Desde 2006, o anuário ANÁLISE ADVOCACIA publicou 3.643 escritórios citados como Mais Admirados pelos executivos das maiores empresas do país. Deste total, somente 80 escritórios figuram em todas as vinte edições. No entanto, o Opice Blum se fundiu com o Cescon Barrieu, diminuindo essa lista para 79 bancas. Somados, elas reúnem 10.761 advogados.
O menor escritório tem seis profissionais e o maior, 716. A média entre eles é de 136, mas a mediana, o valor que divide o grupo ao meio, é de 75. Essa distância entre as duas mostra o peso dos maiores sobre essa conta.
A régua do tamanho
Dos 79 escritórios, nove têm até 13 advogados. Quinze ficam entre 14 e 30, sete entre 31 e 50, 22 entre 51 e 100 e 14 entre 101 e 300. No alto da régua, 12 passam de 300 e apenas cinco ultrapassam 500: TozziniFreire, com 716, Mattos Filho, com 681, SiqueiraCastro, com 607, Machado Meyer, com 556, e Pinheiro Neto, com 516. Esses cinco reúnem 3.076 advogados, o equivalente à 28,6% de todo o grupo.
O levantamento divide os escritórios em três categorias. Entre as 79 bancas, 29 se declaram especializadas, 25 abrangentes e outras 25 full service. Embora representem cerca de um terço dos escritórios, os full service sozinhos são responsáveis por 65% do total de advogados do grupo. Em contrapartida, os especializados, que formam a maior categoria em número de escritórios, ficam com apenas 9%.
O mapa dos Mais Admirados
Se a sede dos escritórios citados como Mais Admirados nas vinte edições fossem alfinetes em um mapa do Brasil, o Sudeste ficaria quase coberto. Deste total, 56 estão no estado de São Paulo, 55 na capital e uma em Ribeirão Preto. Fora de São Paulo, 13 bancas estão no Rio de Janeiro e três em Minas Gerais, sendo que duas estão em Belo Horizonte e uma em Nova Lima.
Sobram sete alfinetes: três em Curitiba, que é a única cidade fora do eixo rio-são paulo com três casas, e um em cada uma destas cidades: Brasília, Joinville, Porto Alegre e Recife. Não há sede no Norte do país, e o Nordeste aparece uma vez. Além disso, 20 dos 25 escritórios full service estão em São Paulo.
As filiais contam outra história de alcance. Dos 79 escritórios, 54 têm ao menos uma filial e 25 não têm nenhuma, sendo 20 especializados e apenas cinco abrangentes. Todos os full service têm filiais.
A maior rede é a do SiqueiraCastro, com 17 filiais, seguida pela do Martinelli, com 16. O Brasil Salomão e Matthes vem em seguida, com 12 endereços: dez no Brasil e dois em Portugal.
Além disso, sete bancas têm unidade fora do país: Pinheiro Neto (Palo Alto e Tóquio), Mattos Filho e Machado Meyer (Nova Iorque), Cescon Barrieu (Toronto), Arruda Alvim (Roma), Brasil Salomão e Matthes (Lisboa e Porto) e Fragata e Antunes (Coimbra).
O tempo de atuação
De todos os escritórios admirados em todos os tempos, o mais antigo é o Granadeiro Advogados, fundado em São Paulo em 1893. Logo em seguida vem o Dannemann Siemsen (1900), o Villemor Amaral (1909), o Kasznar Leonardos (1919) e o Pinheiro Guimarães (1922), e esses cinco já passaram dos cem anos.
Os demais são mais jovens: apenas 20 escritórios nasceram antes de 1960. A década mais povoada é a de 1990, com 24 bancas fundadas, bem à frente dos anos 1970, que têm 10, e dos anos 1980 e 2000, com oito cada.
Um ponto interessante é que o tamanho dos escritórios muda com a idade. As bancas nascidas entre 1960 e 1989 formam o grupo mais enxuto, com uma mediana de 34 advogados, contra cerca de 78 entre os escritórios anteriores a 1960 e entre os anos 1990, e 90 entre os fundados a partir de 2000.
O que cada escritório faz
Entre as 76 bancas que informaram a divisão entre consultivo e contencioso, 50 delas têm mais demandas contenciosas, enquanto 19 possuem mais consultivo e 7 ficam exatamente no meio, com 50% de cada. Em média, o contencioso responde por 63,5% do trabalho e o consultivo por 36,5%. O peso do consultivo varia com a categoria: 47,6% nos full service, 34,5% nos abrangentes e 28,1% nos especializados.
Nas pontas, o contencioso domina. Seis escritórios declaram mais de 90%, entre eles a Advocacia Bettiol (100%), Toron Advogados e Wambier, Yamasaki, Bevervanço & Lobo Advocacia (99%), Wald, Antunes, Vita e Blattner Advogados (95%) e Dias de Souza Advogados Associados (94%), e outros oito declaram exatamente 90%. Do lado do consultivo, ninguém passa de 80%. Pinheiro Guimarães e Mundie Advogados declaram 80%, Daniel Advogados 77%, e logo em seguida o BMA Advogados e Kasznar Leonardos Advogados 75%.
Além das demandas consultivas e contenciosas, 70 bancas também informaram o número de causas judiciais, e a soma de todos eles ultrapassa 2 milhões de casos. A mediana é de 7.250 por escritório, mas o topo está muito acima dela: Queiroz Cavalcanti Advocacia (266.495), TozziniFreire (225.638), SiqueiraCastro (200.000) e Brasil Salomão e Matthes (149.709) concentram 41% de tudo o que foi informado.
Já na proporção de causas por advogado, a lista é puxada por escritórios enxutos. O Montaury Pimenta, Machado & Vieira de Mello tem 28 advogados e 60.854 causas (cerca de 2.170 por profissional), o Gusmão & Labrunie tem 27 advogados e 53.539 processos (cerca de 1.980) e o Daniel Advogados, com 77 advogados e 76.377 causas, vem em seguida (cerca de 990).
Quem paga a conta
Dos 60 escritórios que trazem a divisão da carteira entre pessoa física e jurídica, a mediana de pessoas físicas é de 10%. Deste total, 11 escritórios declaram 50% ou mais de clientes pessoa física. Entre os clientes pessoa jurídica, as grandes empresas pesam 58% em média, o middle market 32% e outras organizações 10%. Em 24 escritórios, 70% ou mais da carteira corporativa é de grandes empresas. Em média, 44% dos clientes empresariais ficam na região do escritório, e em 12 bancas esse número é de 80% ou mais.
Os setores da economia em que as bancas atuam aparecem de forma relativamente distribuída, com o industrial na frente. A média do industrial é de 28%, do serviço não financeiro 26%, do financeiro 20%, do comercial 17% e do agronegócio 8%. Entre os 63 escritórios com um setor claramente predominante, o industrial lidera em 23, o serviço não financeiro em 21, o financeiro em 14, o comercial em quatro e o agronegócio em apenas um. Outros 12 escritórios têm empate entre setores.
O dinheiro por dentro
Apenas 29 escritórios declararam o faturamento. Dois informam receita de até R$ 10 milhões, cinco de R$ 21 a R$ 30 milhões, cinco de R$ 31 a R$ 40 milhões, três de R$ 41 a R$ 50 milhões e sete de R$ 51 a R$ 100 milhões. Dois ficam na faixa de R$ 101 a R$ 150 milhões e um, na de R$ 151 a R$ 200 milhões. Apenas quatro aparecem acima de R$ 400 milhões, sendo uma delas o Mattos Filho, a única banca que declara publicamente seu faturamento. Entre as faixas declaradas, nenhuma banca aparece entre R$ 201 e R$ 400 milhões.
Na divisão do lucro, o modelo de remuneração mais comum é o de pró-labore fixo mais participação nos lucros, com 32 escritórios. Participação societária por cotas vem com 15, eat what you kill com 7, lockstep com 6 e meritocrático com 5. Apenas 14 não declararam.
Os modelos menos comuns ficam concentrados em poucas categorias: cinco dos sete eat what you kill são abrangentes, e quatro dos seis lockstep e quatro dos cinco meritocráticos são full service. Entre os especializados, só há três modelos em uso: pró-labore, cotas e meritocrático.
Quem manda
Em 43 escritórios Mais Admirados em todas as edições, a administração é feita por um sócio ou grupo de sócios, sem CEO. Em 22, o levantamento aponta sócios na administração e também um CEO. Três entregam a gestão a um profissional contratado, que não é sócio: Hapner Kroetz, Pipek e Lefosse. Somente um caso é misto, o do Daniel, que declara uma CEO e um sócio gestor. Somados, 26 escritórios, um terço do grupo, dizem ter um CEO no comando da estrutura. Dez não declararam como sua administração era feita.
A presença do CEO cresce com o tamanho. Entre os doze escritórios com 300 advogados ou mais, nove declararam ter CEO, e um não respondeu. Entre as 14 bancas com 100 a 299, são quatro. Entre os 53 com menos de 100, são 13, e nove deles não declararam a administração. Por categoria, 15 dos 25 full service têm CEO, contra 7 dos 29 especializados e 4 dos 25 abrangentes.
Entre máquinas e advogados
A inteligência artificial (IA) é algo cada vez mais presente nos escritórios brasileiros. O levantamento aponta que 11 já possuem IA integrada ao centro dos serviços, com ganhos de eficiência já mensurados. Vinte e nove descrevem uso estruturado, com ferramentas e fluxos definidos, e 26 um uso pontual ou experimental por alguns advogados. Treze não declararam.
Os 11 que declaram possuir IA integrada ao centro dos serviços têm tamanhos variados, de 16 a 716 advogados, e se dividem entre quatro full service, quatro abrangentes e três especializados. Entre os full service, 18 dos 25 possuem uso estruturado ou integrado, e entre os especializados a maior fatia, 14 de 29, declara uso pontual.
No modelo de trabalho, 50 escritórios se declaram híbridos, oito ainda não definiram o formato e 12 não responderam. Nove exigem trabalho totalmente presencial: Bermudes, Fragoso, Rechulski, Dias de Souza, Krakowiak, Malheiros Filho, Milaré, Vilardi e Bichara. Sete deles são especializados. Na área de marketing, 37 escritórios têm equipe interna e agência externa, 15 só equipe interna e 12 só agência. Três não têm estrutura dedicada.
Além de advogados, 54 escritórios declaram administradores, economistas e profissionais afins, 38 cientistas de dados e profissionais de tecnologia e 38 equipes de marketing e comunicação. Um escritório conta com engenheiros, outro com contadores e outro com farmacêuticos.

