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A Escola dos Mais Admirados: Deu PUC-SP duas vezes

Segundo o levantamento da Data Análise, a liderança da instituição de ensino se mantém tanto no critério absoluto do levantamento quanto no proporcional de votos por vagas oferecidas anualmente

18 de Agosto 12h27

O que você fica sabendo aqui

  • PUC-SP lidera o ranking de universidades que mais formam Mais Admirados, à frente da USP mesmo quando o critério pondera o tamanho das turmas;
  • Juntas, as unidades da PUC (SP, RJ, RS, Minas, PR e outras) respondem por cerca de 30% de todos os Mais Admirados do país;
  • São Paulo e Rio de Janeiro concentram as faculdades que mais formam profissionais admirados, mas cada estado tem seu próprio ranking;
  • Comparando os anuários ANÁLISE ADVOCACIA 2025 e 2026, a USP é a faculdade que mais perde participação entre as dez universidades que mais formam profissionais admirados, enquanto o Mackenzie é o que mais ganha.

Conteúdo original, dados e entrevistas: informação que faz diferença

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Esta reportagem é de Kauê Medeiros e foi um trabalho em equipe do núcleo de dados com a redação. Os depoimentos são de gente de verdade, profissionais que vivem o mercado que está sendo medido.

Os números que você lê nesta reportagem vêm do levantamento interno da Análise Editorial e das vagas confirmadas com cada universidade. Onde a relação foi construída internamente, como a de votos por vaga, o texto avisa que ela serve para situar a discussão e não tem validade estatística.

A IA ajudou e muito, mas todo o conteúdo é original e o resultado é uma informação nova.

Alexandre Secco é sócio e editor da Análise Editorial e consultor em comunicação estratégica.

Pelo nosso modelo, deu PUC-SP

O tira-teima

A PUC-SP consistentemente figura nos rankings dos anuários ANÁLISE ADVOCACIA como a faculdade que mais forma advogados Mais Admirados. Uma crítica comumente levantada pelo mercado é a de que esse resultado se dá pelo fato de a PUC ter turmas maiores do que a USP, que vem sempre em segundo lugar, e por isso a instituição confessional figura sempre na primeira posição.

Por isso, resolvemos fazer uma espécie de "tira-teima". Checamos o número de vagas oferecidas para cada uma das universidades e estabelecemos uma relação com o número de profissionais admirados, e as instituições de ensino em que eles declararam ter se graduado em Direito. Apesar de este levantamento não se propor a ser algo definitivo, ele ajuda a situar um pouco melhor essa questão.

O efeito PUC

Mesmo neutralizando o efeito do tamanho das turmas, a PUC-SP continua à frente da USP, ainda que por uma margem mais estreita do que a diferença em número absoluto de admirados. No critério bruto, a PUC-SP soma 294 votos contra 231 da USP. Na proporção de votos por vaga, que divide o número de votos de cada instituição pela quantidade de vagas oferecidas anualmente, os índices se aproximam. A PUC-SP fica em 0,45 e a USP, em 0,41.

Vagas e eficiência

Esse mesmo critério ajuda a explicar por que um número expressivo de vagas nem sempre se traduz em proporção elevada de admirados. O exemplo mais extremo é o da Universidade Paulista (Unip): apesar de oferecer mais de 19 mil vagas anuais em todo o Brasil e somar 36 votos no ranking absoluto, sua proporção de votos por vaga é de apenas 0,002, a mais baixa entre as universidades do levantamento que informam o número de vagas.

Outro dado reforça o peso das Pontifícias Universidades Católicas no mercado jurídico: somadas todas as suas unidades no país, elas respondem por cerca de 30% de todos os advogados eleitos Mais Admirados em todo o território brasileiro.

Fonte: Data Análise

Poucas, mas eficientes: Com menos universidades, as públicas concentram a maior quantidade de admirados

Diferentemente do que se imagina, as instituições de ensino públicas são as que mais formam advogados Mais Admirados em todo o território nacional

Liderança pública

De acordo com os dados levantados pela Data Análise, as universidades públicas são a principal origem dos talentos da advocacia brasileira, mesmo tendo o menor número de campi no território brasileiro. Tanto em 2025 quanto em 2026, esse tipo de instituição de ensino se manteve como a que mais formou profissionais admirados, com 36% do total de eleitos. Vêm depois as PUCs, com 30%, as universidades privadas laicas, com 21%, e as outras confessionais (privadas de origem religiosa, como o Mackenzie), com 13%. As estrangeiras respondem por 0,3%.

Um terço do total

No anuário ANÁLISE ADVOCACIA 2025, quase um terço dos profissionais eleitos como Mais Admirados se formou em alguma unidade da PUC ao redor do Brasil. Esse tipo de universidade ficou à frente de instituições privadas e confessionais de outras denominações.

Fonte: Data Análise

Porque a PUC-SP?

Um ano depois: O que mudou no ranking dos Mais Admirados

A USP andou de lado

Embora tenha mantido a segunda posição geral, a USP foi a que apresentou a maior perda de participação entre as edições do anuário ANÁLISE ADVOCACIA. Sua participação de votos caiu de 9,2% em 2025 para 7,9% em 2026. Essa redução de 1,3 ponto percentual é a maior entre todas as faculdades do levantamento. Em números absolutos, a USP passou de 259 votos em 2025 para 231 em 2026.

Mackenzie em alta

Em contrapartida, o Mackenzie foi a universidade que teve a maior ampliação da base de admirados. A instituição de ensino saltou de 132 para 156 eleitos, e sua participação subiu de 4,7% em 2025 para 5,3% em 2026. Apesar do crescimento modesto de 0,6 ponto percentual, esse número reforça a trajetória crescente da instituição entre as edições.

Outras variações

Entre as demais instituições, destaca-se a PUC-RJ, que subiu uma posição e agora ocupa o quarto lugar, ultrapassando a UERJ. Já a Unip também apresentou melhora e subiu da décima para a nona posição, com crescimento de 0,2 ponto percentual em sua participação.

Fonte: Data Análise

Por que a Mackenzie?

  • Ellen Cristina Gonçalves Pires, CEO e head de contencioso estratégico do PG Advogados e uma das mais admiradas do anuário Análise Advocacia 2026, é formada e mestre em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.
"Para quem pretendia advogar, e não apenas passar na OAB, esse pé na prática pesava muito. Havia opções fortes na época, mas o Mackenzie oferecia uma combinação de rigor técnico com formação humanística e ética que eu só fui valorizar plenamente depois, liderando um escritório."
Ellen Cristina Gonçalves Pires, CEO e head de contencioso estratégico do PG Advogados e formada e mestre em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. (Imagem: Divulgação)

Porque a PUC-SP?

  • Bruno Balduccini, sócio do Pinheiro Neto Advogados e um dos mais admirados do anuário Análise Advocacia, é formado em Direito pela PUC-SP.
"Na época, olhei os rankings e fui atrás das melhores: PUC, USP e Mackenzie. Prestei as três. Acabei entrando na PUC, e não tive pouca sorte."
Bruno Balduccini, sócio do Pinheiro Neto Advogados e formado em Direito pela PUC-SP (Imagem: Divulgação)

Por que a USP?

  • Elias Marques de Medeiros Neto, sócio do TozziniFreire Advogados e um dos mais admirados do anuário Análise Advocacia 2026, é formado em Direito pela USP.
"Quando eu ingressei, em 1997, a USP era uma faculdade de elite em termos de formação jurídica. Acredito que, do ponto de vista de grade curricular, de indicação de livros e de qualidade do corpo docente, ela era uma excelente escolha para me formar como profissional."
Elias Marques de Medeiros Neto, sócio do TozziniFreire Advogados e formado em Direito pela USP (Imagem: Divulgação)

Por trás dos números

Para construir os rankings e indicadores do Data Análise, utilizou-se o banco de dados do anuário ANÁLISE ADVOCACIA 2026, considerando a instituição de ensino em que cada advogado admirado declarou ter se graduado em Direito. A estrutura do levantamento baseia-se em dois recortes metodológicos:

O ranking de representatividade e votos por vaga mede o volume total de votos válidos obtidos no levantamento, que soma 2.940 indicações. É sobre esse total que a PUC-SP atinge 10% e a USP chega a 7,9%. A coluna de votos por vaga resulta da divisão do número de votos recebidos pela quantidade de vagas oferecidas pelas universidades por ano. Essa métrica é uma relação criada pela Data Análise para aproximar, ainda que informalmente, o volume de admirados ao tamanho das turmas de cada faculdade, sem pretensão de validade estatística ou equivalência a indicadores de mercado.

Como chegamos a essas conclusões

O perfil das instituições mapeia os 1.501 advogados eleitos que declararam formalmente sua faculdade de graduação na pesquisa da Análise Editorial, sendo essa a base para os percentuais de distribuição entre categorias. Nesse agrupamento estão:

  • PUCs: Soma todos os profissionais formados em unidades da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP, PUC-RJ, PUCRS, PUC Minas, PUC-PR, etc.), tratadas como grupo por compartilharem a mesma marca.
  • Outras confessionais: Agrupa universidades privadas de origem religiosa que não pertencem à rede PUC (ex.: Mackenzie).
  • Estrangeiras: Contempla instituições com sede fora do país.

Vagas oferecidas por ano

A Universidade Paulista (Unip) lidera a oferta anual de vagas, disponibilizando 19.612 oportunidades. Em seguida, figuram a PUCRS, com 1.200 vagas, e o Mackenzie, com 1.080. Mais abaixo aparecem a PUC-SP, que oferece 654 vagas, e a USP, com 560. Por fim, completam a lista a UFMG, com 400 vagas, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com 312, e a PUC-RJ, com 300 vagas anuais.

A apuração sobre a quantidade de vagas anuais oferecidas no curso de Direito teve como base editais de vestibulares, Manuais do Candidato e processos seletivos de 2025, com validação posterior junto a cada instituição de ensino. Em universidades com múltiplos campi (como USP e Unip), a contagem consolida o total de vagas de todas as unidades, e não apenas do campus principal. Vale frisar que a quantidade pode sofrer variações ano a ano dependendo da demanda identificada por cada instituição de ensino.

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