O aumento significativo nos índices de ansiedade e burnout no Brasil tem se tornado um ponto de atenção crítico para o mundo corporativo. Desse modo, dados recentes reforçam a urgência de empresas adotarem estratégias de autorregulação emocional e reprogramação mental para reduzir impactos na produtividade, inovação e bem-estar.
Um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) revela que aproximadamente 9,3% da população brasileira enfrenta algum transtorno de ansiedade. Estudos do Instituto Cactus e do Datafolha mostram que mais de 70% dos profissionais brasileiros relatam sobrecarga emocional ligada ao trabalho, às finanças e aos relacionamentos. Esses números explicam o debate sobre esgotamento mental, procrastinação e estagnação pessoal e reforçam a necessidade de abordagens alternativas no trabalho.
O Brasil está entre os países com maior prevalência de ansiedade, com aumento de afastamentos do trabalho por saúde mental. De acordo com a psicanalista e pesquisadora Elainne Ourives, o estresse crônico prejudica decisões, foco e criatividade, afetando produtividade e qualidade de vida. "O interesse por métodos de autoterapia e autorregulação emocional, que buscam ampliar o autoconhecimento e oferecer ferramentas práticas para lidar com padrões mentais repetitivos, tem ganhado força para lidar com todos esses desafios", destaca Ourives.
Padrões mentais
Além disso, a literatura científica, especialmente na neurociência cognitiva, demonstra que processos inconscientes influenciam a maior parte das decisões humanas. Experiências emocionais e estímulos sociais ao longo da vida moldam até 95% das respostas comportamentais. "As pessoas se culpam por não conseguir mudar, mas muitas estão apenas repetindo programas emocionais que nunca foram revisados", explica a especialista.
Esses padrões inconscientes frequentemente se manifestam em áreas cruciais da vida adulta, como carreira e finanças. Dificuldades recorrentes e interrupções de projetos não indicam incapacidade, mas insatisfação emocional, culpa ou rejeição. Contudo, técnicas de autorregulação emocional, aliadas a estímulos repetidos, favorecem a neuroplasticidade e reduzem ansiedade e fadiga mental. Um estudo do Instituto Ipsos revela que 62% dos brasileiros têm dificuldade em "desligar a mente" fora do horário de trabalho, um dos principais fatores associados à exaustão emocional.
"Cuidar da mente não é um luxo. Em um mundo de cobrança constante, é uma estratégia básica de saúde", conclui Elianne. Com uma base de mais de 300 mil alunos em cerca de 40 países, a percepção de Elainne Ourives é que a busca por equilíbrio emocional transcende o consultório e se tornou uma necessidade diária para profissionais que enfrentam múltiplas pressões e abusos.

