O empreendedorismo feminino alcançou um novo patamar no Brasil em 2025. Mais de 2 milhões de pequenos negócios abertos no período foram liderados por mulheres. Esse dado equivale a 42% do total, segundo levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com base em dados da Receita Federal.
O avanço consolida uma tendência de crescimento contínuo da presença feminina no empreendedorismo. Esse número é impulsionado tanto pela necessidade de geração de renda quanto por maior acesso a crédito, capacitação e redes de apoio. Dessa forma, muitas dessas empreendedoras iniciam seus negócios por oportunidade, mas ainda há forte presença do empreendedorismo por necessidade, especialmente em setores como comércio, alimentação e serviços.
Segundo a sócia do Ivan Endo Advocacia, Rute Endo, as características que se destacam são a formação técnica robusta combinada com soft skills, como comunicação assertiva, inteligência emocional e capacidade de negociação colaborativa, aliadas à visão de negócio.
"Também estamos mais preocupadas com inovação, com adoção de legaltechs e automação, além de foco em propósito, ética e reputação institucional. A valorização de redes, cooperação e mentoria entre mulheres também é um traço dessa geração de mulheres empreendedoras, o que amplia acesso a oportunidades e recursos", complementa Endo.
Formas de liderar e gerir empresas
Rute aponta que a presença crescente de mulheres à frente de novos negócios cria novos estilos de liderança e ambientes mais colaborativos, orientados por propósito, empatia e comunicação clara, que complementam abordagens tradicionais.
"Na minha rotina, isso se manifesta em decisões consultivas, maior atenção ao desenvolvimento de pessoas, governança que incentiva diversidade de pensamento e práticas que equilibram resultados com bem‑estar da equipe". Segundo ela, isso se traduz em agendas que priorizam mentoria e feedback, comitês mistos para decisões estratégicas e indicadores que avaliam cultura além de desempenho financeiro.
Esse modelo de liderança também se reflete na forma como negócios já existentes vêm sendo transformados sob gestão feminina. No Ivan Endo Advocacia, o processo começou com um diagnóstico estratégico conectado à operação. Ao assumir a gestão, Rute Endo identificou gargalos e uma estrutura baseada em processos físicos. A partir disso, conduziu a digitalização de mais de 3 toneladas de documentos e reposicionou o escritório em um modelo boutique, mais enxuto e especializado. Ao mesmo tempo, houve investimento na formação da equipe e no uso seletivo de tecnologia.
Segundo a advogada, a comunicação transparente com equipe e clientes foi determinante para sustentar a transição. "Transformar um negócio existente não é sobre mudar tudo, mas sobre saber exatamente o que preservar e onde evoluir", afirma.
Desafios no empreendedorismo feminino
Apesar do avanço, mulheres ainda enfrentam obstáculos como acesso desigual a financiamento, sobrecarga com tarefas domésticas e menor presença em setores de maior valor agregado. As barreiras incluem desigualdade de encargos domésticos que impactam em disponibilidade e ritmo de carreira, e falta de políticas institucionais robustas (flexibilidade real, licença parental, critérios de ascensão transparentes).
Além disso, a limitação de acesso a redes de relacionamento e a menor presença em espaços de decisão ainda restringem o crescimento de negócios liderados por mulheres. A dificuldade em escalar operações, atrair investimentos e acessar mentorias estratégicas reforça um cenário em que, mesmo com avanço numérico, a consolidação dessas empresas em níveis mais altos do mercado segue como um desafio relevante.
Com participação crescente e desafios ainda estruturais, o empreendedorismo feminino se consolida como uma das principais forças de transformação do mercado brasileiro.

