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A Geração Z e a vida corporativa: está dando certo?

Por Gianfranco Cinelli, fundador do Jurídico Sem Gravata

11 de March 19h51

Constantemente escuto de líderes reclamação ao contratar e trabalhar com os jovens de hoje, especialmente os da Geração Z. Alguns reclamam da falta de comprometimento; outros, da dificuldade de relacionamento. Há críticas sobre a dificuldade de trazê-los presencialmente ao escritório, além da alta ambição e baixa resiliência - entre outras que compõem uma lista extensa.

Você já vivenciou alguma situação assim, fique à vontade de compartilhar nos comentários.

Será mesmo que estamos frente a uma geração perdida? E se realmente há dificuldade nesta comunicação, como podemos melhor integrar a Geração Z no atual mercado de trabalho?

A Geração Z, composta por aqueles nascidos entre meados dos anos 1990 e 2010, cresceu em um ambiente profundamente digitalizado, onde a tecnologia sempre esteve presente em seu cotidiano. Esse contexto lhes proporcionou uma habilidade intuitiva para lidar com ferramentas digitais, inovação e rápida adaptação às mudanças tecnológicas. No entanto, essa mesma imersão digital pode ter reduzido oportunidades para o desenvolvimento de habilidades interpessoais essenciais, como comunicação eficaz, empatia e trabalho em equipe.

Com o advento de novas tecnologias, como a Inteligência Artificial, posso afirmar que estamos vivenciando mais uma grande transformação da forma que trabalhamos e assim o diferencial humano ganha protagonismo, por sua capacidade de comunicação, empatia e adaptabilidade. Então como trazer a geração Z para este jogo?

Desafios da adaptação ao ambiente corporativo

Mas qual a origem deste distanciamento geracional? De tudo o que eu li, vivo com minhas filhas e experimentei liderando times arrisco dizer que a Geração Z cresceu em um mundo digital, onde a comunicação acontece de forma rápida e majoritariamente virtual. No entanto, ao ingressar no mercado de trabalho, muitos jovens se deparam com um cenário que exige habilidades interpessoais, resiliência e capacidade de adaptação a dinâmicas presenciais, que nem sempre foram priorizadas em sua formação, daí vem a frustração de ambos.

O impacto da comunicação digital nas relações profissionais

O uso constante de dispositivos eletrônicos moldou a forma como a Geração Z se expressa e interage. Mensagens de texto, emojis e interações por redes sociais substituíram boa parte da comunicação verbal e presencial, criando uma preferência por trocas rápidas e objetivas. No ambiente corporativo, essa tendência pode ser um desafio, já que a comunicação eficaz envolve nuances como linguagem corporal, tom de voz e escuta ativa - aspectos essenciais para negociações, liderança e construção de relacionamentos profissionais.

Dificuldade na gestão de tempo

A hiperconectividade também trouxe outro desafio: a dificuldade de manter o foco em tarefas prolongadas. A exposição constante a notificações e estímulos digitais torna a concentração um bem cada vez mais raro. Em um mercado de trabalho que valoriza produtividade e eficiência, a capacidade de gerenciar o tempo e estabelecer prioridades se torna fundamental. Desenvolver autodisciplina e estratégias para minimizar distrações é uma necessidade para que essa geração alcance seu potencial no ambiente corporativo.

Inteligência emocional no mundo do trabalho Além das questões técnicas, a Geração Z também enfrenta desafios emocionais. Criados em um ambiente de estímulos instantâneos e respostas rápidas, muitos profissionais jovens demonstram menor tolerância à frustração e ao feedback negativo. Em um cenário profissional onde desafios e pressões são constantes, desenvolver resiliência e inteligência emocional é crucial. Isso inclui aprender a lidar com adversidades, trabalhar sob pressão e construir relacionamentos profissionais saudáveis.

Virando o jogo

Para que essa geração se desenvolva plenamente no ambiente corporativo, é fundamental que empresas e líderes invistam em treinamentos voltados para habilidades interpessoais, inteligência emocional e até gestão do tempo. Essas habilidades também já foram chamadas de soft skills e mais recentemente de human skills por Simon Sinek, renomado autor e palestrante conhecido por sua abordagem inovação sobre liderança e motivação, uma vez que são aquelas competências que nos unem como seres humanos. Da mesma forma, cabe aos próprios profissionais da Geração Z reconhecerem esses desafios e buscarem aprimoramento contínuo.

Embora essa transição para o mundo do trabalho tradicional possa parecer desafiadora, a Geração Z tem a seu favor a capacidade de adaptação e aprendizado rápido. Com o suporte certo e o desenvolvimento das competências necessárias, eles podem se tornar profissionais altamente qualificados e preparados para os desafios do futuro.

Como fazer isso?

Não há atalhos, para que a Geração Z desenvolva habilidades interpessoais de forma prática, é essencial integrar experiências imersivas e colaborativas à sua rotina e ao seu aprendizado. Programas de mentoria cruzada, por exemplo, permitem que jovens profissionais absorvam insights valiosos de líderes experientes e vice-versa, aprendendo a lidar com desafios reais do ambiente corporativo. Simulações de cenários empresariais e projetos em equipe também são estratégias eficazes, pois estimulam competências como comunicação assertiva, negociação e tomada de decisão sob pressão. Empresas inovadoras já aplicam técnicas como a gamificação para tornar esse aprendizado mais dinâmico, desafiador e próximo da realidade do mercado.

Além disso, a prática contínua e o feedback estruturado são fundamentais para o desenvolvimento das chamadas human skills. Criar uma cultura organizacional que valorize a troca de experiências, a diversidade de pensamento e a colaboração permite que a Geração Z refine suas habilidades sociais naturalmente. Workshopssobre inteligência emocional, treinamentos voltados para a escuta ativa e até mesmo o incentivo ao networking fora do ambiente digital são estratégias eficazes para que esses profissionais fortaleçam sua capacidade de interação e adaptação. Quanto mais expostos a diferentes perspectivas e estilos de trabalho, maior será seu crescimento interpessoal e sua prontidão para enfrentar os desafios do mundo corporativo.

E como podemos fazer a diferença?

Líderes e gestores desempenham um papel crucial para inspirar esses jovens profissionais, promovendo uma cultura de aprendizado contínuo e oferecendo suporte prático. Ao investir em programas de treinamento, iniciativas colaborativas e ambientes inclusivos, as organizações criam oportunidades para que esses talentos aprimorem suas habilidades de comunicação, empatia e resiliência - competências indispensáveis para navegar pelos desafios do mercado atual.

Caso a organização que você atua ainda não possui ainda programas estruturados, não se preocupe, faça você mesmo pode fazer isso com a sua equipe e com aqueles jovens que estão a sua volta.

Portanto, o objetivo não se resume apenas a equipar a Geração Z com ferramentas técnicas, mas a construir um ecossistema, ao menos ao seu redor, onde as habilidades humanas ou human skills se entrelacem as demandas do mundo corporativo e a inovação. Essa integração fortalece não só o desenvolvimento individual, mas também a capacidade das empresas de prosperar em um mundo em constante transformação, consolidando a importância do equilíbrio entre tecnologia - especialmente considerando o enorme potencial transformador das IAs - e competências interpessoais como pilar para o futuro do trabalho.

Concluindo, investir nas habilidades humanas é que o nos tornará realmente indispensáveis em um mundo cada vez mais tecnológico, e cabe a você gestor decidir como enfrentar essa transformação.

Gianfranco Cinelli é fundador do Jurídico Sem Gravata.

Gianfranco Cinelli, fundador do Jurídico Sem Gravata

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Gianfranco Fogaccia Cinelli