Este é um dos artigos mais curtos que escrevi recentemente, e talvez seja o mais útil.
Empresas estão trocando seus escritórios, parceiros de longa data, pela Enter. A Enter entrou no mercado oferecendo, ou melhor, prometendo preço baixo e taxa de êxito alta. Para um executivo jurídico que precisa prestar contas de resultado e de custo, essa é uma proposta muito tentadora.
Esta semana conversei com o executivo de uma grande empresa brasileira que adotou uma política que acho muito inteligente. Ele pôs no contrato uma cláusula que obriga a Enter a devolver dinheiro ou fazer algum tipo de reembolso caso não entregue o que prometeu. É um cuidado mínimo para não trocar bons e conhecidos parceiros por uma promessa encantadora.
A Enter entra no mercado com investimento padrão Vale do Silício. Em maio, recebeu 100 milhões de dólares numa rodada liderada pelo fundo americano Founders Fund e passou a valer 1,2 bilhão de dólares. Tem condição, ao menos em teoria, de oferecer preços baixos e aguentá-los por muito tempo. Se promete, nada mais razoável do que sair do gogó e partir para o contrato. Acho que essa é uma obrigação da Enter e um cuidado que as empresas contratantes devem tomar.
A Enter vem prometendo mundos e fundos. Vamos esperar para ver se entrega. Conheço vários escritórios que atuam no contencioso de volume, têm tecnologia adequada e conhecimento jurídico para lidar com ele e conhecem de forma republicana o sistema judiciário.
Trocar por trocar pode ser a famosa economia, com perdão da expressão, burra. Entendo e reconheço que as propostas são tentadoras. Mas por que não exigir da Enter que ponha suas promessas no papel?
Finalmente, pode ser mesmo que a Enter entregue tudo o que promete e até muito mais. Um dia alguém ainda vai encontrar uma forma de vender terrenos na Lua. É a graça do capitalismo. A desgraça é comprar apenas promessas.


