núcleo de Inteligência e Dados (NID), centro de excelência responsável pela curadoria das variáveis, modelagem das bases, supervisão técnica e integração entre as frentes de pesquisa.
SOLUÇÃO
A resposta ao desafio foi a criação do Radar da Crise, uma plataforma analítica inovadora voltada à consolidação, análise e visualização de dados sobre o ecossistema da crise empresarial no Brasil. A iniciativa representa a evolução natural do OBRE, expandindo sua lógica para novas frentes de pesquisa, como recuperação judicial, falência e tutelas cautelares, com o objetivo de gerar inteligência estratégica a partir de dados empíricos.
Trata-se do desenvolvimento de uma plataforma analítica robusta, com uso de BI, automação de coleta de dados e integração com o Portal®, plataforma digital desenvolvida pelo escritório que facilita negociações online entre devedores e credores, funcionando como uma ODR (Online Dispute Resolution). A proposta combina tecnologia, jurimetria e curadoria técnica para transformar grandes volumes de dados jurídicos e econômicos em conhecimento acionável.
O projeto foi concebido com base em uma estrutura colaborativa e multidisciplinar, sustentada por governança ágil e squads temáticos. Além de apoiar a atuação técnica das mantenedoras, o Radar da Crise também fortalece o posicionamento institucional da organização, ao permitir a produção e disseminação de conteúdos estratégicos — como dashboards, boletins, notas técnicas e estudos setoriais — com linguagem acessível, apelo visual e alto valor informacional.
IMPLEMENTAÇÃO
O Radar da Crise está em fase de implementação, estruturado em quatro etapas progressivas ao longo de 18 meses. A primeira fase, já em andamento, consiste na transposição da base do OBRE para o novo ambiente analítico, com entrega de painéis interativos, definição dos produtos estratégicos e integração com o Portal®, consolidando a integração com ODR como um dos pilares da solução.
A metodologia adotada foi desenvolvida e validada ao longo da experiência com o OBRE, combinando práticas de pesquisa empírica, engenharia de dados e curadoria técnica. O processo é composto por seis etapas interdependentes, que garantem consistência, escalabilidade e valor estratégico:
- Data Wrangling - coleta, padronização e enriquecimento de dados brutos, com aplicação de automação de coleta de dados a partir de fontes públicas e privadas;
- Data Loading - estruturação da base analítica com variáveis organizadas por dimensões temáticas, permitindo análises flexíveis e comparativas;
- Análise Qualificada - leitura técnica de variáveis complexas, não captáveis por automação, realizada por pesquisadores especializados;
- Atualização Contínua - monitoramento ativo dos processos em curso e inclusão de novos dados, mantendo a base sempre viva;
- Curadoria de Conteúdo - produção de relatórios, painéis, boletins e notas técnicas com alto valor informacional;
- Avaliação e Aprimoramento - ciclos periódicos de revisão metodológica, expansão da base e incorporação de aprendizados.
A governança do projeto é baseada no framework Scrum, com papéis bem definidos, como Product Owner, Scrum Master, Data Scientists, Senior Researchers e Data Miners, organizados em squads temáticos. A operação conta ainda com o suporte da Central de Atendimento ao Credor (CAC), garantindo fluidez na comunicação e foco na geração de valor.
Essa estrutura permite entregas incrementais, com validação contínua e adaptação às necessidades estratégicas do escritório, consolidando o uso de dados como diferencial competitivo na gestão de crises empresariais.
RESULTADO
Embora o Radar da Crise ainda esteja em fase de implementação, os resultados já obtidos com o Observatório Brasileiro da Recuperação Extrajudicial (OBRE®) demonstram a solidez da abordagem adotada e validam a expansão da iniciativa. O OBRE consolidou-se como a primeira base estruturada e analiticamente tratada sobre processos de recuperação extrajudicial no Brasil, sendo reconhecido como referência em jurimetria aplicada à crise empresarial.
Um de seus diferenciais com relação a outras iniciativas de pesquisa é a inexistência de um recorte temporal (demarcador final) para a captura e a análise dos dados. Trata-se de uma base dinâmica, que com o suporte de instrumentos tecnológicos e automatizados, aliado à experiência dos pesquisadores atuantes, permite que os dados avancem e expressem em tempo real o desenvolvimento dos processos, acurando a identificação de tendências com maior sensibilidade às reações do campo empírico, já que o monitoramento é contínuo.
A partir dessa base, foram produzidos relatórios técnicos, painéis interativos com uso de BI, notas analíticas e estudos temáticos que orientaram decisões estratégicas, ampliaram a previsibilidade dos processos e fortaleceram o posicionamento institucional da empresa e de suas mantenedoras.
Com a transposição da base do OBRE para o Radar da Crise, já foram entregues os primeiros painéis interativos no Portal®, além da definição de novos produtos e fluxos de disseminação de inteligência. A estrutura de governança está em operação, com squads temáticos formados e metodologia validada em uso.
Entre os principais resultados já observados, destacam-se:
- Geração de inteligência empírica sobre o mercado de crise empresarial, com base em dados estruturados e atualizados;
- Apoio direto à atuação técnica das mantenedoras, com ganhos em eficiência, previsibilidade e assertividade;
- Produção de conteúdo estratégico com impacto institucional e repercussão na imprensa especializada;
- Fortalecimento da cultura data-driven, com o uso de dados como diferencial competitivo na gestão de crises;
- Criação de um ecossistema de pesquisa aplicada, com potencial de se tornar o maior painel analítico sobre crise empresarial do país.

