A construção da admiração não se edifica com pressa, nem se conquista por decreto. Como uma árvore que lança raízes profundas antes de alcançar o céu, a reputação no universo jurídico se tece em camadas de tempo, competência e reconhecimento silencioso. Vinte anos após sua primeira edição, o ANÁLISE ADVOCACIA celebra não apenas um marco temporal, mas a cartografia de uma admiração coletiva — aquela que nasce do olhar criterioso de quem confia seus dilemas mais complexos a mãos capazes.
Embora não haja uma fórmula mágica para se tornar um dos Mais Admirados do país, podemos tentar entender como é o retrato do profissional que chama a atenção dos tomadores de decisão do mercado brasileiro. Os números da edição 2026 revelam mais do que estatísticas: desenham o rosto de uma advocacia que se reinventa, mantendo-se fiel aos pilares que sustentam a excelência.
O perfil que emerge das urnas corporativas
A pesquisa que elegeu os 2.926 advogados Mais Admirados em 2026 revela um perfil marcado pela experiência consolidada e pela presença masculina predominante. Dos profissionais reconhecidos, 69% são homens, enquanto 31% são mulheres — uma proporção que, embora ainda desigual, reflete os desafios históricos de gênero na advocacia corporativa brasileira.
A maturidade profissional se impõe como característica dominante: metade dos eleitos (50%) situa-se na faixa etária entre 41 e 50 anos, seguida por 24% entre 51 e 60 anos. Juntas, essas duas faixas representam 74% dos Mais Admirados, evidenciando que a admiração no meio jurídico empresarial é fruto de décadas de construção reputacional. Apenas 1% dos eleitos tem até 30 anos, enquanto 19% situam-se entre 31 e 40 anos — números que sugerem que o reconhecimento pleno na advocacia empresarial exige tempo de maturação.
A evolução de um retrato ao longo de duas décadas
Comparando o perfil do advogado Mais Admirado entre 2008 — quando este levantamento começou a ser realizado de forma sistemática — e 2026, observa-se um movimento de rejuvenescimento relativo. A idade média caiu de 53 para 48 anos, enquanto o tempo médio de profissão diminuiu de 27 para 23 anos.
As especialidades mais valorizadas também se transformaram. Em 2008, predominavam Societário, Tributário e Fusões e Aquisições. Em 2026, a tríade passou a ser Cível, Societário e Tributário, refletindo as mudanças nas demandas do ambiente corporativo brasileiro. A formação acadêmica também se diversificou: se antes a faculdade pública era mais comum entre os Mais Admirados, hoje predominam os egressos de instituições privadas.
Escritórios: entre a especialização e a amplitude
Entre os 1.092 escritórios eleitos Mais Admirados, a distribuição por tipo de atuação revela um mercado em transformação. Os escritórios especializados representam 48% dos eleitos, mantendo a mesma proporção de 2020. Já as bancas abrangentes correspondem a 44%, enquanto os modelos full service, que em 2006 representavam 34% dos eleitos, caíram para apenas 8% em 2026.
Esta tendência à especialização reflete uma sofisticação crescente do mercado jurídico brasileiro. As empresas buscam cada vez mais profissionais com conhecimento vertical profundo em áreas específicas, em detrimento de modelos generalistas.
A experiência como patrimônio
O tempo de atuação dos escritórios eleitos reforça a tese de que a admiração no meio jurídico não é conquista efêmera. Escritórios com até 10 anos de existência representam 30% dos eleitos, enquanto aqueles com 11 a 20 anos correspondem a 26%. A faixa de 21 a 30 anos representa 22%, e mesmo bancas com mais de 40 anos mantêm presença significativa (13%).
Estes números sugerem que, embora haja espaço para novos players, a reputação consolidada ao longo de décadas continua sendo um ativo valioso. Dos 1.092 escritórios eleitos em 2026, 128 aparecem pela primeira vez na publicação — um sinal de renovação que convive com a permanência: 80 escritórios foram reconhecidos em todas as 20 edições do anuário.
O reconhecimento como espelho do mercado
Os números do ANÁLISE ADVOCACIA 2026 desenham o retrato de uma advocacia que equilibra tradição e renovação, especialização e abrangência, experiência e juventude. São 20 anos mapeando não apenas nomes, mas a própria evolução do direito empresarial brasileiro — suas demandas cambiantes, suas transformações estruturais, seus novos desafios.
A admiração, afinal, é o veredito mais honesto que um mercado pode emitir sobre si mesmo. Ela não se compra, não é suscetível a falcatruas e não se decreta. Constrói-se voto a voto, caso a caso, na memória daqueles que, diante de encruzilhadas jurídicas complexas, encontraram em determinados profissionais e escritórios não apenas competência técnica, mas a confiança necessária para atravessar tempestades corporativas. Os eleitos Mais Admirados são, assim, o reflexo mais fiel daquilo que o mercado jurídico brasileiro valoriza — e do caminho que ainda tem pela frente.

