O segundo dia da Fenalaw contou com um painel sobre o impacto da Inteligência Artificial (IA) na Advocacia-Geral da União (AGU). Participaram do debate Alexandre Colares (advogado da União) e Caio Castelliano de Vasconcelos (secretário de governança e gestão estratégica da AGU). Durante o painel, Caio Castelliano falou sobre o Super Sapiens, o novo sistema de gestão estratégica da AGU, lançado recentemente pela instituição. Para o secretário, os desafios impostos pelo volume de trabalho da instituição e a jornada de transformação digital culminaram na criação do sistema. "O que diferencia a AGU de qualquer órgão jurídico do Brasil é o volume. Todo mundo acha que sua empresa tem muito volume, mas somente na AGU são 19 mil novas ações por dia útil", complementa o secretário.
A plataforma de gestão tem como foco cobrir todo o ciclo de trabalho do advogado, desde o recebimento da intimação judicial até o protocolo final da peça no tribunal. Para isso, a AGU fez a integração do Super Sapiens com 178 sistemas judiciais em todo o território nacional. Visando aumentar a eficiência do sistema, Caio destaca que a tecnologia faz o uso de inteligência artificial (IA) em três frentes principais: entrega automática de Dossiê Previdenciário ao advogado, etiquetagem (bookmark) para resumir o conteúdo das peças, e geração de minutas inteligentes, ou pré-preenchidas, para o advogado apenas revisar e assinar.
Contudo, mesmo com esses avanços, o secretário revela que ainda existe uma certa resistência por parte dos advogados. Segundo ele, ainda levará tempo para que o sistema seja amplamente aceito pelos escritórios e usuários. "Essa jornada digital de transformação não é fácil em qualquer lugar, mas onde você tem mais volume, e em um ambiente público, ela se torna ainda mais difícil", aponta Caio.
Não existe IA sem governança
Alexandre Colares defende que a transformação digital dentro da AGU foi um passo necessário. "Usar a gestão inteligente e tecnologia não é vaidade, é uma necessidade do dia a dia. A transformação digital é uma condição de sustentabilidade da instituição. Não conseguiríamos responder à nossa missão institucional se não tivéssemos feito este investimento."
O advogado da União revela que, para esse tipo de avanço tecnológico dar certo, é preciso que ele esteja alinhado com a governança. Na visão de Colares, sem isso, é muito difícil que a implementação de uma Inteligência Artificial consiga prosperar.
Colares afirma que, devido à responsabilidade de lidar com dinheiro público e ao constante contingenciamento orçamentário, a AGU deve agir com prudência e desenvolver maturidade institucional antes de avançar. Mas ele revela que isso impulsiona a criação de políticas mais claras. "Esse tem sido o nosso foco, sempre inovar com propósito", conclui o advogado.

