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Essas advogadas ouviam sempre a mesma questão. Responderam criando um novo negócio

Com seu "shopping de marcas jurídicas" ela pretende apresentar soluções que ela mesma testou e aprovou

18 de Agosto 11h09

Numa comunidade de quase 4.000 integrantes dedicada à gestão jurídica, metodologias ágeis, controladoria e inteligência artificial, a mesma cena se repetia sempre: alguém entrava no grupo e escrevia algo como "preciso de uma indicação de um software jurídico" ou "preciso de uma empresa que faça automação de publicações, andamentos, revisão tributária".

Foi para resolver essa demanda repetida que as advogadas Gleicy Lima e Lesliê Mourad fundaram, em março deste ano, o Shopping de Marcas Jurídicas.

A entrevista a seguir foi concedida por Lesliê Mourad a Lucas Pascoto, editor de conteúdo da Análise Editorial.

Gleicy Lima, sócia da área de Controladoria Jurídica e Legal Ops do escritório Ivo Barbosa Advogados & Associados, e criadora da comunidade Vem ser Agil, e Lesliê Mourad, advogada com quase 20 anos de atuação em Direito Tributário, sócia do escritório Schuch Advogados Associados, fundaram o Shopping de Marcas Jurídicas, um ecossistema de inovação, tecnologia e agilidade jurídica, em março de 2026.

UMA PERGUNTA REPETIDA VIROU UM MARKETPLACE JURÍDICO

Pergunta: Como surgiu a ideia do Shopping de Marcas Jurídicas?

Resposta: Existe a comunidade - Vem ser Ágil - voltada para gestão jurídica, metodologias ágeis, controladoria e inteligência artificial, que hoje tem quase 4.000 integrantes. Lá, sempre surgia a mesma troca: alguém pedindo indicação de um software jurídico ou de uma empresa que presta serviços voltados para a área jurídica.

Pergunta: Foi essa demanda repetida que fez vocês decidirem fundar a plataforma?

Resposta: Foi. No começo deste ano, tivemos a ideia de fundar o Shopping de Marcas Jurídicas para resolver essa demanda de uma vez.

Pergunta: Como funciona a plataforma, na prática?

Resposta: Funciona como um marketplace, uma vitrine onde empresas com sistemas e serviços voltados para a área jurídica podem divulgar sua marca. Separamos tudo por segmentos: controle de intimações, controle de prazo, automação tributária, software jurídico, marcas e patentes, due diligence, entre outros.

Pergunta: E do lado de quem procura um serviço, como é o caminho?

Resposta: As marcas são validadas pelo nosso time de curadoria, e serve tanto a escritórios de advocacia quanto a departamentos jurídicos. A ideia é ter essa indicação criteriosa de advogado para advogado; essa é a função do shopping.

UMA CURADORIA QUE APOSTA A PRÓPRIA REPUTAÇÃO

Pergunta: Toda empresa que quer entrar no shopping é aceita?

Resposta: Não. Toda vez que vemos uma empresa com potencial, fazemos um processo de curadoria: entendemos qual é o serviço, como ela presta esse serviço, como funciona o sistema e como é o pós-venda.

Pergunta: O que faz uma empresa ser recusada nesse processo?

Resposta: Se verificamos que o sistema ainda é embrionário, apresenta inconsistências, que o pós-venda é ruim, ou que a empresa não consegue entregar nada personalizado, só aquele sistema padrão engessado, não credenciamos.

Pergunta: Por que esse rigor é tão importante para vocês?

Resposta: Porque, como nós estamos validando e indicando, estamos dando a nossa cara a tapa. Como ambas temos escritórios, nós conhecemos as dores dos nossos próprios clientes, e só credenciamos aquilo que já testamos e vimos funcionar.

"A gente está dando a nossa cara a tapa."

TRINTA E OITO MARCAS EM CINCO MESES

Pergunta: Quantas empresas já estão credenciadas hoje?

Resposta: Fundamos o Shopping em março deste ano e já estamos com 38 marcas, entre elas Thomson Reuters, Preâmbulo, Publicações Online, Inspira e Kurier. São empresas conhecidas do mercado.

Pergunta: Para quem procura um serviço, existe algum custo de usar a plataforma?

Resposta: Nenhum. O consumidor final entra na plataforma, encontra o segmento que está buscando e já consegue acionar a empresa direto pelo WhatsApp.

Pergunta: Qual é a vantagem de fechar negócio pelo shopping, em vez de negociar direto num evento de legaltech?

Resposta: Além de existir a nossa curadoria, com o selo parceiro de confiança, o Shopping está disponível 365 dias do ano, e sempre pedimos que as empresas credenciadas deixem um desconto para quem fechar pelo shopping, em vez de só durante o evento, como acontece hoje nos principais eventos e feiras jurídicas.

Pergunta: E do lado do tráfego, como está a procura pela plataforma?

Resposta: Tivemos mais de 3.000 acessos no site só no último mês. Hoje, dentro das nossas divisões, o que tem mais procura é controladoria jurídica terceirizada, seguida por gestão de processos e pesquisa de jurisprudência.

Pergunta: Vocês recebem retorno das empresas sobre o que esses acessos geram de negócio?

Resposta: Recebemos, tanto dos consumidores finais quanto das empresas credenciadas. Elas voltam e dizem: "Esse mês, pelo shopping, vieram tantos contatos." Colocamos esses "feedbacks" direto na nossa própria plataforma.

DO WHATSAPP PARA O ESTANDE: O SHOPPING VIRA CONCIERGE

Pergunta: Além do site, vocês têm apostado em eventos presenciais?

Resposta: Sim. Criamos embaixadores em todos os estados: um representante em cada um, trabalhamos também para fechar parceria com a seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) objetivando realizar eventos em conjunto.

Pergunta: Como foi um desses eventos, na prática?

Resposta: Recentemente, fizemos um evento com a OAB de Santo Amaro para divulgarmos como a Inteligência Artificial faz a diferença no dia a dia do jurídico. Convidamos a Inspira, que é uma empresa que, entre outras ferramentas, tem a jurimetria com Inteligência Artificial como um diferencial relevante. Fizemos uma apresentação "mão na massa" demonstrando como a ferramenta agrega na rotina jurídica.

Pergunta: Como vocês escolhem o tema de cada evento?

Resposta: Olhamos o que está sendo mais buscado dentro do nosso site, buscamos um tema alinhado a isso e propomos o evento às empresas que estão alinhadas com aquele determinado tema.

Pergunta: O shopping também já aparece em feiras maiores, fora do digital?

Resposta: Já. Na AB2L, tivemos um estande e funcionou como um tipo de "concierge": as pessoas vinham até nós contar o que estavam buscando na feira, e assim íamos indicando as melhores marcas que estavam na feira prestando aquele determinado serviço. Agora, estamos negociando para participar da Fenalaw.

Pergunta: Qual é o objetivo de vocês com essa expansão para o presencial?

Resposta: Queremos, na verdade, divulgar de forma exponencial o que estamos fazendo. Ganhar esse espaço, tanto no digital quanto no presencial, para que os escritórios e departamentos jurídicos possam chegar às melhores marcas de forma criteriosa e segura.