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A estratégia institucional por trás da formação de líderes de alta performance

Por Ricardo Leite

4 de March 15h14

             Estudos apontam que, aproximadamente, 60% dos gestores promovidos não 

               recebem  qualquer preparação formal para assumir cargos de liderança

A discussão sobre liderança nunca esteve tão atual. Em um cenário de transformação digital acelerada, pressão regulatória e alta competitividade, formar bons líderes deixou de ser um diferencial. Tornou-se uma necessidade estratégica.

Mas afinal, como ser um bom líder? E mais do que isso: é possível formar líderes de alta qualidade dentro de uma instituição ou isso depende apenas do talento individual? A resposta, hoje, é objetiva. Liderança se constrói com método.

A crise silenciosa da liderança nas organizações

Estudos internacionais apontam que a maioria das empresas não está preparada para formar seus próprios líderes.

Pesquisa global da consultoria Deloitte indica que apenas 14% das organizações se consideram prontas para desenvolver lideranças estratégicas de forma estruturada. Já levantamento da Gallup mostra que apenas 21% dos colaboradores confiam plenamente na liderança de suas empresas.

O dado mais preocupante, contudo, vem da Harvard Business Review: quase 60% dos gestores promovidos não recebem qualquer preparação formal para assumir cargos de liderança. Este resultado se torna previsível porque profissionais tecnicamente competentes assumem posições estratégicas sem o devido preparo em gestão de pessoas, governança e tomada de decisão.

Como ser um bom líder além da excelência técnica

Durante anos, o mercado operou sob uma lógica simplista: promover o melhor técnico ao cargo de líder. Essa prática ainda é comum, inclusive no setor jurídico.

No entanto, liderança exige competências adicionais:

- Visão sistêmica do negócio;

- Capacidade de decisão sob pressão;

- Gestão estratégica de pessoas;

- Comunicação clara e institucional;

- Responsabilidade reputacional.

Um bom líder não é apenas um especialista. Ele é um guardião de cultura, estratégia e governança.

Entretanto, a pergunta central permanece: como ser um bom líder de forma consistente? A resposta envolve estrutura institucional.

Organizações que criam líderes de alta qualidade implementam:

- Programas contínuos de desenvolvimento de liderança;

- Mentoria executiva;

- Avaliação comportamental estruturada;

- Planejamento sucessório;

- Cultura de responsabilidade, prestação de contas, transparência e proatividade.

Dados do relatório da McKinsey & Company apontam que empresas com programas formais de desenvolvimento de liderança apresentam até 2,4 vezes mais chances de superar seus concorrentes em desempenho financeiro.

Não se trata apenas de formar líderes mais preparados. Trata-se de fortalecer o negócio.

O desafio da liderança no ambiente jurídico

No setor jurídico, esse debate ganha contornos ainda mais relevantes. Escritórios e departamentos jurídicos operam sob alta complexidade regulatória, risco reputacional crescente e exigência constante de atualização técnica.

Nesse contexto, ser um bom líder significa:

- Integrar excelência técnica à visão estratégica;

- Alinhar performance jurídica a objetivos corporativos;

- Gerir equipes multidisciplinares;

- Antecipar riscos regulatórios e reputacionais.

A liderança jurídica moderna deixou de ser operacional. Ela passou a ser estratégica, uma vez que nenhuma liderança prospera em ambiente institucional frágil.

Organizações que desejam formar bons líderes precisam investir em cultura clara, governança sólida e critérios objetivos de promoção. Instituições que valorizam ética, transparência e responsabilidade criam líderes mais preparados e menos suscetíveis a decisões impulsivas ou personalistas, pois a liderança é reflexo direto do ambiente que a forma.

Com base na experiência executiva e na observação de modelos internacionais de gestão, alguns pontos são determinantes para se tornar um bom líder:

- Desenvolver inteligência emocional;

- Estudar gestão e estratégia com a mesma dedicação dedicada à formação técnica;

- Aprender a delegar com confiança e supervisão responsável;

- Tomar decisões baseadas em dados e governança;

- Construir autoridade por meio de coerência e consistência;

- Manter visão de longo prazo, mesmo sob pressão imediata.

Instituições que criam líderes de alta qualidade reduzem conflitos internos, aumentam previsibilidade e fortalecem sua reputação no mercado.

Formar bons líderes é uma escolha estratégica. E instituições que compreendem isso saem na frente, visto que a liderança não é improviso ou apenas conhecimento técnico, mas uma construção diária.



Sobre Ricardo Leite- Graduado em Administração de Empresas, pela Universidade Estadual do Vale do Acaraú - Sobral - CE, com especialização em Marketing pela Escola Superior de Marketing e Propaganda ESPM-SP, MBA em Controladoria e Custos pela Universidade Estadual de Pernambuco -UPE, Pós-Graduado em Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral, atuando também como coordenador do PAEX (Parceiros para excelência da Fundação Dom Cabral). Vivência de 23 Anos de mercado financeiro e bancário, dentre estes, 16 anos como gestor, em diversos segmentos da economia, tais como: Construção Civil; Distribuição de Alimentos; Industria de Alimentos; Publicidade e Propaganda; Empresas de software e Clínicas Médicas. Nos dias de hoje, Ricardo atua como Diretor do escritório Rueda & Rueda Advogados.