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Análise

Profissional 5.0

Por Vitor Santos, consultor de Gestão Legal

13 de December de 2019 8h50

Caso fosse possível escolher algumas palavras-chave para o momento pelo qual o mundo corporativo está atravessando, ou mesmo para essa geração que tanto almeja uma colocação no mundo profissional, certamente seriam: tecnologia, imediatismo e generalização.

As exigências no que toca às qualificações requeridas para seleção de novos profissionais são assustadoras ou, porque não dizer, banalizadas. Comumente, busca-se um profissional júnior com experiência (?), com dois ou três idiomas mandatórios, universidade de ponta e, no mínimo, um título de Mestre. Tendo facilidade, inclusive, para programação.

Inteligência Emocional? Para quê?

E a pior parte: Essas pessoas existem!

Via de regra, são mimadas, incapazes de absorver uma resposta negativa, alternando-se de empresa em empresa a cada seis meses.

Ou seja: enquanto a marcha tecnológica caminha a passos largos, os profissionais a ela vinculados estão desassociados ao que se convencionou chamar "Revolução 4.0".

Nem é preciso contar o final da história desses aspirantes ao mundo corporativo.

Então, qual o critério para selecionar um "profissional raiz"?

É sabido que o mundo - seja no universo coorporativo ou não - está refém das mudanças tecnológicas. E essas mudanças forjaram profissionais com conhecimentos sobrepostos. Sem, contudo, abrir mão de seu tecnicismo formador.

Dessa maneira, é necessário ajustar esse conhecimento acumulado, de maneira que todas essas variáveis sejam controladas otimizando tempo, risco e agregando valor ao seu negócio.

Essa urgência mercadológica que a tecnologia trouxe produziu também um hiato de competências, fazendo nascer um novo conceito de profissional que não cabe dentro de qualquer definição. Nem mesmo se encaixa na chamada "Revolução 4.0".

Com o fito de demonstrar aos profissionais que ainda não se adaptaram à realidade do mercado, cumpre elencar algumas das principais características que dão a esse novo profissional o "dom camaleônico".

Esses profissionais devem ser dotados de conhecimento jurídico e com capacidade de absorver as principais regras de negócio.

Contrariando ultrapassadas convicções, devem ter condições de fazer uma mescla responsável entre as áreas de humanas e exatas, tendo afinidade singular com números. Fato que assustava juristas em tempos de outrora. Esse conhecimento não tem a profundidade que os credenciariam a um título de Mestre, mas, por outro lado, experiência de vida e mercadológica suficientes para se adequarem ao cargo almejado.

Essa característica híbrida permite que tais profissionais caminhem com certa desenvoltura na análise de dados financeiros, principalmente para quantificar, criar métricas, acompanhar evoluções e involuções de seu negócio, fazendo ágeis movimentos preventivos com objetivo de mitigar riscos.

Quão preciosa é a previsibilidade!

Por fim, imprescindível o conhecimento em gestão de qualidade e gestão de projetos - seja em waterfall ou metodologias ágeis.

Como elemento fim de todo esse conhecimento, esses profissionais são capazes de gerar valor à sua empresa, sendo responsáveis por entender todas as necessidades e recolher requisitos.

Sabem, tecnicamente, o que é necessário na medida exata em curto e médio prazo, consumindo a tecnologia com responsabilidade.

Enfim, são profissionais multidimensionais, com proficiência em várias áreas de conhecimento e com a certeza de que ainda têm muito a conhecer, agregando outros profissionais que tenham expertise suficiente para alcançar seus objetivos.

E para os que pensam que esses profissionais não existem, é possível afirmar que eles já estão por aí. Aos borbotões!

Arrojados e dispensando rótulos, são tão técnicos quanto adaptáveis a mudanças rápidas. E, em qualquer direção, com reponsabilidade!

Talvez não sejam Mestres ou Doutores, mas são comprometidos, leais e conhecedores de todas as necessidades da empresa e de quem estiver ao seu lado, "remando" na mesma direção.

Para quem ainda não conhece: prazer, esse é o Profissional 5.0.

Vitor Santos, consultor de Gestão Legal
Profissional do Futuro