Não é que eu queira fugir da resposta, mas vamos reformular a pergunta: quanto custa contratar os serviços de um advogado? A resposta mais objetiva e honesta é: depende. E depende de muitos fatores. Primeiramente, porque o valor de serviços profissionais está muito associado a fatores subjetivos, como a reputação. Advogados e médicos famosos geralmente cobram mais caro e têm agendas cheias. Ok, mas também é correto afirmar que todo mercado tem seus preços médios. Até serviços personalíssimos, como pareceres jurídicos assinados por grandes nomes do Direito, são precificados dentro de limites mais ou menos conhecidos.
O desafio particular aqui é que o marketing jurídico é um serviço relativamente novo, oferecido por um grupo pequeno de profissionais e agências especializadas e, do outro lado, contratado por um número ainda não muito grande de escritórios. Segundo uma pesquisa da Análise Editorial, publicada na edição 23/24, em 20% dos escritórios a responsabilidade de fazer posts em redes sociais é dos próprios sócios e advogados. Apenas 40% contratam agências especializadas. Por essas e outras razões, eu arriscaria dizer que os tais preços médios desse mercado ainda estão em formação, o que explica alguma insegurança por parte dos clientes.
Vamos tentar tornar as coisas mais fáceis.
Na verdade, existem algumas boas referências no mercado. Afinal, essencialmente, fora a especialização em um setor econômico determinado, as agências de marketing jurídico oferecem os mesmos serviços que são prestados por agências digitais, assessorias de imprensa, de comunicação, branding e relações públicas. Existem até algumas tabelas, como a da Associação Brasileira de Agentes Digitais (Abradi), que fornecem uma boa referência de preços, a partir de uma ampla pesquisa realizada com seus associados. Por exemplo, segundo a tabela da Abradi, sabemos que a construção de um site varia de seis mil a quarenta mil reais, dependendo da complexidade. Note bem, são apenas referências. Ninguém aqui está querendo ditar o que é certo e o que é errado. Em um mercado livre, cada um tem o direito sagrado de precificar livremente seus produtos e serviços. Por isso, eu não acho que faz muito sentido falar aqui sobre valores específicos.
Tudo bem, mas eu entendo que isso não resolve as angústias de muitos clientes: estou pagando o preço justo? Vamos lá… O fato é que, embora essas informações de preço ainda não estejam à mão, os clientes dedicados não terão muita dificuldade para descobrir se estão pagando um preço justo pelo que querem — ou melhor, um preço alinhado ao mercado. O grande problema, a meu ver, é que os clientes, especialmente escritórios de advocacia, ainda não sabem o que querem... e quem não sabe o que está comprando, nunca terá certeza se pagou o preço justo. Para mim, esse é o ponto.
A solução é tentar entender melhor o que o marketing jurídico pode fazer pela sua marca, por você e pelo seu escritório. A solução é, junto com seu prestador de serviços, definir expectativas realistas e objetivos concretos. A solução também passa por definir um orçamento para o marketing, para passar a lidar com o assunto de forma profissional e não como um "gasto extra", alocado em uma coluna de custo aleatória.
Deixo aqui alguns pontos que merecem ser levados em consideração:
Escopo dos serviços: O custo depende do que está sendo oferecido. Serviços como desenvolvimento de sites, SEO (Search Engine Optimization), marketing de conteúdo, gestão de redes sociais, branding e publicidade paga têm custos diferentes. Alguns clientes podem precisar de um serviço abrangente que inclua tudo, enquanto outros podem precisar apenas de um ou dois serviços específicos.
Experiência e reputação da agência: Agências com um histórico comprovado de sucesso e uma boa reputação no mercado geralmente cobram mais pelos seus serviços. Elas podem oferecer uma expertise que agências mais novas ou menos conhecidas não possuem.
Necessidades específicas do cliente: O custo pode variar de acordo com as necessidades específicas do cliente. Um grande escritório de advocacia com uma necessidade complexa de marketing terá custos mais altos do que um advogado individual buscando apenas melhorar sua presença online.
Modelo de cobrança: Algumas agências cobram uma taxa fixa mensal, enquanto outras podem cobrar com base no tempo e nos recursos utilizados. Além disso, projetos específicos podem ser cobrados com uma taxa única.
Resultados esperados e medição de desempenho: Projetos que requerem uma garantia de resultados específicos ou que incluem análises e relatórios detalhados de desempenho podem custar mais.
Finalmente, é importante realizar uma consulta detalhada com a agência de marketing jurídico para entender os serviços oferecidos e obter uma cotação personalizada que atenda às necessidades específicas.
Alexandre Secco é sócio-fundador e conselheiro editorial da Análise Editorial, além de diretor de negócios da SeccoAttuy.Com. É especializado em comunicação estratégica e gestão de crises. Desenvolveu e dirigiu o ranking dos advogados mais admirados do Brasil da Análise Editorial, editora da qual é um dos fundadores. Foi editor-executivo da revista Exame, editor de VEJA e repórter da Folha de S.Paulo. É formado em Jornalismo e Direito, com pós-graduação em Direito Digital pelo IDP (Instituto de Direito Público) e Cibersegurança e Proteção Digital de Negócios pela FIA (Fundação Instituto de Administração da USP).
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