Entrevista - Manesco inicia novo ciclo e reafirma liderança no Direito Público | Análise
Análise

Entrevista - Manesco inicia novo ciclo e reafirma liderança no Direito Público

Por Análise Editorial e Manesco Advogados

5 de May 17h12

Com mais de três décadas de protagonismo no Direito Público, a Manesco Advogados inaugurou, em 23 de junho, um novo ciclo. A atualização da identidade visual, a chegada de novos sócios e conselheiros, a ampliação de áreas estratégicas e serviços, além do reposicionamento institucional, reforçam a vocação do escritório para seguir na liderança de setores regulados da economia e impulsionar negócios privados-públicos. Em entrevista ao Análise Editorial, Marcos Augusto Perez, CEO e sócio-fundador, e Maís Moreno, deputy CEO e sócia, analisam os desafios do setor, as transformações em curso no mercado jurídico e as estratégias que orientam a atuação da banca no presente e futuro.

Quais mudanças estratégicas motivaram o rebranding da Manesco?

Marcos Perez- A nova identidade e o reposicionamento refletem a trajetória de um escritório que, por mais de três décadas, influencia os rumos do Direito Público. Sempre atuamos com protagonismo e capacidade de antecipar tendências. A atualização reafirma nosso compromisso com a inovação e com a entrega de soluções jurídicas que acompanham as transformações do país e do mundo.

Maís Moreno- O rebranding nasce do equilíbrio entre solidez e movimento, tradição e inovação. Surgimos com o desafio de aplicar o Direito Público após a Constituição de 1988. Participamos dos principais contratos públicos e marcos regulatórios da infraestrutura nacional - concessões rodoviárias, leilões de aeroportos, mobilidade, energia, telecom. Ajudamos a redesenhar a relação entre Estado e setor privado. Hoje, há novos desafios. A nova identidade reafirma nossa força institucional e nossa capacidade de ajudar a moldar o futuro.

De que forma a nova marca reflete a atuação atual e futura do escritório em direito público e setores regulados?

Marcos Perez- O perfil do cliente, investidor em serviços públicos, mudou e acompanhamos essa alteração, incluindo novas expertises e ampliando áreas de atuação. Isso permite que continuemos inovando, mantendo a tradição de liderar e apoiar as relações entre privados e o poder público, seja em modelagens, estruturação de projetos de infraestrutura, gerenciamento de contratos, avaliação de risco e oportunidades, renegociação contratual, tanto de contencioso judicial ou arbitral como na negociação de acordos.

Maís Moreno- A nova marca da Manesco simboliza uma transformação estrutural que preserva nossa essência histórica enquanto projeta o futuro. Desde 1991, na Rua Tabatinguera, construímos soluções técnicas irretocáveis e criativas para os desafios nas relações entre iniciativa privada e poder público. Nosso DNA permanece intacto: competência técnica, excelência no atendimento e inovação jurídica consistente.

A renovação da marca comunica, contudo, o momento singular que vivemos. Com a saída de dois sócios fundadores do capital - que seguem como conselheiros estratégicos e atendem clientes específicos -, implementamos uma revolução na governança. Criamos uma estrutura remuneratória sofisticada e contemporânea, condizente com os talentos que compõem nossa equipe. Adotamos soluções tecnológicas de vanguarda e mantemos vigilância constante sobre as possibilidades da inteligência artificial para nossa prática.

A chegada de novos sócios - tanto profissionais formados em nossa casa quanto oriundos do mercado e da carreira pública - ampliou e fortaleceu nossa atuação em áreas estratégicas como litigância, tributário, gestão de ativos em dificuldade e financiamento de projetos.

Nossa trajetória de diversidade também se consolidou como diferencial competitivo. Hoje, 50% da alta liderança é composta por mulheres e 30% da equipe são pessoas negras. Essa diversidade, que nos levou a ser reconhecidos pela ONU como referência em igualdade de gênero e diversidade racial, melhora concretamente nossos resultados em todas as dimensões. A ampliação dessa iniciativa culminou no Pacto Manesco, que reflete nossa visão humanista sobre todo o arco da diversidade etária, de gênero, racial e religiosa.

A decisão de unificar a marca em torno do nome Manesco, em vez de agregar múltiplos sobrenomes, expressa nossa união estratégica e nosso olhar prospectivo. É uma nova era que preserva nossa tradição disruptiva enquanto sinaliza nossa capacidade de antecipação e adaptação às demandas futuras do direito público e dos setores regulados.

Que papel o escritório projeta desempenhar nos próximos anos diante da evolução do Direito Público e das parcerias público-privadas?

Marcos Perez
- Vivemos uma transformação no mercado, avanço das parcerias entre o setor privado e o poder público. É nesse contexto que o Direito Público atua, maneja ferramentas que viabilizam essas relações. Nos próximos anos, é possível que o Estado passe por mais mudanças, com o fortalecimento da presença privada, especialmente em infraestrutura e serviços essenciais. Ao mesmo tempo, assistiremos a novos arranjos na forma como o Estado garante direitos individuais, sociais e coletivos. De um lado, a proteção de direitos; do outro, a expansão das parcerias. O desafio é articular essas duas frentes com responsabilidade, inovação e compromisso com o interesse público.

Maís Moreno - Temos os desafios que, infelizmente, nunca saem de moda: insegurança jurídica, escassez de investimento e um Judiciário ainda muito voltado à lógica fazendária, avesso à atuação privada. A esses, somam-se novas questões. O setor passa por uma transformação no perfil de seus protagonistas. Perde protagonismo o empreendedor tradicional da engenharia, com conhecimento profundo da operação e da gestão do ativo regulado, e entram os fundos, que operam com uma lógica de capital financeiro pressionado por retornos de curto prazo, por vezes incompatíveis com a natureza dos contratos públicos de longo prazo. Muitas vezes, os gestores desses fundos, pressionados, não conseguem manejar da melhor maneira as oportunidades que os passivos regulatórios costumeiramente inerentes a esses contratos costumam apresentar. Com isso perdem a chance de maximizar o valor do contrato no longo prazo e acabam por estressar o ativo.

Além disso, mudanças climáticas e riscos sociais não são pautas acessórias, são estruturais. Um contrato de concessão precisa prever, por exemplo, como eventos climáticos extremos cada vez mais afetam a operação. Tem que considerar soluções construtivas que levem em conta um novo padrão climático, novas pressões sobre mobilidade e habitação. Quem ainda ignora, não só está desatualizado, mas está contratando um problema a médio prazo.

Particularmente, penso também na tendência de que nas próximas décadas os contratos públicos reflitam temáticas sociais, como a inclusão de populações minorizadas na operação de concessões. Já há leis sobre isso, mas são ignoradas. A boa modelagem jurídica gera eficiência, promove desenvolvimento econômico e garante dignidade para os usuários.

Quais são as expectativas com essa nova fase do escritório?

Marcos Perez- A nova fase nos posiciona para enfrentar os desafios do presente e antecipar as demandas do futuro. Apresentamos o nosso time de sócios, conselheiros e vamos ampliar nossa atuação com novas lideranças, equipes mais diversas e soluções jurídicas inovadoras. Mantemos o compromisso de sempre com o interesse público, com a transparência e com a integridade. Mas agora, renovamos também nossas ferramentas e linguagens para seguir fazendo o que nos tornou referência: transformar a realidade brasileira por meio do Direito Público.

Maís Moreno

Nossa expectativa central é manter a Manesco na liderança dos setores regulados, preservando os pilares que nos distinguem há mais de três décadas: rigor jurídico, seriedade profissional e soluções inovadoras. Em um momento de transformações significativas no mercado da advocacia, reafirmamos nosso compromisso com uma prática pautada pela competência técnica irretocável.

O resultado esperado é uma banca onde competência técnica, integridade profissional e responsabilidade social caminham naturalmente juntas, e que continue contribuindo para a construção de um Brasil mais próspero através de soluções jurídicas que fortalecem a infraestrutura nacional e promovam o desenvolvimento sustentável do país.