GRU JT e PagTesouro: Como a automação de pagamentos acelera processos na Justiça do Trabalho | Análise
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GRU JT e PagTesouro: Como a automação de pagamentos acelera processos na Justiça do Trabalho

Com a adoção da plataforma digital, o sistema deve reduzir falhas de preenchimento e otimizar a arrecadação federal

10 de April 15h35
(Imagem: Análise Editorial/Reprodução)

A  Justiça do Trabalho (JT) implementou o sistema GRU JT como o único meio para o pagamento de taxas processuais. A implementação desta plataforma digital extingue o uso de boletos e introduz a validação automática de dados com compensação imediata de valores, o que agiliza o andamento dos processos. O sistema inclui, ainda, opções de recolhimento via Pix e cartão de crédito por meio do PagTesouro.

Essa modernização visa reduzir falhas de preenchimento e otimizar a arrecadação federal no âmbito judiciário. Devido a essa mudança, departamentos jurídicos e empresas precisam atualizar seus fluxos internos para evitar erros na emissão de guias e garantir a conformidade com as novas diretrizes do Tesouro Nacional. 

Planejamento de custos

Ao substituir a antiga compensação bancária pela confirmação instantânea, a GRU JT busca acelerar a conclusão de processos trabalhistas. Como resultado, essa mudança pode gerar repercussões positivas dentro dos departamentos jurídicos. Um dos reflexos imediatos é a viabilização de uma nova forma de planejamento financeiro para as organizações. Esse cenário favorece a redução de equívocos no preenchimento de dados e amplia a agilidade operacional por meio das novas modalidades de pagamento disponíveis.

O sócio-diretor do Greco Vizentim Santana Advogados (GVS), Leonardo Vizentim, ressalta que as guias já eram preenchidas digitalmente no portal da Justiça do Trabalho. No entanto, esse preenchimento ocorria de forma manual, fator que elevava a possibilidade de erro humano.

O sócio-diretor relata que, antes do novo sistema, clientes e escritórios dependiam exclusivamente do Banco do Brasil ou da Caixa Econômica Federal para o pagamento de custas processuais. Além disso, empresas que não possuíam conta nessas instituições financeiras enfrentavam dificuldades operacionais, sendo obrigadas a realizar depósitos na "boca do caixa" ou a solicitar que uma banca de advocacia efetuasse o pagamento.

"Embora os prazos judiciais permaneçam inalterados, há um ganho de fluxo operacional significativo. Com o pagamento via Pix ou cartão de crédito, os recursos podem estar em qualquer banco. Além disso, a inovação do cartão de crédito permite o recolhimento das custas mesmo que a empresa não tenha caixa imediato, ainda que sob acréscimo de juros", complementa Vizentim.

Do tradicional para o digital

No entanto, as organizações devem prestar atenção redobrada à mudança de rotina para evitar falhas processuais que possam levar a problemas legais. Ao menos é o que Vinícius Rúpolo Teixeira, advogado do contencioso estratégico do Pipek Advogados, acredita ser o melhor caminho para a adaptação.

"É importante ajustar os controles de emissão e conferência da GRU JT, além de orientar os clientes sobre o novo modelo e as formas de pagamento. A adaptação inicial é natural, mas o ganho de eficiência tende a compensar o esforço rapidamente", destaca Rúpolo.

Eliminação de erros manuais

Com o sistema GRU JT, gargalos da advocacia tradicional são eliminados justamente pela redução da intervenção humana. Isso ocorre porque a ferramenta introduz a validação automática de CPF/CNPJ e códigos de receita, com o objetivo de encerrar a confusão comum entre custas processuais e depósitos judiciais. Por conta dessa automação, falhas de preenchimento que antes atrasavam os processos e geravam retrabalho são impedidas.

Gustavo Jonasson, advogado trabalhista e sócio de Iokoi, Paiva, Jonasson e Scalzaretto Advogados, argumenta que esses novos procedimentos auxiliam na diminuição de erros manuais e podem agilizar todo o trâmite jurídico.

"No preenchimento manual, havia a necessidade de inserção dos dados cadastrais das partes, detalhamento do processo e código da receita. Qualquer inconsistência poderia implicar na desconsideração do pagamento e no risco de deserção. A validação automática dos dados reduz efetivamente o risco de erro", argumenta Jonasson.

Celeridade processual

Um dos benefícios centrais da integração da GRU JT ao PagTesouro é a extinção da espera de alguns dias pela compensação bancária tradicional. Com a validação imediata do pagamento, a tramitação ganha fluidez, o que evita paralisações administrativas, acelera o ritmo das ações e otimiza o tempo de atuação da advocacia.

Na visão de Leonardo Vizentim, o maior risco que as empresas corriam quanto ao pagamento de custas era a deserção do recurso, ou seja, a rejeição do apelo por falta de comprovação correta do recolhimento. Por mais simples que parecesse essa etapa, as partes enfrentavam inúmeros problemas como o preenchimento incorreto de guias, a ausência de comprovação no prazo legal ou erros na juntada do comprovante aos autos.

"Caso a sistemática efetivamente funcione e o comprovante seja direcionado automaticamente para o processo eletrônico, esse novo modelo indica que não haverá mais problemas de deserção de recurso no futuro em relação às comprovações", complementa Vizentim.

Portanto, a consolidação da GRU JT marca o fim de uma era de burocracia e de incertezas manuais no Judiciário Trabalhista. Diante desse cenário, o sucesso dos departamentos jurídicos durante essa transição dependerá do quão rápido eles serão capazes de atualizar processos internos. Essa adaptação poderá transformar um possível gargalo operacional em uma vantagem competitiva sustentada por tecnologia e maior segurança jurídica.

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