A digitalização acelerada dos negócios trouxe desafios inéditos para a proteção da propriedade intelectual. Nesse contexto, a Política Nacional de Cibersegurança surge como instrumento fundamental para a salvaguarda dos ativos intangíveis das empresas brasileiras.
Marco Legal: a base da segurança digital
Instituída pelo Decreto nº 11.856/2023, a Política Nacional de Cibersegurança (PNCiber) representa um avanço significativo na proteção do ambiente digital brasileiro, embora ainda constitua um campo em consolidação, permeado por desafios técnicos e institucionais.
O marco normativo estabelece diretrizes para a proteção de sistemas, redes e dados contra ataques cibernéticos, fortalecendo o arcabouço de tutela de patentes, marcas, desenhos industriais e segredos de negócio armazenados em meio digital.
No âmbito institucional, destaca-se a criação do Comitê Nacional de Cibersegurança, composto por representantes do governo, da sociedade civil e do setor empresarial, com a atribuição de propor atualizações normativas e estratégias de cooperação internacional. A política estrutura-se em seis eixos: conscientização da sociedade, formação e adequação do capital humano, engajamento institucional, produção de conhecimento especializado, financiamento e fortalecimento do arcabouço legal.
Desafios e vulnerabilidades do cenário brasileiro
O cenário nacional demanda atenção. O Brasil figura entre os países mais afetados por cibercrimes na América Latina, o que evidencia a urgência de medidas estruturais e preventivas.
Segundo a SaferNet Brasil, organização não governamental dedicada à promoção e defesa dos direitos humanos no ambiente digital, foram registradas 100.077 denúncias únicas de crimes cibernéticos em 2024.
A vulnerabilidade é agravada pelo chamado "analfabetismo digital". Apesar da ampla disseminação tecnológica, com cerca de 464 milhões de dispositivos ativos no país, parcela significativa da população não utiliza ferramentas de segurança de forma adequada, e muitos smartphones ainda operam sem soluções básicas de proteção.
Além disso, o déficit de profissionais especializados em cibersegurança cria um ambiente propício à prática de crimes digitais, incluindo o roubo de propriedade intelectual e a espionagem industrial. Entre as medidas prioritárias debatidas no âmbito governamental, destacam-se a criação de um Centro Nacional de Segurança Cibernética, a ampliação de campanhas de conscientização, o fortalecimento de centros de capacitação e a oferta de linhas de crédito para pequenas e médias empresas por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
A proposta de um novo marco penal para crimes cibernéticos busca suprir lacunas jurídicas, facilitar a persecução penal e conferir maior proteção aos titulares de direitos de propriedade intelectual. Para escritórios especializados, esse contexto representa não apenas um desafio regulatório, mas também uma oportunidade estratégica de orientar clientes em matéria de compliance digital, transformando a cibersegurança em diferencial competitivo e em pilar essencial para a preservação da inovação no Brasil.

