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Estudo inédito revela atraso do mercado jurídico na experiência do cliente

Pesquisa conduzida por Katsuren Machado e Danielle Serafino, do Opice Blum Advogados, analisa a maturidade da experiência do cliente em escritórios de advocacia no Brasil

18 de December de 2025 15h37
(Imagem: Análise Editorial/Divulgação)

O Legal Customer Experience Report 2025 é o primeiro mapeamento nacional sobre a maturidade em experiência do cliente (CX) no setor jurídico. Realizado por especialistas do Opice Blum Advogados, o estudo ouviu mais de 250 líderes de escritórios de advocacia e departamentos jurídicos corporativos em todo o país.

Em um momento em que a experiência do cliente (CX) se consolida como diferencial  competitivo em setores como varejo, finanças e saúde, o mercado jurídico brasileiro ainda dá  seus primeiros passos nessa agenda. De acordo com a pesquisa, apenas 11% dos escritórios possuem uma estratégia formal de  experiência do cliente, enquanto 91% dos departamentos jurídicos já trocaram de escritório  nos últimos anos, a maioria cita previsibilidade, clareza e agilidade como atributos mais  valorizados.

"No jurídico, quem não mede experiência mede risco e, no fim, perda. O diferencial já não  está apenas na técnica, mas na capacidade de entregar previsibilidade, clareza e confiança  em cada interação com o cliente", afirma Katsuren. Apesar de reconhecerem a importância do tema, a maior parte dos escritórios enfrenta a falta de orçamento,  ausência de liderança dedicada e dificuldade de mensurar retorno sobre investimento (ROI), assim como aponta a pesquisa.  Apenas 16% das organizações mantêm a coleta contínua de feedbacks e, quando isso acontece, o procedimento é mecânico, via e-mail ou WhatsApp, sem análise qualitativa.

"Existe uma lacuna entre o discurso e a prática. O cliente jurídico quer menos promessa e  mais previsibilidade. Prazos cumpridos e linguagem clara valem mais do que slogans", destaca Danielle. A pesquisa aponta ainda que a comunicação e o processo de onboarding de novos clientes são cruciais para captação. Rituais padronizados, tempo de resposta e  objetividade na comunicação aparecem entre as principais causas de insatisfação. Metade  dos departamentos aponta que os canais de comunicação atendem, mas poderiam ser bem  mais eficientes.

Sobre métricas, a pesquisa mostra que a maioria dos escritórios ainda utiliza indicadores genéricos como NPS (do inglês, Net Promoter Score, metodologia usada para  identificar o quanto os clientes recomendam uma empresa) e taxa de conversão, sem  correlação direta da experiência entregue com resultados de negócio. Apenas 1 em cada 5 dos departamentos jurídicos mensuram de maneira consistente a satisfação em relação aos escritórios contratados.

O impacto é notório, visto que 91% dos departamentos afirmam já ter trocado de  escritório no último ano, e apenas 8% perceberam melhora real na experiência. O NPS médio  neutro (70%) apresenta um mercado que ainda não cativa seus clientes. Entre os atributos  mais valorizados pelos departamentos estão clareza, agilidade, transparência na precificação,  visão estratégica e linguagem executiva, fatores que hoje superam o peso da técnica jurídica  isoladamente.

O levantamento revela que, embora a maioria reconheça a importância da inovação, poucos conseguem implementá-la de forma madura e integrada, especialmente no relacionamento entre escritórios e departamentos jurídicos. "A maturidade em Legal Customer Experience começa quando deixamos de olhar apenas para  dentro e passamos a medir o impacto que realmente entregamos para o negócio do cliente",  diz Serafino. Katsuren complementa: "No mercado jurídico, excelência não pode ser  promessa, mas prática mensurável. Quem não estrutura experiência, multiplica ruídos".

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