O ano de 2020 sem sombra de dúvidas marcará este século. Alguns afirmam que este ano já terminou, outros torcem para que ele acabe logo e que o ano de 2021 traga novos ventos, mas talvez poucos estejam aproveitando este momento para repensar o modus operandi no âmbito profissional.
Há alguns anos o mercado jurídico vem passando por uma transformação digital. Sob a ótica dos escritórios de advocacia, mesmo antes da pandemia, podemos citar a adoção de iniciativas e inovações, como por exemplo, o uso da inteligência artificial, técnicas de jurimetria, big data, machine learning, analytics, dentre outros.
Dado o protagonismo da tecnologia, por vezes os advogados se veem em segundo plano. Porém, é fato que nenhum escritório subsiste sem uma equipe de advogados proativos e que tenham uma visão moderna sobre o Direito e, consequentemente, sem estes profissionais o escritório dificilmente poderá oferecer um atendimento diferenciado. Dessa forma, antes de falarmos dos benefícios de se ter um setor de inovação jurídica e tecnologia, é indispensável descrever em que momento o escritório decidiu investir em ideias disruptivas.
O vetor dessa transformação se deu em conjunto entre os sócios Pedro Roncato e Tatiana Roncato e pelo diretor de inovação, Fernando Urias. Em agosto de 2019, quando ainda fazia parte da equipe do contencioso estratégico, nosso escritório deu a oportunidade para que Fernando expusesse um projeto que consistia na melhoria do atendimento ao cliente, projeto este feito de forma independente e proativa. Após ser aprovado internamente e realizados alguns ajustes, o projeto foi apresentado para um dos principais clientes do escritório. Para grata surpresa do sócio-fundador, Pedro Roncato, a ferramenta apresentada foi elogiada por um dos donos da empresa, fazendo questão de frisar que "nunca nenhum escritório havia apresentado nada parecido", sugerindo até mesmo que o escritório patenteasse essa tecnologia.
Em razão disso, os sócios decidiram criar uma área dedicada exclusivamente para a inovação jurídica e tecnologia, nomeando, em dezembro de 2019, Fernando Urias como responsável pela nova área. Como essa era disruptiva, não poderia ficar restrita somente ao escritório em São Paulo, então decidiram que essa posição teria abrangência transfronteiriça, englobando as operações Brasil-Europa, com foco nas novas tecnologias aplicadas ao mercado jurídico.
Desde então o escritório passou por uma intensa transformação digital, que vai desde a criação de uma sala virtual para tornar a reunião com o cliente mais moderna e realista, até o desenvolvimento de um aplicativo por meio do qual o cliente pode acompanhar os andamentos processuais pelo celular, visualizando, inclusive, as principais peças, decisões judiciais e andamentos de processos administrativos.
Contudo, nesse ínterim, veio a crise do coronavírus, atingindo inicialmente nossas filiais de Paris e Lisboa e, posteriormente, a nossa matriz em São Paulo. Foi neste momento que verificamos a necessidade de aceleração da transformação digital do escritório, tendo em vista que precisávamos alterar de maneira sensível e imediata o modo como o Direito era compartilhado, trazendo uma visão macro do impacto da pandemia no mundo.
Nesse contexto, considerando que França e Portugal atualmente estão muito à frente do Brasil no que tange à retomada da economia, o escritório decidiu transferir o setor de inovação jurídica para o continente europeu, com o objetivo de vivenciar, in loco, as boas práticas empresariais, ou seja, estabelecer uma verdadeira conexão cultural entre as filiais europeias e a nossa matriz, sempre compartilhando e agregando conhecimento entre nossos profissionais.
Sendo assim, ficou decidido que, em setembro de 2020, Fernando Urias será realocado para Lisboa, onde, em conjunto com Tatiana Roncato, ficará responsável pela inauguração do hub tecnológico do escritório. Será um espaço dedicado ao compartilhamento de ideias e projetos inovadores na área jurídica, sempre somando o melhor da cultura de cada país. Neste hub, ficará centralizada a produção do conteúdo audiovisual, visando a transformação da advocacia a partir do uso estratégico da tecnologia, bem como a produção de vídeos e documentários relativos ao Direito.
Dessa forma, Lisboa se tornará o principal elo de ligação entre o Brasil e o continente europeu, sendo determinante para o plano de expansão do escritório no exterior, a começar por Bruxelas, na Bélgica, que será inaugurada pela sócia em outubro de 2020, contribuindo ainda mais para se criar um ambiente dinâmico e criativo, possibilitando a troca de experiências entre as nossas filiais e aproximando a tecnologia das pessoas.
No que tange às vantagens de se ter um setor de inovação jurídica, é oportuno destacar que este tem a capacidade de transformar o escritório, como por exemplo: crescimento estratégico; construção de uma imagem perante o mercado; engajamento dos profissionais; modernização, e etc. Contudo, é importante ressaltar que as ideias implementadas devem sempre estar alinhadas com o pensamento dos sócios, para que haja um fortalecimento da cultura organizacional do escritório.
Promover e implementar iniciativas de inovação tecnológica durante uma crise mundial é um desafio. Contudo, dada a nova realidade, a visão de inovação jurídica ultrapassa as fronteiras, pois, neste momento, todos os países e empresas estão se ajudando mutuamente, redesenhando formas de atendimento, metas e objetivos, projetando, dessa forma, a necessidade de adequação do mercado jurídico e dos profissionais, o que contribui para um crescimento sólido e constante para os próximos anos.

