No decorrer das várias edições do ANÁLISE ADVOCACIA, o mercado jurídico passou por muitas transformações — algumas delas podemos observar na própria composição dos rankings de Mais Admirados. Na primeira edição do anuário, os escritórios com mais de 30 anos eram favoritos entre os executivos jurídicos das maiores empresas do país durante as indicações, enquanto os de até dez anos sequer apareciam.
Hoje o cenário é inverso. No ANÁLISE ADVOCACIA 2026, cerca de 30% dos escritórios Mais Admirados possuem menos de uma década de existência, enquanto os antigos caíram drasticamente. Em 2007, escritórios acima de 31 anos de atuação representavam mais da metade dos eleitos, mas somam apenas 22% do ranking atual.
Os motivos que permeiam essa mudança podem ser diversos, conheça alguns:
Acessibilidade
Rodrigo Kalil Ribeiro, diretor jurídico e de compliance da Leroy Merlin, já participou de sete pesquisas para o ANÁLISE ADVOCACIA e acredita que um dos motivos para o destaque de bancas mais jovens é a acessibilidade e o imediatismo nas respostas. "O executivo jurídico quando vai entrar em contato com algum escritório, precisa de acesso imediato. Nesse sentido, os escritórios novos acabam sendo mais acessíveis", afirma Rodrigo.
O advogado André Menescal, sócio fundador do André Menescal Advogados — Mais Admirado com apenas um ano de existência — cita que a banca recém formada possui mais ânimo e necessidade de conquistar clientela, o que pode torná-los mais solícitos no atendimento de executivos, enquanto os mais tradicionais contam com sua reputação.
Neste ano a OAB realizou o censo Fala Jovem Advocacia, que ouviu 71 mil advogados com até cinco anos de inscrição. Dados prévios da pesquisa apontam que quase metade dos profissionais possuem dificuldades com a falta de clientes no início de carreira. Esses obstáculos podem levá-los ao desânimo ou à motivação citada por André.
Preferência pelos especializados
Junto ao tempo de resposta, vem a promessa de uma atuação mais específica. Os escritórios full services perderam espaço para os especializados nos últimos anos de ANÁLISE ADVOCACIA. Em 2006, as bancas full service eram cerca de 30% de todo o ranking, hoje são apenas 8%, enquanto os especializados são maioria entre as demais categorias.
Gabriel Leonardos, sócio sênior do escritório centenário Kasznar Leonardos, acredita que a especialização pode ser um fator determinante para o destaque de um advogado. "Tem espaço para escritórios full service, mas ele não vai ser tão mais forte quanto os talentos individuais em cada uma das áreas que ele atua. Eu não quero dizer que a especialização dos escritórios seja inevitável, mas acredito que a especialização do advogado é inevitável."
Inovação e adaptabilidade
Um olhar inovador também pode ser fundamental para a permanência ou para o crescimento de um escritório, algo que vai além de tecnologia ou inteligência artificial. Para Gabriel Leonardos, a sociedade brasileira exige inovação.
Essa discussão diz respeito à flexibilidade para negociar honorários, acolhimento da nova geração, diversidade e inclusão e a preparação de uma sucessão que possibilita a continuidade da banca, mesmo após a saída do sócio fundador.
Segundo Leonardos, "essa mudança de guarda que ocorreu no ranking da Análise, reflete a perenização do escritório a partir da dificuldade de sucessão da geração fundadora". Com a frequência de mudanças sociais aumentando diariamente, a adaptabilidade se tornou critério importante para que os profissionais permaneçam em destaque.
Daniel Becker, sócio do BBL Advogados, que se tornou Mais Admirado com apenas 6 meses desde a fundação, explica que esse critério pode ser mais facilmente alcançado por um escritório menor.
O tradicionalismo ainda tem força
Ao mesmo tempo, um grande escritório possui vantagem financeira quando diz respeito à adoção de novas práticas e ferramentas. José Diaz, managing partner do Demarest, banca Mais Admirada há 20 anos, explica: "Na verdade os escritórios que têm mais tempo, têm maior capacidade de investimento. Isso certamente resultará numa adoção mais rápida. O que existe é um processo de adaptação das pessoas dentro do escritório à tecnologia. Então, não é porque o escritório é mais novo."
Apesar de todas as boas características atribuídas à juventude das bancas, as mais tradicionais possuem a reputação ao seu favor, em especial para causas que podem parecer mais complexas aos olhos dos executivos jurídicos. Rodrigo Kalil afirma que, às vezes, o nome e a marca da banca podem contribuir para o sucesso em processos maiores. Para 90% dos entrevistados durante a pesquisa do ANÁLISE ADVOCACIA 2026, a reputação do escritório é um dos fatores que mais influenciam na contratação.
Colaboração
No fim das contas, há algo que parece ser unanimidade entre os advogados. O exercício de resiliência necessário para os escritórios com mais tempo e o crescimento exigido dos recém-abertos pode ser impulsionado pela mesma ferramenta: a colaboração. Tanto internamente quanto externamente, o networking foi apontado como uma das principais ferramentas para ambos os perfis de escritórios, que podem comunicar-se entre si para desenvolvimento mútuo.
André Menescal contou como têm feito para ter tamanho crescimento em pouco tempo: "A gente tem acreditado que um dos principais pilares para sobreviver e se destacar na advocacia do futuro é a capacidade de colaborar. Essa colaboração precisa acontecer entre as pessoas do nosso escritório, com os clientes e com colegas de outros escritórios de advocacia. Os nossos advogados precisam ser capazes de se integrar entre áreas e entre setores".

