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A edição de 2026 do Análise Advocacia Mulher apresenta crescente em sete especialidades, sendo mais notável em cível, digital e arbitragem

A edição de 2026 do Análise Advocacia Mulher mostra avanço em sete especialidades, com cível, digital e arbitragem liderando o movimento

6 de April 8h05
(Imagem: Análise Editorial/Divulgação)

A edição do Análise Advocacia Mulher 2026 reúne 1.490 advogadas Mais Admiradas do país. As advogadas estão organizadas em diferentes especialidades, e unidas no propósito de transformar a advocacia. O levantamento parte da pesquisa Análise Advocacia 2025 e reúne exclusivamente as advogadas indicadas por executivos jurídicos das maiores empresas do Brasil.

Entre as áreas que ganharam maior projeção nesta edição, destacam-se Digital, Arbitragem e Cível (consultivo e contencioso). Outras quatro especialidades ampliaram levemente sua presença no ranking. São elas: Penal (Inclusive Penal Empresarial), Consumidor, Concorrencial e Contratos Empresariais.

O avanço dessas práticas no Análise Advocacia Mulher 2026 acompanha a crescente relevância que vêm adquirindo no mercado jurídico e evidencia o fortalecimento da atuação feminina nesses campos. Para entender esse movimento, convidamos advogadas Mais Admiradas nas três áreas de maior crescimento para comentar os fatores por trás desse crescimento e seus reflexos no setor.

Cível em ascensão

A especialidade de Cível indicou um crescimento de 4,4% em relação ao ano passado. De 158 advogadas reconhecidas para 164, mantendo crescimento contínuo em todas as edições. Os números confirmam. Desde 2021, o número de advogadas reconhecidas pelo Análise Advocacia Mulher cresceu 33%, chegando a 1.490 na edição de 2026. O cível figura entre as cinco maiores especialidades em indicações. "Não é coincidência — é o resultado de um mercado que finalmente passou a reconhecer e destacar a presença feminina, que diga-se de passagem, sempre esteve ali", segundo a sócia do Advocacia Correa de Castro & Associados, Adriana D’Avila Oliveira.

O escritório da sócia conta com 91% do quadro feminino e quatro dos seis sócios titulares são mulheres. Adriana conta que o escritório alcançou esse êxito e longevidade unindo a força do time e a confiança dos clientes, aliadas à combinação de profundidade técnica, ética e uma visão preventiva, que não se trata de exceção, mas sim de padrão.

"A tecnologia foi catalisadora: automação de minutas, gestão em nuvem, audiências telepresenciais e monitoramento preditivo de processos libertaram as advogadas para o que realmente importa — pensar juridicamente, com estratégia", comenta Oliveira.

A valorização da mediação, da negociação estratégica e da resolução extrajudicial não é apenas uma tendência processual. É uma mudança cultural sobre o que significa resolver bem um conflito. Assim, a advocacia feminina cultivou com consistência competências como escuta qualificada, capacidade de mediar interesses divergentes e orientação para soluções duradouras. Como resultado, o mercado deixa de enxergar essas habilidades como traços de personalidade e passa a reconhecê-las como diferenciais técnicos de alto valor.

Digital em evidência nesta edição

Digital foi a especialidade que mais se evidenciou no ranking de 2026, passando de 87 advogadas admiradas para 97, em relação à publicação de 2025. Para Priscila Kei Sato, sócia do PSGW Advogados, se dá por um movimento mais amplo impulsionado por macrotemas da economia e do direito digital. Nesse sentido, a expansão do comércio eletrônico e dos marketplaces, o aumento de fraudes eletrônicas e ataques cibernéticos, disputas envolvendo propriedade intelectual, publicidade com influenciadores e concorrência em plataformas digitais, além do uso crescente de inteligência artificial e decisões automatizadas, são fatores recentes que impulsionaram esse crescimento — somando-se à já conhecida LGPD.

"A proteção do consumidor e de públicos vulneráveis no ambiente digital virou o centro do debate ultimamente. O Direito Digital deixou de ser apenas um campo de adequação normativa e passou a influenciar diretamente a viabilidade jurídica e a sustentabilidade de modelos econômicos baseados em tecnologia", diz Sato.

De acordo com Priscila, destacam-se neste mercado as profissionais que combinam domínio regulatório ampliado e atuação em propriedade intelectual e concorrência digital. Também, aquelas com experiência na estruturação de contratos e ativos digitais complexos, gestão de riscos, prevenção a fraudes e compreensão estratégica de inteligência artificial. Outro diferencial é o conhecimento aprofundado em governança algorítmica, produção de prova eletrônica e análise de registros em blockchain.

Para Ana Carolina F. de Melo Brito, sócia do Trigueiro Fontes Advogados, no último ano, o reconhecimento das advogadas nessa área vem de um movimento maior. Este movimento seria a transformação digital e difusão do uso da inteligência artificial. Esse fenômeno acelerou a demanda por governança, porque as equipes passaram a usar mais ferramentas e a circular mais informação, incrementando riscos para as empresas. De outro lado, as empresas perceberam os dados e a tecnologia como um ativo. Com poder de impulsionar os negócios, mas que pode se transformar rapidamente em um grande passivo, se não for bem gerenciado.

O próprio papel do jurídico nas empresas evoluiu, segundo ela. Antes, era chamado quando o projeto já estava pronto, para validar algum trabalho feito, ou para apagar algum incêndio. Hoje, em organizações mais maduras, a atuação jurídica também entra no desenho do projeto, no planejamento de crescimento da empresa. "Na atuação em proteção de dados e digital, vimos essa mudança quando começamos a ser chamadas para opinar em reuniões de planejamento, na escolha da ferramenta, no jeito de implementar, na forma de treinar o time, para avaliar riscos, tudo com foco em prevenção", complementa. Como resultado, vemos que os clientes procuram uma abordagem de longo prazo, e para isso é preciso ter conhecimento do negócio, analisar dados e antecipar tendências.

Arbitragem aparecendo aos poucos

A especialidade apresentou um aumento de 11%, em comparação a 2025, de 72 para 80 advogadas prestigiadas. Ou seja, ao analisar as estatísticas e estudos sobre as arbitragens no Brasil, observa-se uma expansão consistente do mercado arbitral nas últimas décadas. Segundo a sócia do Almeida Advogados, Andréa Seco, em 2024 havia 1.219 arbitragens em andamento nas principais câmaras brasileiras, e valores envolvidos em disputa na casa de dezenas de bilhões de reais. Esse aumento de volume e complexidade ampliou significativamente a demanda por profissionais especializados, abrindo espaço para uma maior participação feminina tanto na advocacia quanto na atuação como árbitras e especialistas.

Como resultadodessa expansão, há indicadores concretos de aumento da presença feminina. Relatórios apontam que mulheres ocupam espaços como presidências de tribunais arbitrais, designadas presidentes em aproximadamente 57% dos casos nas maiores câmaras de arbitragem do país. Além de representarem cerca de 39% dos árbitros em 2024 no Brasil. É possível verificar também que alguns centros arbitrais relevantes possuem iniciativas institucionais de diversidade o que vem ajudando na maior diversidade dos profissionais atuantes em tal campo.

"É importante reconhecer que o avanço não significa plena paridade. O aumento da participação feminina tem sido impulsionado sobretudo por políticas institucionais de igualdade de gênero promovidas por importantes câmaras arbitrais e por maior conscientização do mercado, enquanto as indicações feitas diretamente pelas partes ainda refletem certo desequilíbrio", acrescenta Seco.

Porém, o crescimento da arbitragem no Brasil não apenas ampliou o espaço de atuação, mas também elevou a visibilidade de advogadas na área. Esse movimento indica um movimento de reconhecimento que se intensifica à medida que o setor continua a crescer.

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